quarta-feira, 10 de setembro de 2014

NEVE TROPICAL - 2

A fotógrafa Petúnia me chamou a atenção para um fenômeno pouco visto nesta redação.
O topo da pedra de previsão do tempo tinha ficado branco. Isto, em meteorologia indígena, equivale a dizer que está nevando. Não é nevando lá fora, no Ceará não tem disso não, mas é nevando cá dentro.
Aliás, como já ocorreu em 2007. Quando eu tentava fazer a refilmagem do "Bye bye Brasil", usando uma webcamera de 25 reais, e fiz nevar no interior do edifício sede do EntreMentes. Substituindo o inexperiente José Wilker no papel de Lorde Cigano, eu fiz cair grandes flocos de neve. Essa cena da nevasca no Nordeste brasileiro era o desafio tecnológico que faltava ser dominado para poder dar início à refilmagem. Mas fiquei só nos preparativos, e a versão caseira do filme jamais foi realizada.
A postagem NEVE TROPICAL - 1 foi o que restou de minha fracassada experiência como ator. É o behind the scenes de um "Bye bye Brasil" que não chegou a existir.
Voltando à vaca do nariz frio. Se não há neve agora no EntreMentes, se a pedra de previsão do tempo não erra nunca (já que ela não prevê o tempo para o futuro), onde, renas de Papai Noel, estaria naquele instante a nevar?
Uma rápida pesquisa no Home blogs, sugerida por Petúnia, mostrou que o fenômeno acontecia no Linha do Tempo. Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro.
Aproveitem o espetáculo. Não tem a grandiosidade de um Let It Snow (Deixe Nevar), como o que o Google aprontou em 19 de dezembro de 2011. Neste, só conseguíamos ver a página de buscas do Google depois que apertávamos no Defrost, o botão de degelar.
Não é meu propósito criar dificuldades a ninguém para ler o blog. Eu usaria as letras rúnicas nos textos se tivesse a malévola intenção.
Quanto a desviar a atenção dos leitores, bem, só um pouquinho.
Comentários
1 - de Fernando Gurgel (por e-mail)
Aproveita e faça um boneco de neve. Veja como é fácil:
2 - de Nelson Cunha
Conforme -se com o calor, espere um pouquinho porque vai nevar no Ceará. Os continentes estão em constante movimento. O nosso se move 7 cm ao ano para o sul. Em apenas 250 milhões de anos estaremos juntos da Africa do Sul. Será a Pangeia Última.
Aquele grupo que acaba de sair dos Diarios, vestidos com casaca e fazendo algazarra, não saem de um baile de gala; são pinguins mesmo e aprenderam a falar.
Com tantos milhões de anos à frente, não se surpreenda com as novidades: os políticos serão honestos e as nossas mulheres, muito menos implicantes.
Original : EM, 14/12/2013
Epílogo
No mês passado (dia 14), EntreMentes, um blog irmão de Linha do Tempo, noticiou que ...
"Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro."
Hoje, 6 de janeiro (Dia de Reis), a nevasca de fato acabou.
Tudo não passou de uma brincadeira no modelo de Linha do Tempo, no qual inseri temporariamente o "efeito flocos de neve".
A quem interessar:
Isto é feito copiando o código [script src="http://static.tumblr.com/8l2gpxb/Apwlulgho/snowstorm2.js"][/script] e colando-o depois de "head" ou antes de "style".
Original: LT, 06/01/2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O PUXA-SACO

Origem da expressão
Começou como uma gíria militar. Para definir os soldados (especialmente aqueles mais solícitos) que puxavam os sacos dos oficiais durante as viagens. Nesses sacos os oficiais guardavam suas roupas, e os soldados, ao puxá-los, passavam a ideia de subserviência. Com o tempo, as pessoas passaram a admitir que os sacos puxados poderiam ser anatômicos, daí o surgimento de novas expressões a estes relacionadas como babão e baba-ovo.
Segundo a blogueira Gislaine Lima, puxa-saco tem até dia. É comemorado, informalmente, em 20 de dezembro por ser a data-limite para o pagamento da segunda parcela do 13º salário. Neste dia do ano, todos os puxa-sacos saem pelas ruas à procura do presente de Natal para os respectivos chefes.
Sinônimos
Adulador, capacho, chaleira, corta-jaca, incensador, lambe-botas (lambe-esporas), lacaio, pelego, sabujo, turibulário, xeleléu...
Frases
Cada frase do adulador é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento. (Georges Clemenceau)
Nenhum puxa-saco suporta uma auditoria.
O puxa-saco serve a quem não tem amigos de verdade.
Formiga e puxa-saco há em todo lugar.
Quem puxa saco, puxa tudo. Inclusive tapete.
Puxa-saco é como carvão: apagado suja, aceso queima.
O puxa-saco sai até na radiografia do chefe. ►
Músicas
1 - O cordão dos puxa-sacos (c/Anjos do Inferno)
Lá vem o cordão dos puxa-sacos / dando vivas a seus maiorais / quem está na frente é passado pra trás / e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais. (Marchinha de Roberto Martins e Frazão)
2 - O puxa-saco (c/ Jackson do Pandeiro)
Vou arranjar o lugar de puxa-saco / pois puxa-saco tá se dando muito bem.
3 - O xeleléu, (c/ Coronel Ludugero)
Xeleléu, ô xeleléu / o teu lugar tá garantido lá no céu.
4 - O puxa-saco (c/ Zeca Pagodinho)
É um carrapato, uma cola, um chiclete / esse cara do chefe não quer desgrudar.
O personagem Fagundes
Criação do cartunista Laerte, é um puxa-saco de mão cheia. Todos os momentos de sua existência são dedicados a enaltecer o chefe – para o desespero deste! O "chefinho", para Fagundes, será sempre o primeiro e único!
Títulos de algumas das tiras com este personagem: Todo mês compro a "Playboss", a revista do puxa-saco de bom gosto. Alguém já lhe disse hoje que o senhor é simplesmente o máximo? Quem não vive para servir, não serve... In: Galeria do Fagundes
Na Divina Comédia
Bem no fundo (da segunda vala) estão os bajuladores, imersos nas fezes. Diz Dante:
"Quivi venimmo; e quindi giù nel fosso
vidi gente attuffata in uno sterco
che da li uman privadi parea mosso.
E mentre ch’ío là giù con l’occhio cerco,
vidi un col capo sì di merda lordo,
che non parëa s’ era laico o cherco." (v. 112-117)
("Ali chegamos; e lá no fosso/ vi gente chafurdada em tal esterco/ que parecia provir de privadas humanas./ E enquanto o fundo com os olhos eu investigava,/ vi um com a cabeça tão suja de merda/ que não distinguia se era leigo ou clérigo.").
Como dizer puxa-saco em inglês
Acredito que há muita gente por aí dizendo: “puxa saco em inglês é apple-polisher“. Afinal, essa é a expressão mais referida para chamar alguém de puxa-saco em inglês. No entanto, saiba que o termo apple-polisher atualmente é raramente usado! Apesar de alguns dicionários ainda o registrarem, autores de livros insistirem em seu uso e professores fazerem questão de ensiná-lo a seus alunos, apple-polisher não é tão usado assim, embora alguns digam que as crianças – e olhem lá! – fazem mais uso dela! InInglês na ponta da língua
Certamente não é pull bag!
É de pequenino que se puxa o saquinho
Ou: 10 maneiras de reconhecer um puxa-saco ainda na infância
Original: EM. 20/12/2013

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A RESTAURAÇÃO DO REDENTOR

Esta simulação da estátua veio daqui
O Cristo Redentor é uma estátua octogenária. Exposta ao sol, à chuva  e aos ventos, um dia a estátua vai precisar de uma boa restauração.
Chama-se o Didi.
Não. O Didi só sabe limpar uma das mãos do Redentor. É como capixaba: começa e não acaba. E logo, logo cai em prantos diante das câmeras do Fantástico.
A gente está falando de restauração. O que exige experiência comprovadíssima no ramo. Não se pode correr o risco de que o ícone da Cidade Maravilhosa e, por extensão, do Brasil finde os seus dias assim. (V. simulação.)
Mas...
Como vamos escolher um bom restaurador? O melhor, se possível. Ah, sei lá. Só sei que temos de fazer essa escolha com muito tato e diplomacia.
Não podemos deixar que a Cecília Giménez fique ofendida por ter sido descartada.
Original: EM, 30/10/2013

A "restauradora" Cecília Giménez
Há poucos dias, a imagem de uma "restauração" feita por Cecília Giménez, de 81 anos, tomou conta do mundo.
A idosa, ao ver que a pintura estava em mau estado de conservação, decidiu recuperá-la.
Inicialmente, ela contou que decidiu fazer o trabalho por conta própria e sem autorização. Depois, afirmou que o padre da igreja em que a pintura está localizada, em Borja (norte da Espanha), havia dado o sinal verde para que ela o fizesse.
A obra ganhou o apelido de "Ecce Mono". "Ecce Homo" é, tradicionalmente, o nome que se dá às pinturas de Jesus com a coroa de espinhos, antes da crucificação. Na paródia, a palavra "Homo" (em latim, homem) foi substituída por "Mono" (em espanhol, macaco).
Nesta semana, duas restauradoras - desta vez, profissionais - vão examinar a obra para saber se há salvação para o Cristo. Já Cecília Giménez está isolada em sua casa. Segundo familiares, ela teve um ataque de ansiedade ao saber da repercussão de seu trabalho.
Milhares de pessoas já fizeram romaria ao santuário espanhol de Nossa Senhora da Misericórdia, em Borja, na Espanha. Elas precisaram fazer fila na igreja local para ver e fotografar a pintura do "Ecce Homo" "restaurado", que já deu a volta ao mundo e virou febre na internet.
Uma grande série de paródias do "Cristo de Borja", pintura do século 19 feita por Elías García Martínez, já circulam na web. Os ícones parodiados vão desde a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, passando pela estátua do "Cristo Redentor", erigida no Rio de Janeiro, ao Chewbacca, da série cinematográfica "Star Wars".
Original: EM, 27/08/2012

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

OCORRÊNCIA

Que loucura!
Ontem, uns cinco dias atrás, tive o meu carro, um Ford Pálio, vermelho prata, placas XYL 1234 (dianteira) e XVT 9876 (traseira), furtado de um estacionamento. Um flanelinha, a quem neguei uma boa gorjeta, indicou-me o local em que eu poderia encontrar o veículo. Encontrei-o. O veículo estava sendo inclusive vigiado por outro flanelinha.
Ainda no mesmo dia, ao parar no cruzamento entre as avenidas Alberto Sá e Godofredo Maciel, o furto reavido virou roubo. Porque, pensando que o sinal verde estava prestes a abrir, eu freei o carro, e disso se aproveitaram dois assaltantes. Pude ver que um deles era alto e baixo, enquanto o outro era um branco retinto. O primeiro usava uma arma espacial e o segundo um punhal que não tinha cabo nem lâmina.
Ensinado a não reagir nessas situações assimétricas, além de tratá-los por excelências, entreguei a chave a eles. Disse-lhes que não tinha a intenção de reaver o veículo, pois a polícia faria isso por mim, e recomendei-lhes que não fizessem pegas com os policiais.
Procurei um DP que estava de greve para fazer o BO e posso afirmar que, ao circunstanciar esse delito continuado, quase levei o delegado à loucura. O que me fez refletir se eu não deveria parar, daquele dia para trás, o meu consumo de tanta cerveja sem álcool.
Felizmente, o veículo foi depois encontrado na Gentilândia, nas imediações do estádio Castelão. Ao lado dele, estavam os corpos dos dois assaltantes que, por falta de mediação e arbitragem, devem ter entrado em luta corporal pela posse do manual de instrução do carro.
Foi um caso típico de suicídio seguido de homicídio, como concluiu o delegado, assim que ele debaixo de vara recuperou plenamente o juízo.
Original: EM, 23/11/2012

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

VIVER DE LUZ

O grande pneumologista Mario Rigatto afirmava que "os seres vivos são máquinas biológicas acionadas por energia solar até elas veiculadas pelo processo respiratório".
Em "Brejo da Cruz", Chico Buarque cantou:
"A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz.
Alucinados,
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz."
Rigatto e Chico têm o respaldo da ciência e da poesia.
Nós, seres humanos, ao contrário dos vegetais que captam diretamente a luz solar pela fotossíntese, necessitamos de cumprir certas formalidades burocráticas como respirar (o que os vegetais também fazem) e comer.
A australiana Jasmuheen, nascida Ellen Greve de Fome e vencedora do Prêmio Ig Nobel de Literatura em 2000, acha que comer não é preciso. Em seu livro "Viver de Luz", ela explica (ou tenta explicar) como é que consegue dispensar o ato de alimentar-se. Agora, numa série de vídeos postados no YouTube, ela volta a defender seu ponto de vista.
Jasmuheen não está só. Os respiratorianos também acham que apenas respirar já é o suficiente. PGCS


Em tempo
Em janeiro de 2011, na cidade de Wolfhalden, na Suíça, uma mulher morreu de fome depois de embarcar em uma dieta espiritual que exigia que ela parasse de comer e beber para apenas da luz solar.
O jornal Tages-Anzeiger, que deu essa notícia, acrescentou que já houve casos semelhantes de morte por auto-inanição na Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália.
Original: EM, 25/10/2012

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MALTHUS ALÉM

Lendário personagem, filho de Enoque e avô de Noé. Não só viu o Dilúvio como pisou na lama que se formou depois.
Uma das diásporas judaicas levou esse patriarca para a Polônia. A bem dizer, Malthus, ao levar com ele a família, é que foi a maior das diásporas.
Com a desculpa de estar "apenas de passagem", ele viveu vários séculos na Polônia.
No século 18, transferiu-se para o Reino Unido onde escreveu um famoso ensaio demográfico. No qual divulgava a ideia de que a população humana cresce em progressão exponencial, enquanto os meios de subsistência crescem como rabo de cavalo. O que refletia, de certa forma, o arrependimento do patriarca por haver gerado uma descendência tão numerosa.
A autoria desse ensaio foi depois erroneamente atribuída a Thomas Malthus. Mas Thomas não era um pensador, era um homem totalmente pragmático. Erradicou as plantações de batata na Irlanda como meio de acabar com a população do país. Não chegou a tanto, porém, como deixou o nome associado a uma questão de controle populacional, foi esse detalhe que acabou gerando a confusão.
Os ensinamentos de Malthus Além podem ser resumidos neste conceito lapidar:
Evite nascer, mas se fizer essa besteira, então tente não morrer.
Ele morreu, tentando até o fim... não morrer. O Guinness Book não reconhece sua longevidade porque ele nunca apresentou uma certidão de nascimento. Só uma versão autografada do Velho Testamento.
Mas Malthus Além deixou uma legião de seguidores no Brasil, dentre eles: Oscar Niemeyer, Dona Canô, João Havelange, Hebe Camargo, Suzana Vieira, Caçulinha, Plínio Arruda, Bibi Ferreira e a repórter Glória Maria.
Original: EM, 18/05/2012

quarta-feira, 30 de julho de 2014

VULCÕES NO BRASIL

Se você depende da crença de que não existem vulcões no Brasil para sustentar algum tipo de ufanismo vai se decepcionar com o que eu vou afirmar. Existem vulcões no Brasil.
Como o Pico do Cabuji, também conhecido como Peito de Moça, que fica no município de Angicos, Rio Grande do Norte. No caminho entre Natal e Mossoró, e há quem diga que ele, com seus 590 metros de altitude, é o verdadeiro Monte Pascoal. Bem, como é um Peito de Moça que já mirrou (desde o Holoceno), é melhor eu seguir viagem.
À ilha de Trindade, que tem numerosos centros vulcânicos. A cerca de 1200 quilômetros da costa do Estado de Espírito Santo, e com íngremes paredões, essa ilha só pode ser visitada de helicóptero. E uma pequena guarnição da Marinha brasileira que vive por lá diz nunca ter visto sinais de atividade vulcânica. Precisaria ter residência fixa na ilha há 40 mil anos para ter pisado na lava ainda quente.
Ah, o Vulcão de Nova Iguaçu! Situado no município de mesmo nome no Rio de Janeiro, este vulcão está completamente extinto. Aliás, pode até não ter existido. As comunidades acadêmicas estão divididas e mantêm há anos acaloradas discussões sobre a realidade do vulcão, indo das placas tectônicas ao fluxo piroclástico. Etc. A mim pouco importa que grupo vá ganhar a contenda, eu não preciso deste vulcão para acendrar (sinônimo de limpar com cinzas) a alma do meu Brasil varonil.
Não muito longe de Nova Iguaçu, mais precisamente na capital do Estado, é onde eu encontro finalmente o meu argumento a fortiori. Ocorre no Rio de Janeiro a maior concentração de vulcões do mundo. A cidade tem centros vulcânicos para islandês nenhum botar defeito. Disfarçados de bueiros da Light, eles explodem a todo instante pela cidade, inquietando a população. E basta uma centelha num desses hot points para garantir a sua ignição.
Ler também: Agora é cinza e Um vulcão sem o guardião.


PS – Surgiu no RJ um movimento para mudar o nome da cidade para "Bueiros nos Ares". FOTOGALERIA

Original: EM, 15/07/2011

quarta-feira, 23 de julho de 2014

LACÔNICAS

1 A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
(William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892)

2 Uma ordem religiosa incluía entre suas exigências o voto de silêncio. Um adepto só podia quebrá-lo uma vez a cada dez anos. Nessa ocasião, ele procurava o superior da congregação, dizia duas palavras e, em seguida, ficava calado por mais dez anos.
Um deles fez as quebras permitidas de silêncio, nas três vezes a que teve direito, com as seguintes palavras: "cama dura", "comida ruim" e "vou embora".
"Vá mesmo, você não se adaptou aqui nestes trinta anos", respondeu-lhe o superior.
Foi uma resposta meio longa para o padrão da ordem, reconheço, mas se tratava de se livrar de um espírito por demais rebelde.

3 Lacônico é o que é dito em poucas palavras, de forma breve, resumida, sintética. Homens de poucas palavras, quase taciturnos e algos rudes eram os antigos habitantes da Lacônia, parte do Peloponeso, de que Esparta era a capital. Diz-se, para exemplificar, que um ateniense enviado como arauto levou-lhes esta advertência: "Se chegarmos a essa cidade, nós a arrasaremos." E a resposta foi meramente esta: "Se..."
(apud Raimundo Magalhães Jr.)

4 Em 1741, Euler chega a Berlim depois de um mês de viagem marítima e terrestre a partir de São Petersburgo para se tornar diretor de matemática na recém-formada Academia de Ciências de Frederico, o Grande. Tendo suportado a intriga política e o regime brutal da Princesa Anna, Euler evitou a cena política ao imergir no trabalho. A mãe de Frederico, Sophia Dorothea, reclamou com Euler porque ele era tão lacônico. A resposta de Euler foi: "Senhora, acabo de chegar de um país onde todas as pessoas que falaram foram enforcadas".
(John Derbyshire, Prime Obsession, p. 59-60)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

GRAVIDEZ DE ALTA DURAÇÃO

A maioria das gestações na espécie humana dura cerca de 9 meses e os médicos decidem induzir o parto se a gestação continua por mais tempo. No entanto, é possível uma mulher permanecer grávida durante um ano inteiro. A mais longa gestação do mundo durou 375 dias e o bebê tinha ao nascer um pouco mais de três quilos.

Gestações de um ano ou mais já deram à luz personagens da mitologia e da literatura. O fato é justificado pela necessidade de a mãe gerar uma obra-prima, muitas vezes destinada a fazer proezas. Com efeito, diz Homero que, tendo Netuno engravidado a Ninfa, esta só deu à luz um ano depois. Como informa Aulo Gélio, tão longo tempo era exigido pela majestade de Netuno, a fim de que o filho fosse formado com perfeição. Pelo mesmo motivo, Júpiter fez durar quarenta e oito horas a noite em que dormiu com Alcmena. Embora aqui se trate de uma fecundação, em menos tempo Júpiter não teria podido forjar Hércules, que limpou o mundo de monstros e tiranos.
Já Gargantua (na gravura acima, de Gustave Doré), personagem principal do romance homônimo de Rabelais, passou onze meses no ventre de sua mãe. E, por causa do inconveniente de ter ela comido tripas quando grávida, é que o bebê Gargantua passou por entre "os cotilédones superiores da matriz, entrou na veia cava e, subindo pelo diafragma até ao alto das espáduas, onde aquela veia se ramifica em duas, encaminhou-se para a esquerda e saiu pelo ouvido".
– Bem, saiu pelo ouvido e quem quiser que conte outra.
Original: EM, 16/06/2011

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A PARÁBOLA DO CHUPIM

O chupim (Molothrus bonariensis) é conhecido pelo hábito de colocar seus ovos nos ninhos de outras aves para que as mesmas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los como filhotes. São diversas as espécies de que o chupim se aproveita para essa forma de materno-infantil de parasitismo, mas o tico-tico (Zonotrichia capensis) é a sua vítima favorita.
A vandalização dos ninhos do pequeno tico-tico pelo chupim, caso aquele não atenda aos propósitos deste, é talvez a grande razão para o tico-tico se deixar explorar pelo chupim - sem piar!
CiênciaHoje: os ovos castanhos e maiores são do chupim 
Dentre outras aves de igual sina, o que ainda não se sabia era que o tucano podia ser uma delas. Mas isso aconteceu de fato, uns vinte anos atrás, quando um chupim decidiu botar um ovo no ninho de um tucano-de-bico-duro (Ramphastos nando cardosus). Se bem que um chupim nunca fosse páreo para um tucano, ave maior e que tem um bico que intimida.
Só que esse tucano tinha certas preocupações, como a de um dia poder reinar sobre as demais aves da floresta. Não queria escândalos. Então, entrou em cena a chamada "turma do abafa": dois tucanos - Tucão e Serrão - além de um observador de pássaros, que, a respeito daquela desavença, garantiu o silêncio de si próprio e de seus companheiros de hobby and lobby.
Dentre as providências tomadas, a trinca mandou o inconveniente chupim ir chocar o seu ovo na Espanha.
Que é uma parábola?
É uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
Quanto custa uma parábola?
Neste caso:
  • A isenção da CPMF para todos os meios de comunicação. 
  • O PROER da Mídia, que custou entre US$ 3 e US$ 6 bilhões aos cofres públicos. 
  • A mudança da Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. 
  • A autorização para que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.
Original: 30/06/2011

quarta-feira, 2 de julho de 2014

GERÔNIMOS

Porque se diz "Gerônimo" quando se pula de paraquedas?
O costume surgiu nos Estados Unidos em 1940.
Um pelotão de paraquedistas do exercito americano teria que fazer uma demonstração de salto, até então inédita, em Fort Benning, Georgia. Seria a demonstração da possibilidade de um ataque maciço de tropas com muitos paraquedistas saltando quase simultaneamente. Para isso, precisariam de muitos paraquedistas, e os saltos teriam de ser feitos rápida e sucessivamente.
No dia anterior à demonstração, alguns soldados estiveram assistindo a um filme de faroeste. Um filme sobre o lendário chefe apache Gerônimo (Geronimo,  de 1939). Estavam todos apreensivos com a missão. Depois de algumas cervejas, o soldado Aubrey Eberhardt, encorajado pela bebida, disse que o salto do dia seguinte seria como outro qualquer.
Os colegas duvidaram da coragem de Eberhardt. E este, injuriado, fez a promessa de que estaria tão tranquilo que ia se lembrar de gritar "Gerônimo!", em alto e bom som, para que todos ouvissem.
De fato, tanto os colegas que estavam dentro do avião, como os que já haviam saltado e estavam por perto, como ainda alguns colegas que estavam em solo ouviram o grito de Eberhardt ao saltar. Ele havia cumprido a promessa e, naquela ocasião, nascia o famoso grito de guerra (e de sorte) dos paraquedistas militares e civis.
Original: EM, 01/06/2013

Porque se escreve "Gerônimo" quando se comunica a morte do inimigo
"Geronimo - EKIA (enemy killed in action)."
Com esta curta mensagem, enviada pelo general Custer para a Casa Branca, um período de dez anos de buscas e repreensões chegou ao desfecho.
O governo dos Estados Unidos conseguiu, finalmente, pegar Geronimo (foto), o lendário chefe apache que tanto aterrorizava o pacífico povo do país.
O índio passara à condição de renegado desde que iniciou uma coleção de escalpos ianques em substituição aos genéricos mexicanos.
Um acordo tácito, que o índio fez com as autoridades do país, autorizava-o a participar de um animado hide-and-seek.
Ao ser divulgada a informação de que ele fora enfim encontrado, os skinheads estadunidenses, em estado de euforia, saíram às ruas para fazer um carnaval fora de época (embora não façam isso em época alguma).
Tudo saiu como estava previsto. Na fronteira com o México, quando era levado para os Estados Unidos, aproveitando-se de um momento de distração de seus captores, o corpo enorme inerme do líder apache decidiu assumir seu próprio destino e se jogar nas águas revoltas do Rio Grande.
Morto, Geronimo não é mais o inimigo público # 1 da nação, agora é o seu mais novo wetback.
Original: EM, 09/05/2011

quarta-feira, 25 de junho de 2014

RECONSTRUINDO IRENE

Nos idos de 2010 escrevi o Irene na Terra. Sem a pretensão de que os pósteros o elegessem como o maior poema da língua portuguesa. Cabia por inteiro numa "tuitada". Além disso, seus três primeiros versos fazem parte de "Irene no céu", de Manoel Bandeira, e o seu quarto (e último) verso conheceu tempos melhores na canção "Irene", de Caetano.
Não era um poema que pudesse fazer frente, por exemplo, ao Maabáratra, de Krishna Dvapayana Vyasa. O poema deste hindu tem 74 mil versos. E se nele formos incluir o "Harivamsa" já sobe para 90 mil versos.
Acontece que, dias atrás, em uma das minhas caminhadas crepusculares por Two Thousand City (Cidade 2000), escutei por acaso uma gravação de Agnaldo Timóteo.
Numa Vitrolex (link não patrocinado), o ex-motorista da Ângela Maria estava a cantar A casa de Irene, versão de um sucesso de Nico Fidenco.
E, nesse instante de grande enlevo, dei-me conta de que tinha um poema inacabado. Então, sem delongas, retornei a ele que assim ficou:
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
Na casa de Irene a tristeza se vai
- Quero ver Irene dar sua risada.
De forma que o poema prossegue aos poucos: tijolo com tijolo num desenho mágico. E dá para ver que, mesmo sendo comparado aos prolixos poetas indianos, eu continuo competitivo.
Original: EM, 11/03/2011

Desescute
Sabem aquela música chata que a gente não consegue tirar da cabeça? Aquele música que, não importa o que a gente faça, fica tocando sem parar no cérebro?
Pois já existe como removê-la. Descobri isso em minha leitura diária do Gente de Mídia, blog do jornalista Nonato Albuquerque.
A solução é apresentada pelo site Desescute, que propõe substituir a música chata por outra... ainda pior!
O site, para dar sustentação ao método que utiliza, baseia-se em recentes "estudos científicos publicados sobre o fenômeno da impregnação melódico-cerebral".
O controlador do EntreMentes ainda não tem uma opinião formada sobre a eficácia do método.
Ao tentar substituir o "Rebolation", do Parangolé, pelo "Sai da minha aba", do Alexandre Pires, recebeu um pacote promocional com o "Morango do Nordeste", do Frank Aguiar, o "Ilariê", da Xuxa, o "Un, dos, tres, Maria", do Ricky Martin, o "Meu pintinho amarelinho", do Gugu e o jingle "Presidente 89" do Eymael.
Se isso não for uma espécie de operação casada e poligâmica, não sabe mais o que é.
Original: EM, 24/02/2011

quarta-feira, 18 de junho de 2014

INCAPAZ DE UM SACRIFÍCIO

Quando Abraão retornou da terra da Visão, Sara o esperava. Mas a recepção que deu ao esposo não foi nada amistosa.
- Trouxe de volta esse imprestável do Isaac, não foi?
- É que Deus mudou de ideia.
- Você falou com Ele?
- Não, mandou um anjo me dizer isso.
- E por que Deus arrependeu-se?
- Não me foi explicado. Penso que tem a ver com os palestinos... mas não é para logo.
- E aí?
- Sabe a Jezebééé?
- Anda desaparecida.
- Andava. Encontrei-a por lá presa num espinheiro.
- E não trouxe a ovelha?
- Não, imolei-a no lugar do Isaac.
- Homem de Deus, por que fez isso?!
- Não era para agradecer?
- Aquela ovelha, Abraaão, eu vinha criando para uma ocasião especial. Uns anjos que vêm almoçar aqui...
- Não diga?!
- Ô, homem, você é incapaz de um sacrifício!
Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto
Original: EM, 14/01/2011

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O PLÁGIO DE NOSSA BANDEIRA

Antes te houvessem roto no Alvorada
Que servires a um povo replicada.
PGCS
Andam a plagiar a bandeira do Brasil. Apesar de ter uma combinação pouco usual de cores, de formas e de um lema exclusivo, o lindo pendão da esperança, o símbolo augusto da paz não é inimitável como se pode ver. Em parte, por não estar sob a proteção de alguma lei autoral.
Vem da Líbia a primeira ameaça nesse sentido. O país africano, conhecido por seus imensuráveis desertos, já está usando em sua bandeira (não sei há quanto tempo) o verde de nossas matas. A simbolizar o verde de seus oásis, ora vejam!
Mas esse retângulo verde é só um balão de ensaio. Se nós, brasileiros, não protestarmos com absoluta firmeza, os líbios acrescentam o resto: o losango amarelo, o círculo azul, as brancas estrelas.... E, arrematando tudo, uma faixa com a seguinte frase: "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but".
Riram porque ela ficou extensa? Mas é a frase de Auguste Comte, no original e completa.
Urge: levantarmos a bandeira que vai defender a... bandeira. Pois rumores já dão conta de que eles estão progredindo muito no Paint.
Original: EM, 27/04/2010

quarta-feira, 4 de junho de 2014

SI VIS PACEM, PARA BELLUM

É um erro crasso traduzir a frase acima por "civis, passem-me a parabélum". A parabélum aí, se alguém ainda não sacou, era o nome de uma pistola automática de procedência alemã. Que foi citada pelo cangaceiro Corisco, numa das cenas de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", um filme de Glauber Rocha.

- Se entrega, Corisco / Se entrega, Corisco.

- Eu não me entrego não. / Eu me entrego só na morte de parabélum na mão.
(Canção de Sérgio Ricardo, da trilha sonora do filme.)
Mas a exata tradução da frase latina é esta: "Se queres o Nobel da Paz, prepara-te para a guerra."
Por isso, foi que Mister Obama, em seu discurso de agradecimento na solenidade em que recebeu a honraria (em Oslo, Noruega), disse mais vezes a palavra war (44) do que a palavra peace (30).

Rouco de ouvir
E, logo em seguida, mandou limpar a cera dos ouvidos. Uma providência indispensável para quem recebeu a missão de, neste e nos próximos anos, ouvir os clamores de sua gente. Sei não, mas eu continuo a achar que o povo da nação mais guerreira do mundo não é tão inocente assim pela má fama que carrega.
Original: EM, 12/12/2009

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O DIA DAS AÇÕES DE GRAÇA

Na última quinta-feira do mês de novembro, o Brasil bem que poderia ter o seu Dia das Ações de Graça. Não se trata de uma cópia do Thanksgiving, o Dia da Ação de Graças dos norte-americanos, no qual, eles, sob os mais diversos pretextos (começaram em 1620 agradecendo a Deus por causa de uma boa colheita), aproveitam para ir à tripa forra. Sendo o prato principal em suas residências o peru que, nesse dia do ano, amarga o seu holocausto.
O nosso Dia teria características bem diferentes. Em vez de colonos agradecendo a Deus suas esplêndidas colheitas, seriam as grandes empresas que viriam a nós agradecer os lucros obtidos durante o ano. Assim, gigantes empresariais como a Petrobras, o Banco do Brasil, a Vale, a Votorantim e o Estacionamento Iguatemi distribuiriam conosco (que tanto contribuímos para o sucesso financeiro das empresas) lotes e mais lotes de suas cobiçadas ações. E de graça, naturalmente, por ser esse o espírito do Dia.

Fica aqui dada a sugestão para se criar o Dia das Ações de Graça. Mas é uma pena lástima que o tal Dia só possa ser aplicado a partir do próximo ano.
PGCS
Bônus
Há sempre alguém mais desesperado do que você...


Original: EM, 27/11/2009

quarta-feira, 21 de maio de 2014

UNS NÚMEROS (MAIS OU MENOS) EXATOS

Há quem aprecie os números exatos e, por isso, evite os arredondamentos dos quais decorrem erros para mais ou para menos. Em seu livro "O que os Brasileiros devem saber", tempos atrás publicado, o Sr.Hernani Fornari escreveu:
"Brasileiro! Saiba... que a superfície do Brasil é de 8.511.189 quilômetros quadrados..."
Ao observar esse resultado tão minucioso, para a área do nosso país, comentou o Dr. Alírio de Matos, na época professor catedrático da Escola Nacional de Engenharia:
"É possível, por uma questão de sorte,que o 89 esteja certo. Mas é bem possível, também, que o algarismo das centenas não seja 1. E que adianta, afinal, acertar nas dezenas, acertar nas unidades, e errar redondamente nas centenas e nos milhares?"
Tinha razão o Dr. Alírio. A partir de 1946, a área territorial oficial do Brasil foi sofrendo alterações, por conta dos aperfeiçoamentos cartográficas implementados, até chegar ao atual valor de 8.514.215,3 quilômetros quadrados. Mas é bem possível, também, que o IBGE, por uma questão de sorte etc.
Original: EM, 07/09/2009

Arredondar é preciso

Na Serra da Estrela se encontra o ponto mais elevado de Portugal continental. Mede 1.993 metros e, sobre ele, nossos irmãos lusitanos construíram uma torre com 7 metros de altura. Para completar os 2.000 metros.
Mas continua nos Açores, com 2.351 metros, o ponto mais alto do território português.
Original: EM, 01/07/2010

quarta-feira, 14 de maio de 2014

FILOSOFIA DE PARACHOQUES

  • Se procuras uma mão disposta a te ajudar vais encontrá-la no final do teu braço.
  • Cana na fazenda dá pinga; pinga na cidade dá cana.
  • Beleza não põe mesa, mas garante a sobremesa.
  • Vou colocar uma boca térmica para conservar os beijos quentes.
  • Se o amor é cego, o negócio é apalpar.
  • Sou fã das escurinhas, porque Deus criou-las.
  • Deus fez o mundo em seis dias porque não tinha ninguém perguntando quando ia ficar pronto.
  • Agora estou fazendo a dieta da sopa... deu sopa, eu como!
  • Casamento é uma droga: começa com a filha, termina com a sogra.
  • E... num caminhão de reboque:
"EU VOU TIRAR VOCÊ DESTE LUGAR"

  • Se for para morrer de batida, que seja de limão!
  • Nem no dia que morre o coveiro falta no cemitério.
  • Quem tem rabo de palha não senta perto do fogo.
  • Em rio que tem piranha, macaco toma água de canudinho.
  • De mulher feia e marimbondo, quando não corro, me escondo.
  • Do Oiapoque ao Chuí, só paro para fazer xixi.
  • Criança e tamanco só se faz com pau duro.
  • Detesto pessoas egoístas; preocupam-se mais com elas do que comigo.
  • Devo, não pago; nego enquanto puder.
  • Minha sogra caiu do céu: a vassoura dela quebrou.
  • Chicote, se não for usado, vira pedaço de couro.
  • Carteiro feliz é aquele que gosta de sê-lo!

Original: EM, 05/09/2009 e 24/11/2009

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MEU REINO POR UM PEPINO

Em 931, o Rei Theinhko da Birmânia comeu sem pedir licença um pepino da plantação de um aldeão local. Irritado, o agricultor assassinou Theinhko e, em seguida, assumiu o trono como Rei Nyanng-u Sawrahan. Num esforço para evitar a agitação política, a rainha viúva congratulou-se com ele. E Nyanng-u, que ficou conhecido como o Rei Pepino, reinou a Birmânia durante 33 anos. Um de seus atos foi transformar o local em que cultivava seus pepinos no Jardim Real.


No Schott's Almanac (não li ainda e gostei) é possível a gente se informar como, depois de Theinhko, alguns outros reis da Birmânia morreram:
  • Anawrahta: chifrado por um búfalo durante uma campanha militar (1077).
  • Uzana: pisado por um elefante (1254).
  • Narathihapate: forçado a tomar veneno num complô contra ele (1287).
  • Minerekyawswa: esmagado por um elefante (1417).
  • Razadarit: enlaçado na corda que prendia um elefante (1423).
  • Tabinshweti: decapitado por seus ministros sob a acusação de que perdia muito tempo a procurar um fictício elefante branco (1551).
  • Nandabayin: rindo até à morte após ter sido informado, por um comerciante italiano, que Veneza era um estado livre - e sem rei (1599).
A lição da História
Reis da Birmânia e elefantes não combinam. Depois que deixou de ser uma monarquia, os regicídios por elefantes obviamente pararam de acontecer na Birmânia.
Original: EM, 30/07/2009

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O ESPÍRITO DA ESCADA

Em questão de poucos minutos uma expressão me foi apresentada duas vezes. Ela estivera a vida inteira escondida dos meus sentidos e aí, clique, revelou-se a mim em toda a plenitude.
Trata-se de l'esprit de l'escalier, uma expressão francesa. Aplicável àquelas situações em que alguém, agredido verbalmente, não dá uma resposta à altura. E o que deveria ter sido a boa resposta só lhe vem à mente algum tempo depois... quando já está "descendo a escada". Coisa de l'esprit de l'escalier.
Aston R., em artigo no Crooked.com intitulado The 10 Coolest Foreign Words The English Language Needs, inclui a expressão francesa.
Aí, ao clicar o mouse, torno a encontrá-la numa crônica do Veríssimo: Ah, é, é? A frase que muitas vezes é pronunciada enquanto não chega a resposta devastadora. Pois nem todo mundo é profissional da resposta pronta como os repentistas. Que retrucam não só no ato como também rimado.
E, para Veríssimo, essa "insuficiência na retaliação verbal" inclui os humoristas. Já que eles, zelando pela reputação, têm de revisar e burilar as frases que vão usar em suas respostas. E isso no exíguo tempo de uma ou duas semanas.
Original: EM, 08/06/2009

quarta-feira, 23 de abril de 2014

UM SANTEIRO CEARENSE

O Brasil, com a fama de "maior país cristão do mundo", não tem um cartel de santos à altura deste título. Vai ver que a Igreja marcou mesmo o Brasil. E, por por conta disso, em se tratando de dar reconhecimento a um santo brasileiro, ela tem sido tão profundamente exigente.
No caso do Brasil, o funil da canonização usado pelo Vaticano apresenta o mais estreito dos bicos. Deixa passar muito pouco. O São Frei Galvão, a Santa Madre Paulina (que nem brasileira é e já foi comparada ao tenista Fernando Meligeni) e... quem mais?
Acredito haver pesado nisso o termos sido sempre tão mal contemplados na indicação do Advogado do Diabo. Dentre as autoridades eclesiásticas disponíveis, só velho ranzinza, mal-humorado e neurastênico é que a Cúria designa para apreciar processo de santo brasileiro. O resultado é que logo aparecem as fortíssimas objeções aos milagres do nosso candidato a santo.
Isto posto, devo dizer agora por que admiro o artista plástico Tarcísio Afonso Garcia. Dá-se principalmente quando releio uma antiga reportagem de jornal em que ele aparece descrevendo a sua busca pessoal pelos santos brasileiros. Levado por uma voz exterior (vox populi) que o fazia suspeitar da existência deles - Tarcísio foi encontrando-os, um a um.
É, assim, graças a ele, que o Brasil tem agora uma hagiologia de fazer inveja à Itália.
Ele chegou a essas descobertas por ele mesmo, acumulando as funções de folclorista com a de Advocatus Dei. Depois de ter dispensado os "préstimos" do Advocatus Diaboli. Aliás, quem está a serviço do belzebu, bode-preto, capiroto, maligno, tinhoso et caterva não pode ser lá grande coisa. Camufla-se de um título em latim para cometer os piores crimes de lesa-santidade.
Eis os santos brasileiros que Tarcísio encontrou:
Santo do Pau Oco, São Nunca, Santa Paciência, Santa Ignorância, Santo de Casa, Santo Remédio, Santo Dia, Santo de Barro, Todo Santo e Santa Briguilina das Pernas Finas.
Findo esse importante levantamento hagiológico, o grande desenhista de Otávio Bonfim deu o passo seguinte: criar as imagens para os santos encontrados. Sem elas, o seu trabalho ficaria incompleto e os santos nem sequer seriam venerados pelo povo brasileiro.
Serão mostradas amanhã. Reze para que dê certo.
Original: EM, 19/11/2008
DEZ "SANTOS" BRASILEIROS
Promessa com santo é para ser cumprida. Que dirá com vários?
Original: EM, 20/11/2008

quarta-feira, 16 de abril de 2014

FRASES DO BART E UMA MENSAGEM A ELE

Frases do Bart
No início de cada episódio dos Simpsons, o garoto Bart aparece escrevendo alguma frase repetidamente em uma lousa.
Eis várias das que ele já escreveu, com a tradução para o português:
01. "Bart Bucks" are not legal tender. "Dólares Bart" não têm valor legal.
02. I will not defame New Orleans. Não vou difamar Nova Orleans.
03. I am not authorized to fire substitute teachers. Não estou autorizado a demitir professores substitutos.
04. Organ Transplants are best left to professionals Organ. Transplantes de órgãos são assunto para profissionais.
05. I will not trade pants with others. Não trocarei as calças com os outros.
06. I am not a dentist. Eu não sou um dentista.
07. No one is interested in my underpants. Ninguém está interessado em minhas cuecas.
08. I will not call the Principal "Spud-Head'. Não vou chamar o Diretor de "Cabeça-de-Batata".
09. I will not eat things for money. Não vou comer coisas por dinheiro.
10. A burp is not an answer. Um arroto não é uma resposta.
Eu já havia encerrado a seleção quando Bart escreveu a frase a seguir:

Original: EM, 03/10/2008
Mensagem ao Bart
Dear Bart,
Confesso que me senti lisonjeado em saber de seu desejo de aprender português para ler o Blog do PG.
Porque sei que você poderia usar um desses tradutores automáticos à solta na internet. No entanto, não o faz. E assegura que vai beber do meu blog no olho d'água original.
Traduzir é trair, como diz uma máxima, por sinal traduzida.
Assim, seguindo os passos do Brazilianist Mangabeira Unger, você tomou a decisão de aprender português. E não a tomou de uma forma irrefletida. Haja vista que a escreveu, com a sua letra inconfundível, em sua lousa aí em Springfield - e bem repetidamente!
Pois, garoto Bart, se continua firme nesse tão digno propósito, a hora é esta! O português, aqui no Brasil, acaba de aderir a uma reforma ortográfica que o deixa mais simples. Escoimado, graças a ela, em muitos de seus hífens e acentos. E, no caso do trema, simplesmente foi passado o apagador.
Além disso, a inculta e bela não vai mais exigir que algumas letras estrangeiras apresentem seus passaportes. O K, o W e o Y, o que, imagino eu, deve ser do seu inteiro agrado.
Lembro-me agora do falecido professor Kyw, que me ensinou português no ciclo ginasial. Purista ao extremo, ele não aprovaria uma reforma ortográfica com tal abrangência. Que se dane, pois, o ranzinza do Kyw! Remexer-se na tumba é que ele não vai mesmo. A essas horas, e não tendo mais um músculo para alavancar o velho esqueleto...
Por isso, fiquemos tranqüilos, Bart. Aliás, tranquilos
Yours,
Dr. Paulo
Original: EM, 04/10/2008

quarta-feira, 9 de abril de 2014

MICROLITERATURA

A chamada microliteratura vem ganhando espaço (apesar de usá-lo tão pouco) nesses tempos tecnológicos. Associada, muitas vezes, às idéias do minimalismo.
Nela estão o microconto, o micropoema, o haikai e outras produções literárias assemelhadas.
No caso do microconto, costuma-se limitá-lo a um teto de 150 caracteres. A concisão, no entanto, não é a única característica do microconto. Este, mais do que mostrar, deve sugerir. Cabendo ao leitor a tarefa de preencher - com a imaginação - as "elipses narrativas" do microconto.
Estabelecer um limite de 150 caracteres permite, por exemplo, o microconto ser enviado como "torpedo" por um telefone celular, o que em si já evidencia a sua ligação com as novas tecnologias de informação e comunicação.
Um variante do microconto é o nanoconto, do qual se exige um máximo de 50 letras. Como este, a seguir, escrito pelo guatelmateco Augusto Monterroso, que tem apenas 37 letras:


Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Publico-o acompanhado de minha microcrítica: gostei.

Desenho de Murilo Silva
Original: EM, 29/09/2008

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O VIRUNDUM

O compositor Belchior, em sua última apresentação no programa do Jô Soares, andou muito cauteloso. Ao pronunciar as palavras "um analista amigo meu", quando "dava uma palinha" de sua música "Divina Comédia Humana", foi aquele esmero de empostação. A ponto de receber do apresentador do "Onze e Meia" os mais rasgados elogios (entre risos).
Ao apurar a sua pronúncia em “um analista amigo meu”, Belchior tentava evitar a ocorrência de um virundum. Um certo mal entendido (você sabe de qual estou falando) que esta expressão costuma suscitar. À maneira do que também acontece com a expressão "mas você que ama o passado (MAL-PASSADO)", em "Como nossos pais", que é outra música dele.
O virundum é um neologismo para palavras, expressões ou frases que, escutadas numa música, induzem os ouvintes a entender coisas diferentes (muitas vezes, jocosas). Aliás, o termo nem é tão "neo" assim, pois dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis, na época do Pasquim. Inspirado que foi no primeiro verso (O VIRUNDUM Ipiranga) do Hino Nacional, cuja letra é hors-concours nisso (do que terra MARGARIDA, verás que um FILISTEU não foge à luta etc).
O Hino da Independência, com o seu JAPONÊS TEM QUATRO FILHOS, é outro que apresenta o seu virundum.
Mas o melhor deles, a meu ver, está numa canção popular que faz referência a B.B. King, o lendário cantor e instrumentista de blues. Na passagem em que a citação de uma vitrola “tocando B. B. King sem parar” é confundida (por quem nunca ouviu falar no rei do blues) com... TROCANDO DE BIQUINI SEM PARAR.
Original: EM, 27/09/2008

A Espanha não quer o virundum
A notória dificuldade que o brasileiro tem de memorizar a letra do Hino Nacional poderia ter uma solução definitiva. Se tirássemos algum proveito daquilo que foi a experiência espanhola.
Com origem na "Marcha Granadera", de 1770 e cujo autor é desconhecido, El Himno Nacional de España jamais deixou o espanhol em situação vexatória.Não tem letra.
Nos 240 anos de existência desse hino, súditos que foram tomados de ardor cívico até tentaram pôr letras nele. Em vão escreveram. Nenhuma delas teve aceitação popular, nenhuma foi oficializada pelo governo espanhol.
porquenohoy.blogspot.com
E a Espanha não é atualmente o único país com... hino-sem-letra. Tem a companhia de San Marino e da Bosnia-Herzegovina nessa questão.
Original: EM: 21/02/2011

quarta-feira, 26 de março de 2014

O PASQUIM E A MPB

O bravo hebdomadário e a música popular brasileira por diversas vezes cruzaram-se nos caminhos.
Em 1970, Paulo Diniz compôs a música "Quero voltar pra Bahia" em homenagem a Caetano Veloso que, naquela época, se achava exilado em Londres. A música de Paulo Diniz, que tinha um refrão em inglês (I don't want to stay here / I want to go back to Bahia), numa de suas estrofes, fazia essa referência ao Pasquim:

"Via Intelsat eu mando
Notícias minhas para o Pasquim
Beijos pra minha amada
Que tem saudades e pensa em mim."

Ainda em 1970, o Pasquim brindava os seus leitores com o encarte de um mini-compacto em uma edição especial. Trazia esse mini-compacto duas músicas: no lado A, "Cosa Nostra", de Jorge Ben, e no lado B, "Coqueiro Verde", um samba de Roberto e Erasmo Carlos, numa gravação do Trio Mocotó. Nessa gravação, havia um momento em que a música era interrompida (à citação de "como diz Leila Diniz") para se ouvir um trecho de uma polêmica entrevista da musa do Pasquim. E a referência ao "velho pasca", em "Coqueiro Verde", encontrava-se na estrofe a seguir:

"Mas eu vou me embora
Vou ler meu Pasquim
Se ela chega e não me vê
Sai correndo atrás de mim."

Não tenho certeza se o Pasquim repetiu a fórmula do encarte de mini-compactos em outras edições. Mas, em 1982, ele lançou o disco "MPB Independente", que reunia alguns dos grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim ("Águas de Março"), Caetano Veloso ("A Volta da Asa Branca"), João Bosco ("Agnus Sei"), Fagner ("Mucuripe") e outros.
Mas foi em 1990 que aconteceu a grande homenagem à editora do "rato que ruge". Quando a Escola de Samba Acadêmicos da Santa Cruz desfilou no carnaval carioca com o enredo "Os Heróis da Resistência". Entoando o refrão do "Gip, gip, nheco, nheco", o nome da coluna do Ivan Lessa no Pasquim:

Gip, gip, nheco, nheco
Por favor, não apague a luz!
Goze desta liberdade
Nos braços da Santa Cruz.”

Sobre isso eu já falei na postagem de 4 de outubro de 2007 (no blog EntreMentes).
Original: EM, 13/09/2008

quarta-feira, 19 de março de 2014

ENTOMOFAGIA

Esta palavra significa: alimentar-se de insetos.
Há evidências de que o homem primitivo, antes de dominar as técnicas agrícolas, recorria a esse expediente para complementar a sua alimentação. Como ainda hoje faz o seu "primo" chimpanzé.
Na atualidade, mais de 1.200 espécies de insetos fazem parte do cardápio da humanidade. Principalmente dos povos e tribos que habitam algumas regiões da Ásia, Africa e América Latina.
O Brasil não está fora do hábito da entomofagia. Na Serra da Ibiapaba, no Ceará, por exemplo, há pessoas que destacam as "bundas" das formigas tanajuras (fêmeas aladas das saúvas, que aparecem em grande quantidade no início da estação chuvosa e que são capturadas) para fritá-las, misturá-las com farinha de mandioca e... comê-las.

Também acontece a ingestão de insetos de forma não intencional. Porque eles podem estar presentes, sem serem vistos a olho nu, em muitos dos alimentos que ingerimos. Acrescentando desse modo, com seus pequeninos corpos, proteínas e calorias às que já existem nos alimentos onde estão.
Infelizmente, alguns insetos ao serem ingeridos podem veicular doenças. Como o Mal de Chagas que pode ser transmitida pela ingestão do açaí, caso este alimento tenha sido triturado junto com o "barbeiro" infectado por T. cruzi.
Com a preocupação de evitar a transmissão de doenças, o Food and Drug Administration (EUA) elaborou uma lista de níveis máximos de insetos permitidos nos alimentos. Assim é que ficamos sabendo que, em cem gramas de chocolate, por exemplo, até 60 insetos (ou fragmentos deles) podem estar presentes e ser ingeridos sem que isso represente problema para a saúde humana.
No Vida e Arte onde obtive a imagem acima, do blogueiro Luciano Rocha, há uma seqüência de fotografias das tanajuras (hormigas culonas, na Colômbia) além de uma receita à base delas.
EM, 07/08/2008

quarta-feira, 12 de março de 2014

ADEREÇOS PESSOAIS

Não uso tiara, colar, pulseira, brincos e piercings.
Escapulário, nem pensar. Pendrive? Já pendurei um deles (de 1 giga) no pescoço, mas só foi um dia.
Diante desta minha barriga de prosperidade, a bolsa pochette também fica fora. Mas não descarto alguma adesão futura aos suspensórios.
Aliança? Permaneceu no dedo o tempo em que durou a festa de casamento. Fiz questão de perdê-la sem dó, mesmo sabendo o risco de ficar depois desinteressante aos olhos das mulheres.
E... tirei o meu anel de doutor para não dar o que falar.
Contudo, uso um par de óculos, por razões próximas e longínquas, e um relógio que atrasa (adianta?).
E só por estes últimos acessórios é que eu não tiro zero no quesito adereços (PGCS).


Original: EM, 14/07/2008

quarta-feira, 5 de março de 2014

RUMINANDO...

Entraram para a história da propaganda estes versos que Bastos Tigre fez para o Rhum Creosotado:
"Veja ilustre passageiro
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado
E, no entanto, acredite
Quase morreu de bronquite
Salvou-o o Rhum Creosotado.”
Eram lidos em “reclames” colocados nos bondes do Rio antigo. Vamos e venhamos que os versos publicitários de Bastos Tigre tenham ajudado a dar longa vida ao Rhum Creosotado, pois até hoje o tal xarope existe. Confira.
Ainda que o poeta, com planos literários mais altos, não gostasse de assumir a paternidade dos versos. Deixando sem graça o responsável por este Blog, que neles foi se inspirar para fazer a seguinte paródia:
Veja ilustre internauta
Que nem assunto me falta
Quando dão por confirmado
Que esse triste bagulho
Quase morreu num mergulho
Salvou-o um Pum arretado.

Original: EM, 04/02/2008

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CORDEIROS

Vendo a reportagem na televisão eu tomei conhecimento de que o carnaval baiano passa por uma dificuldade: recrutar cordeiros. Os cordeiros são aquelas pessoas contratadas pela organização dos blocos para garantir a segurança dos foliões pagantes. Fazendo o trabalho por meio de cordas que criam um espaço exclusivo para os foliões dos blocos, isolando estes dos chamados “pipocas”. Como lidam com cordas são conhecidos por cordeiros. Agora, porque não estão se apresentando para o trabalho desta temporada a explicação parece óbvia. O anúncio de diárias de apenas 20 reais para os cordeiros que estiverem dispostos a encarar o empurra-empurra da avenida.
Mas será que existe mesmo a ocupação de cordeiro?
Uma consulta on line na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego me mostra que a ocupação existe oficialmente.



Só que os cordeiros da CBO são de outro "rebanho". Pois pertencem ao grupo dos mantenedores de edificações, têm o código 9914-10 e são descritos como conservadores de fachadas. O que significa dizer que dependem de cordas para o trabalho, também.
Aliás, dependem das cordas para a vida.
Original: EM, 19/01/2008

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MINHA LUTA COM POPÓ

Não sei onde andava com o meu juízo quando resolvi desafiar o grande pugilista baiano para uma luta. Detentor de um cartel inigualável, Popó era (ainda é) um nome respeitadíssimo no mundo do boxe. Uma fortaleza humana com punhos que a tornavam inexpugnável. E, para dificultar as coisas, com um abdome protegido com cinturões de ouro.
Quanto a mim, algumas baratas nocauteadas em meu apartamento (com o chinelo) eram em que se resumia o meu currículo de lutador. E, aí já fora do currículo oficial, algumas “pernas pra que vos quero” de penosa recordação. Porém, por haver feito o tal desafio, resolvi não retroceder mais. As boas idéias não morrem nunca, a menos que estejam em cérebros de gladiadores.
Antes do encontro, numa tentativa de intimidá-lo (os lutadores sempre fazem isso!), deixei escapar algumas informações a meu respeito: idade (59) e os dados antropométricos (160 cm de altura, 70 kg de peso, 150 cm de envergadura). No entanto, astuciosamente, fiz sigilo de algumas morbidades pessoais, como a artrose nos dedos. Um aperto de mãos, antes da luta, poderia já acabar com ela. A luta, claro, já que essa artrose nunca teve jeito.
Acho que não funcionou esse ensaio de intimidação. Pois soube que Popó riu muito, muitíssimo ao receber dos segundos essas informações. E, a seguir, deu férias ao sparring e foi espairecer na Ilha de Comandatuba. Não sem antes comentar para o seu saco de pancadas como já vislumbrava a luta. “Não vai dar tempo para esse cara dizer soteropolitano”.
Devolvi-lhe a gentileza através de uma correspondência. Nela deixando claro que uma lutazinha qualquer não me afetaria nas propriedades silábicas. Eu diria, no calor da futura refrega, palavras até bem maiores. Após essa jactância toda, por via das dúvidas, interrompi o preparo físico para passar mais horas com o Aurélio e o Houaiss.
No íntimo, sabia que teríamos um enfrentamento rápido. Algo do tipo round único com perspectiva de acabar em morte súbita. Popó viria com os seus jabs, uppercuts e hooks. Era assim que ele demolia os adversários. Isso quando não incluía em seu repertório de pugilato alguns humilhantes cascudos. E todo um YouTube com vídeos do Popó passou a freqüentar a minha mente.
Por isso, eu decidi montar uma estratégia bem diferente. Não deixaria o Popó ter o controle da situação. Não deixaria o Popó chegar perto de mim. Pensando bem, não deixaria nenhum soteropolitano (pelo trauma psíquico que esta palavra já me causava) aproximar-se de minha frágil aura. E, o tempo todo, eu buscaria uma luta de resultados.
Pois foi exatamente o que eu fiz, quando levei essa luta para o Googlefight.


Original: EM, 30/11/2007

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

INVENTOS BRASILEIROS

O que deveria ser o maior de todos os nossos inventos, o avião, encontra-se sub judice. Devido a uma torpe ação movida pelos norte-americanos que, com a sua máquina publicitária invencível, “vendem” ao mundo a pipa dos Wright Bros. Anunciando-a como “o primeiro avião do mundo”.
Ah, é? Mas, no relógio de pulso, eles não tascam. Foi este relógio uma ideia que Santos Dumont, em boa hora, deu a Louis Cartier. E que coube ao relojoeiro francês a tarefa de transformá-la num objeto (dos mais úteis).
Sobre essa tradição brasileira de voar: não começou com o Pai da Aviação. Remonta a Bartolomeu de Gusmão, um padre jesuíta nascido em Santos, que projetou a Passarola. Um aeróstato aquecido a ar quente, com o qual o "padre voador" antecedeu os Montgolfier com seus balões.
Já a invenção do radio é creditada ao padre Landell de Moura, com as suas experiências de transmissão da voz humana a distância, feitas no final do século 19. Embora obtivesse as patentes, no Brasil e nos Estados Unidos, o padre não conseguiu o reconhecimento que merecia. Nem o financiamento necessário para produzir em escala industrial os seus equipamentos. Aliás, acusado de pacto com o diabo, o padre teve o dissabor de vê-los destruídos.
E esta nossa lista, recheada de padres-cientistas, ainda prossegue. Com o padre Azevedo, que inventou a máquina de escrever. É verdade que, com o surgimento das impressoras a jato de tinta, a máquina de escrever foi mais adiante desinventada. Como também desinventado foi o aparelho de abreugrafia, do médico Manuel de Abreu, após décadas de grande popularidade do invento.
Na área da moda, contribuímos com várias peças. O fio dental, por exemplo. Só que algumas delas aumentamos, mas não inventamos. Como os tais sapatos-plataforma, que a pequena Carmen Miranda criou para se tornar, sobre eles, ainda mais notável.
E, no futebol, registremos a jogada de Charles, a folha seca do Didi, os múltiplos disfarces para o jogador fugir da concentração, as placas luminosas (que anunciam as substituições dos atletas nas partidas) e o Hino Nacional cantado a cappella, digo, a stadium. Pois bem, até quando metemos as mãos pelos pés somos criativos, como fomos ao criar o futevôlei.
Além de tudo, quantos gadgets foram inventados aqui no Brasil! Aí estão o bina, o walkman e a urna eletrônica que não nos deixam mentir. O escorredor de arroz, o orelhão do telefone e o lacre de segurança de plástico. Também aí estão a caipirinha que, segundo o historiador português Alexandre Borges, foi a única contribuição positiva de Dona Carlota Joaquina ao Brasil e o trio elétrico, atrás do qual "só não vai quem já morreu".
E, last but not least, o cheque pré-datado.
Original: EM, 16/11/2007

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

COMEDORES DE CARANGUEJOS

Hoje é quinta-feira. À noite, chova ou faça lua, milhares de fortalezenses invadirão as barracas da Praia do Futuro com um propósito firme: comer caranguejos. Juntar-se-ão aos invasores locais um grande número de turistas, ansiosos por participarem deste arraigado costume da terra.
Nesses restaurantes, os caranguejos cozidos em leite de coco vêm servidos em bacias, acompanhados por uma porção de farofa. E, para romper a blindagem natural dos crustáceos (já que a fervura no panelão não consegue isso), nossos crabs’ eaters (comedores de caranguejos) recebem uns pauzinhos roliços. Com os quais se põem a quebrar as patas dos crustáceos em busca de suas tenras carnes.
Não há como os caranguejos possam lutar contra essa maré humana. Que tem dia certo da semana para acontecer, em Fortaleza. É a quinta-feira, como já disse. Pois, neste dia, a sanha para comê-los é tanta que muitos dos crabs’ eaters não conseguem esperar até a noite chegar. Em seus locais de trabalho, com o que têm à mão, e já começam furiosamente a martelar no juízo dos caranguejos.


- Que entrem os caranguejos!
Original: EM, 25/10/2007

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O FLANELINHA

Dessa galeria de personagens típicos do Ceará em que já figuram o jangadeiro, o boiadeiro e a mulher rendeira, passou a fazer parte o flanelinha. Sem o charme de um traje característico que o identificasse, recorreu o novo personagem típico da região a uma flanela para ser identificado. Obtendo tal sucesso com o recurso que, em virtude disso, ganhou o já citado apelido genérico.
Sabe-se que há dois tipos básicos de flanelinha: o de semáforo, que tem a proposta de limpar o seu carro em questão de segundos, e o de estacionamento, cuja religião o proíbe da nefanda prática. A este segundo tipo, cabe apenas “pastorar” o veículo até que o dono retorne. Não sendo incluído em seu serviço que vá oferecer resistência a ladrões.
Para o flanelinha não existe essa coisa de local ermo. Em qualquer via pública onde pelo menos um carro puder ser estacionado, haverá sempre um flanelinha a postos. E haverá vários deles, quando o carro for sair. Contrariando o lema de que o flanelinha “trabalha” com um olho no carro e outro na concorrência.
Por fim, entre o dono do carro e o flanelinha, existe uma espécie de acordo tácito. O dono, ao voltar, recebe o carro sem arranhões, sem pneus murchos, e o flanelinha então é pago. Acertar depois e sair de mansinho são consideradas más práticas. Que podem arranhar ou fazer murchar esse acordo, mais adiante.

Ilustração: Laerte
Original: EM, 13/10/2007

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

LADOS

Algumas reflexões sobre o importante assunto:
Tudo tem lados. E o avesso está aí para não deixar haver exceção.
Os pólos também são lados, só que radicais.
No tempo do LP havia o lado B, que ninguém ouvia. Foi o CD – que não tem A nem B – que acabou com esse déficit de audição.
A fatia de pão tem dois lados. Com relação à manteiga: um é com, outro é sem. Mas, quando a fatia cai no chão, é sempre com o lado com. Pesquisadores estudam.
Eles também estudam porque a barata ao morrer é monótona. Na escolha do lado que vai mostrar no velório.
O rio – com seus dois lados. E Guimarães Rosa ainda falava de uma terceira margem.
A lua –com seu lado escuro. Às claras, depois que a ciência espacial fez a devassa.
E, para finalizar estas reflexões, aqui cabe um pensamento de um guru local, Augusto Pontes:
"Estou do seu lado, mas não me olhe de banda."

Original: EM, 09/10/2007

Por que você sempre encontra as baratas mortas com a barriga para cima?
Em ambientes domésticos, na maior parte das vezes, a morte das baratas se dá por envenenamento.
Mais comumente por inseticidas à base de substâncias inibidoras da colinesterase. Em circunstâncias normais, esta enzima é responsável por quebrar um neurotransmissor natural chamado acetilcolina. Sem nada para eliminá-lo do corpo, a acetilcolina se acumula no sistema nervoso com efeitos neurotóxicos. No caso das baratas, causa espasmos musculares violentos no abdômen e nas pernas, que normalmente as deixam de barriga para cima. Uma vez nesta posição, o solo liso e a falta de coordenação motora causada pelo veneno fazem com que o animal se mantenha nessa postura até a sua morte.
Imagem: nytimes.com
Original: EM, 17/12/2019

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

SEM JUSTA CAUSA

Leiam:
Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007
"Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1° - Fica demitido o gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário."
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º. da República e 48º. de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA

Sr. Governador:
O gerúndio, esta simpática forma nominal do verbo, não é algo que se demita ad nutum. Pois integra, desde tempos imemoriais, o patrimônio oral do povo brasileiro e como tal deve ser respeitado (não digo cultuado). O que o senhor fez, com a publicação desta lei, foi exercitar o seu pensamento mágico. E mostrar que, com essa confusão de significado com significante, não é lá tão esperto assim. Haja vista que demite o gerúndio... para não dispensar os seus auxiliares considerados ineficientes. Talvez fosse o caso de o senhor procurar algum burgo em Portugal (onde as pessoas usam o infinitivo no lugar do gerúndio) para o início de uma nova governadoria. Sem preocupações desta espécie.
Quanto à sua famigerada lei, VAMOS ESTAR PROVIDENCIANDO o envio para ser também publicada no Febeapá, em uma edição revisada e atualizada do livro.
Fortaleza, 2 de outubro de 2007
2º. do Blog do PG
PAULO GURGEL
Original: EM, 02/10/2007

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

BICHOS SE APRESENTANDO

Cão: para latir ao passar a caravana.
Gato: para caçar no lugar do cão.
Rato: para folgar durante a folga do gato.
Macaco: para continuar no respectivo galho.
Coelho: para dividir com outro uma cajadada.
Burro: para pensar até morrer.
Boi: para andar adiante do carro.
Andorinha: para fazer verão em grupo.
Galo: para fazer o sol nascer.
Onça: para ser amiga de todo mundo.
Homem: para ser o lobo de outro (homem).
Original: EM, 25/09/2007

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

E POR FALAR EM SILÊNCIO

Não sei se os antigos romanos contavam com alguma divindade para acudir a loquacidade. Tinham-na para o silêncio, uma deusa chamada Tácita (conforme lembrou Airton Soares em seu blog, recentemente). O que me leva a crer que os povos antigos da península itálica não viam as mulheres como seres tagarelas. Ressalvada a hipótese de que, com uma representante feminina do silêncio no panteão de suas divindades, não passasse tudo de uma ironia dos romanos.
O fato é que Tácita não pertence a nossos altares. Partiu há séculos, sem dar um pio, para ir fazer parte da memória mitológica da humanidade. Restando, porém, de sua influência em nosso idioma, o legado de umas poucas palavras. Como os adjetivos "tácito" e "taciturno".


Acima, uma imagem da deusa Tácita esculpida em mármore de Carrara.
Abaixo, alguns pensamentos selecionados em homenagem a ela.

“O silêncio é o único amigo que jamais trai.” (Confúcio)
“É melhor seres rei de teu silêncio que escravo de tuas palavras.” (Shakespeare)
“Manejar o silêncio é mais difícil que manejar a palavra.” (Clemenceau)
“Se o que vais dizer não é mais belo que o silêncio: não o digas.” (provérbio árabe)
“Em virtude da palavra, o homem é superior ao animal; pelo silêncio, ele se supera a si mesmo.” (Masson)
"É melhor ficar calado e parecer estúpido do que falar e acabar com todas as dúvidas." (Mark Twain)
Original: EM, 22/08/2007

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SÍSIFO REVISITADO

Na mitologia grega, Sísifo era filho do rei Éolo. Por astúcias cometidas, foi condenado por Zeus a levar uma rocha até o alto de uma montanha. Eternamente, pois toda a vez que o topo da montanha era quase alcançado, a rocha rolava de volta ao ponto de partida. O que obrigava o condenado a ficar repetindo a sua escalada com a rocha, ad aeternum.
Nos dias de hoje, estaria cumprindo alguma pena alternativa. Como:

malhar em ferro frio
dar nó em pingo d’água
escovar urubu até ficar branco
chupar parafuso até virar prego
enxugar gelo com toalha quente
procurar agulha em palheiro
carregar mala sem alça
embrulhar velocípede
dar murro em ponta de faca
descascar abacaxi com o nariz
cercar capote em campo aberto
botar suspensório em cobra
pingar colírio em olho de chinês
subir em pau de sebo
massagear porco-espinho
trocar pneu com o carro andando
devolver pasta de dente para o tubo
abanar carvão molhado em churrasco
montar touro mecânico até cansar (o touro)
etc

Pensando bem, não seria o caso de Sísifo abreviar o nome para Sifu?
Original: EM, 10/08/2007

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NULLA DIES SINE LINEA

"Nenhum dia sem uma linha (ou traço)."
O lema atribuído por Plínio, o Velho, ao jovem pintor Apeles. Porque Apeles não aceitava a idéia de passar um único dia sem trabalhar.
Bem, com estas eu já fico para lá de quite com o meu blog, hoje.
Apesar de que ainda tem mais.

Apeles era o pintor oficial de Alexandre o Grande. Neste quadro de Tiepolo, de 1740, ele aparece retratando Campaspe, a concubina favorita de Alexandre.
Notem o ar entediado de Alexandre com relação à concubina. Em contraste com o profundo interesse do jovem pintor por Campaspe (muito além do que o trabalho deveria exigir).
Pois é, Alexandre não foi grande só no nome. E logo passou a pequena para os cuidados afetivos de Apeles.
Original: EM, 25/07/2007
Nulla dies... (em outras línguas)
Not a day without a line.
Ningún día sin una línea.
Pas un jour sans une ligne.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TANTO NÃO

Imagine:
A história de um glutão que, por haver cedido à tentação de comer o que não devia, infringiu as regras de um spa e passou a temer o pior.

Tanto Não

.....................Paulo Gurgel

Foi bonita a festa, spa
Fiquei contente
Inda guardo pro meu dente
Uma fatia do pudim.

Já “micharam” minha bóia, spa
Não foi bacana
Pois sobrava uma banana
Com canela para mim.

Sei que há dieta a me cercear
Tanto não, tanto não
Sei que aqui não é possível, spa
Comer pão, macarrão...

Comi canapés, spa
Saí do sério
Resta o cemitério
Se eu encaro esse alfinim.

Para ver a letra (Tanto Mar, de Chico Buarque) que motivou a paródia, clique aqui. E para ouvir a música, também.
Original: EM, 24/07/2007

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

LUTAR CONTRA A AIDS

Há cerca de vinte anos cometi esta trova:

Lutar contra a AIDS
É a luta mais vã
Mal hoje curamos
A febre terçã.



Uma paródia de versos célebres de Drummond. Compus esta trova, possivelmente, num momento de desencanto com a profissão que um dia abracei. Nenhum médico está livre desse sentimento, quando dá conta de suas limitações. E, no caso da AIDS (SIDA, para a turma do Obvious), por exemplo, sobravam os motivos. Naquela época, fazer esse diagnóstico era como emitir uma sentença de morte.
Felizmente, os homens da ciência não foram nessa. E debruçaram-se sobre seus ensaios clínicos, indiferentes ao pessimismo dos poetas (cujos humores, por sinal, oscilam muito). Resultando disso que muitas drogas foram descobertas. Medicamentos que, quando associados, maximizam-se os resultados terapêuticos.
É verdade que ainda não se tem uma solução definitiva para a AIDS, mas a seus portadores já se oferece uma boa sobrevida – com qualidade!
Original: EM, 04/07/2007