quinta-feira, 30 de abril de 2026

RICARDO BACELAR

Ontem (15/03/2017), à noite, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, aconteceu a solenidade de instalação da Academia Cearense de Direito - ACED. Nesta data, completavam-se os 139 anos da morte do romancista e jurista de escol José de Alencar, escolhido pelos fundadores da Academia para ser o patrono perpétuo da nova entidade.
No referido evento, aconteceram também a posse de sua diretoria, a qual será presidida nos próximos cinco anos por  Roberto Victor Pereira Ribeiro, a posse e a diplomação de 36 acadêmicos, e a diplomação de 16 sócios correspondentes e seis sócios honorários.
A nova arcádia traz em seus estatutos a importância de se cultuar a responsabilidade social dos juristas que a compõem, fazendo com que uma vez por mês a ACED vá a uma escola pública para ministrar noções de direito do consumidor, direito civil, direito ambiental e direito do trabalho. Outra novidade e ponto de convergência da entidade é o funcionamento da Escola Cearense de Direito no interior da Academia, fato inovador em plagas bevilaquianas. A ACED ministrará cursos jurídicos mais distantes das searas universitárias, como por exemplo, direito canônico, irradiando, assim, o ensino e o conhecimento jurídico em nossas terras.
A ACED, que será certamente motivo de orgulho para os cearenses, tem como patrono da cadeira 22 o advogado LUIZ CARLOS DA SILVA, pai deste blogueiro. O membro titular da Academia que ocupará esta cadeira é o advogado e músico Ricardo Bacelar, que aqui aparece, logo após o término da solenidade, ladeado por vários membros de nossa família nos jardins do Theatro José de Alencar.
Publicado em 16/03/2017

A criação de música erudita com inspiração em popular foi muito usado por Villa-Lobos, como "Cantiga de Caicó" (Ô mana deixa eu ir) que era do domínio popular e o inspirou para uma das suas Bachianas.
Neste vídeo, em magistral interpretação (voz e piano) de Ricardo Bacelar.


Bacelar: entre a ária e o árido
"Vento soprando sobre montanhas de pedras, num filme em preto e branco. Na sequência, as primeiras notas musicais e as cores surgindo. Assim começa o vídeo da canção “Oh Mana Deixa Eu Ir”, uma composição de Heitor Villa-Lobos, Milton Nascimento e Teca Calazans. A canção fala de sertão, de solitude. Nesse contexto entre o árido e o sensível, escolhemos como cenário os monólitos de Quixadá, em pleno sertão cearense." ~ Ricardo Bacelar, advogado e músico cearense
Publicado em 07/2019 (Blog EM)

"Qual é seu sonho de Natal?"
Agora, Bacelar lança o single "Festa de Natal" com Raimundo Fagner (no vídeo). Trata-se de uma letra original dele e de Manoela, sobre um pot-pourri de três músicas americanas clássicas de Natal, com a participação de suas filhas Maria e Sara.
Publicado em 12/2023 (Linha do Tempo)

"Bye bye, Brasil"
Música e letra de Roberto Menescal e Chico Buarque.
Gravação em VÍDEO por Leila Pinheiro, Roberto Menescal, Diogo Monzo e Ricardo Bacelar.
Publicado em 10/2024 (Linha do Tempo)

segunda-feira, 30 de março de 2026

ESTUDANTES DE MEDICINA COMPOSITORES DO BRASIL

1 Noel Rosa
Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937). Nascido no bairro carioca de Vila Isabel, foi um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro ("Último desejo", "Com que roupa?", "Feitiço da Vila", "Pierrô apaixonado", "Conversa de botequim", "O orvalho vem caindo" e outras). Noel Rosa também compôs um samba e escreveu um soneto nos quais fez referências ao corpo humano e a uma enfermidade: "Coração (Samba anatômico)" e "Ao meu amigo Edgar", respectivamente.
"Coração"
"De sambista brasileiro / Quando bate no pulmão / Traz a batida do pandeiro."
http://www.youtube.com/watch?v=dZg-yexpGVw
Gravado por Noel na Odeon, em 1932, disco 10931-B, matriz 4473, foi feito um ano antes, quando ele estudava Medicina, com um erro crasso. Ao afirmar: "Coração, grande órgão propulsor / Transformador do sangue venoso em arterial". Em 1955, Nélson Gonçalves o regravou com a letra corrigida para: "distribuidor do sangue venoso e arterial".
http://youtu.be/9-HT_JXHUVk (regravação)
"Ao meu amigo Edgar"
Em 27 de janeiro de 1935, Noel Rosa, doente (com tuberculose) em Belo Horizonte, enviou uma carta em versos a seu médico e amigo Edgar Graça Mello. Uma carta bem-humorada em que ele brincava e dizia que já estava melhor de saúde, mas que continuava com muito medo de tomar injeção. O original desta carta está nos arquivos que pertenceram ao pesquisador Almirante. Muito tempo após a morte de Noel, o sambista João Nogueira musicou-a, incluindo-a em seu LP "Vida boêmia" (EMI-Odeon, 1978).
Fonte: Songbook NOEL ROSA - Vol. 1, produzido por Almir Chediak.
"Já apresento melhoras pois levanto muito cedo / E deitar às nove horas pra mim já é um brinquedo / A injeção me tortura e muito medo me mete Mas minha temperatura não passa de 37. Nessas balanças mineiras de variados estilos / Trepei de varias maneiras e pesei 50 quilos / Deu resultado comum o meu exame de urina / Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina. / Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro / Pois não há material pro meu exame de escarro. / Até agora só isto para o bem dos meus pulmões / E nem brincando desisto de seguir as instruções. / Que o meu amigo Edgard arranque desse papel / O abraço que vai mandar o seu amigo Noel." 
http://blogdopg.blogspot.com/2017/08/ao-meu-amigo-edgar.html
N. do E. "Cordiais saudações", de 1931, é outro samba-epistolar de Noel Rosa.
2 Belchior
Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946 - 2017), nascido em Sobral, no Ceará, foi compositor, cantor, escritor e artista plástico. Estudou Medicina na Universidade Federal do Ceará, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Entre seus maiores sucessos estão "Apenas um rapaz latino-Americano", "Como nossos pais", "Paralelas", "Mucuripe" (com Fagner), "Galos, noites e quintais" e "Divina Comédia Humana".
http://gurgelcarlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html>
3 Zé Ramalho
José Ramalho Neto (1949), cantor e compositor. Nascido em Brejo da Cruz, na Paraíba, estudou medicina na Universidade Federal da Paraíba, mas abandonou o curso no segundo ano, atraído pela carreira artística. É autor de "Avôhai", "Sinônimos", "Chão de giz", "Frevo Mulher" e outros sucessos musicais.
4 Tenório Jr.
Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.
“A memória, quando bem guardada, não desaparece." (Ruy Castro)
Brasil247.com

MÉDICOS COMPOSITORES DO BRASIL

1 Zé Dantas
José de Sousa Dantas Filho (1921 - 1962), pernambucano de Carnaíba, médico obstetra e folclorista. Parceiro de Luiz Gonzaga em "Acauã", "Forró de Mané Vito", "Cintura fina", "Riacho do Navio", "A Volta da Asa Branca", "Xote das meninas", "Sabiá", entre outras canções.
2 Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa (1908 – 1967), nascido em Cordisburgo, MG, médico, diplomata, poliglota e escritor. Uma de suas incursões em letras de música foi por intermédio de Dulce Nunes (o Nunes como sobrenome dela veio do marido, o pianista Bené Nunes), a compositora para quem Rosa entregou 15 letras, das quais 4 foram logo musicadas por ela. O disco foi lançado em 1968 pela gravadora Philips, contando com as participações especiais de Nara Leão, Edu Lobo, Gracinha Leporace, Joyce e o conjunto vocal Momento Quatro, além de arranjos de Luiz Eça, Oscar Castro Neves, e de Egberto Gismonti, como arranjador e multi-instrumentista (violão e piano). Influências também são apontadas da obra (literária) de Guimarães Rosa sobre a obra (musical) de Tom Jobim, sobretudo em seus discos autorais “Matita Perê” (1973) e “Urubu” (1975).
3 Alberto Ribeiro
Alberto Ribeiro da Vinha (1902 - 1971), nascido no Rio de Janeiro. Compôs, em parceria com João de Barro, o "Braguinha", algumas da mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil. São de sua autoria: "Copacabana, princesinha do mar", "Yes, nós temos bananas", "Touradas em Madrid" e "Chiquita Bacana". Ele é nome de rua no Jardim Botânico, RJ.
4 Joubert de Carvalho
Joubert Gontijo de Carvalho (1900 - 1977), mineiro de Uberaba. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", gravada pela jovem Carmen Miranda, em 1930. Compôs também "Minha casa", "Pierrot", com Paschoal Carlos Magno, e "Maringá", que inspirou o nome da cidade paranaense.
5 Heitor
Heitor Catunda Gondim (1920 - 1992) nasceu em Fortaleza-CE. Concluiu sua graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Recife-PE. Aprendiz de pintor, poeta e compositor, inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil, seção do Ceará. Em 1980, classificou no Festival Crédimus da Canção, realizado em Fortaleza, a canção "Esquece essa dor", que ele compôs em parceria com o violonista Aleardo Freitas, um dos criadores do balanceio, um ritmo genuinamente cearense. Heitor foi incluído no "Projeto Médicos Escritores Cearenses", organizado em 2024 por Marcelo Gurgel.
6 Paulo Vanzolini
Paulo Emílio Vanzolini (1924 - 2013) nasceu em São Paulo. Formado pela USP, com doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard, tornou-se médico em 1947. Seu primeiro LP: "11 Sambas e uma Capoeira". Em seguida, foi com "Ronda", "Volta por cima", "Samba erudito e "Praça Clóvis" que este descendente de italianos firmou o nome na MPB.
7 Max Nunes
Max Newton Figueiredo Pereira Nunes (1922 - 2014), nascido no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Foi ator, escritor de humor e roteirista. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina (hoje UFRJ), trabalhou como médico cardiologista até os anos 1980. Na Rádio Nacional criou o programa “Balança Mas Não Cai”, que ganhou versões para o cinema, o teatro e a TV. Compôs "Hino à Vida", com Vicente Paiva, e a marcha-rancho "Bandeira Branca", com Laércio Alves, que foi gravada por Dalva de Oliveira, Peri Ribeiro, Altemar Dutra, Martinho da Vila e outros intérpretes.
8 Aldir Blanc
Aldir Blanc Mendes (1946 - 2020), carioca do Estácio, médico psiquiatra. Com João Bosco, seu principal parceiro, compôs "O Bêbado e A Equilibrista", "Dois pra lá, dois pra cá", "Transversal do tempo", "Mestre-Sala dos Mares" etc. Foi colaborador de "O Pasquim", do jornal carioca "O Dia" e de "O Estado de São Paulo". Publicou alguns livros, dentre eles "Rua dos Artistas e arredores", “Brasil passado a sujo", "Vila Isabel" e "Inventário da infância". 
9 Janduhy Finizola
Janduhy Finizola da Cunha (1931 - 2024), natural de Jardim do Seridó-RN. Publicou livros de poesia e compôs canções para grandes nomes do forró. Seu trabalho musical mais famoso é a trilha da "Missa do vaqueiro", solicitada por Luiz Gonzaga, que o apelidou de "Doutor do baião"
10 Capinam
José Carlos Capinam (1941), baiano de Entre Rios, é formado em artes cênicas, direito e medicina. Ligado ao Movimento Tropicalista, Capinam escreveu as letras de "Soy loco por ti, America", de Gilberto Gil, "Clarice", de Caetano Veloso, e "Gotham City", de Jards Macalé. Também compôs "Ponteio", com Edu Lobo, "Coração Imprudente", com Paulinho da Viola, "Moça Bonita", com Geraldo Azevedo, "Papel Marchê", com João Bosco e "Cidadão", com Moraes Moreira. É imortal da Academia de Letras da Bahia.
11 Drauzio Varella
Antônio Drauzio Varella (1943), nascido em São Paulo-SP é médico oncologista, escritor, divulgador de ciência (rádio, TV e internet). Também é um compositor de sambas e choros, mas atua nesse meio de forma amadora e em rodas de amigos. Diferente de um compositor profissional, ele não tem um "catálogo" de sucessos conhecidos pelo grande público. Suas composições são registradas principalmente em discos independentes e projetos pessoais. Para citar exemplos verificáveis de músicas compostas por ele: no álbum "Roda de Samba do Drauzio Varella" (2007), existem músicas de sua autoria, como: "Pressentimento" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); "Mais uma Vez" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); em outro projeto, "Banda Alameda" (onde ele toca violão), ele compôs a música "Choro da Alameda".
12 Dalto
Dalto Roberto Medeiros (1949), nascido na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro. Médico anestesiologista, deixou o exercício da profissão médica para seguir a carreira de compositor/cantor, após o sucesso alcançado com a canção "Muito Estranho" (Cuida bem de mim). É também autor de "Anjo" e Espelhos d'Água". Continua compondo e fazendo shows. 
13 Geraldo Bezerra
Geraldo Bezerra da Silva (1949), cearense de Jaguaribe, médico obstetra, escritor e pesquisador. Foi presidente da Sobrames, regional Ceará, sucedendo-me neste cargo. Autor de "Volta, Luiz" (com José Carlos e Zé de Manu) e "Verdade absoluta" (com José Carlos), título de um LP de José Carlos Albuquerque.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

QUE ANIMAL PODE CORRER MAIS TEMPO SEM PARAR?

É o homem.
Em geral, os animais não conseguem correr por muito tempo devido a adaptações fisiológicas específicas que priorizam a velocidade máxima em curtos períodos (para caça ou fuga rápida), em vez da resistência de longa distância. Poucos animais têm sistemas fisiológicas que os façam perder o calor gerado por um esforço físico intenso (principalmente a capacidade de suar).
Dean Karnazes é um ultramaratonista americano muito famoso por sua resistência em corridas. Só para ter uma ideia de sua capacidade, frequentemente, ele participa de provas de 200, 250 e até 300 quilômetros de corrida. Em 2006, ele fez um projeto chamado "50 maratonas em 50 dias", onde correu uma maratona todos os dias (42 km), durante 50 dias, uma em cada estado americano. Este projeto virou até livro ("50 Maratonas em 50 Dias: O Que Aprendi Correndo").
Cientistas, querendo entender o limite de Karnazes, propuseram fazer um estudo com ele. O atleta deveria correr, sem parar (sem parar mesmo) o máximo de tempo que conseguisse até atingir o seu limite. Karnazes conseguiu correr por 81 horas seguidas! Algo equivalente a começar a correr na quinta-feira, às 8h da manhã e terminar no domingo, às 17h. Após percorrer mais de 500 km, ele parou, mas não porque cansou, mas porque estava começando a ter alucinações devido à falta de dormir.
Alguém pode perguntar: "E a corrida homem x cavalo?" 
Bem… apesar das capacidades de corridas em longas distâncias de um cavalo, um homem bem preparado, ainda assim, poderia ganhar de um cavalo.
Anualmente, na cidade galesa de Llanwrtyd Wells, desde 1980, ocorre uma corrida chamada “Man Vs Horse Marathon”. A prova tem um percurso de 34 quilômetros (apesar do nome "Maratona"), na qual atletas a pé disputam com cavaleiros em um trajeto que combina trechos de estradas, trilhas e terrenos montanhosos.
De 1980 a 2025, a corrida homem x cavalo já teve 34 edições. Os corredores a pé venceram em 5 anos: 2004, 2007, 2022, 2024 e 2025.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

SERENDIPIDADE

se.ren.di.pi.da.de (do inglês serendipity), ato ou capacidade de encontrar coisas boas por mero acaso, sem previsão. É a palavra menos usada na língua portuguesa. Está no Michaelis, no Priberam e na Wikipédia, mas é quase só usada pela Folha de SP.
"A descoberta foi produto da serendipidade."
Folha de S.Paulo, 15/02/2012
"Significa também a sobrevivência da 'serendipidade', a qualidade de fazer descobertas de outros fatos e temas por acaso, característica do leitor do jornal impresso."
Folha de S.Paulo, 10/12/2012
"Ela vê o fato como positivo: 'A serendipidade [dom de encontrar coisas úteis por acaso] das notícias no Facebook pode ampliar a sua importância como fonte de informação, especialmente entre os que não seguem as notícias com afinco'."
Folha de S.Paulo, 25/10/2013
A história de Benedictus
A descoberta é inevitável ou acidental?
In: Nautilus
No início dos anos 1900, um químico francês (também artista e decorador), Edouard Benedictus, sofre um acidente banal no laboratório: ele deixa cair um frasco. Só que, dessa vez, ele não se estilhaça. Os pedaços de vidro permanecem grudados, como um mosaico. Intrigado, Benedictus se aprofunda e percebe que havia um colódio dentro do frasco, que, uma vez evaporado, havia se depositado na superfície do vidro como uma película e estava mantendo os pedaços de vidro juntos. Ele havia inventado, sem saber, o vidro inquebrável (laminado). Mas ele o colocou dentro de um armário e só o recuperou mais tarde, quando o mercado de automóveis criou o problema para o qual ele já havia encontrado a resposta — como se a invenção fosse a mãe da necessidade, e não o contrário.
Tais momentos de serendipidade revelam a natureza imprevisível da inovação. No entanto, mesmo em casos onde o acaso desempenha um papel, como na história de Benedictus, a questão mais ampla permanece: tais descobertas realmente nasceram da sorte, ou estavam de alguma forma "no ar", esperando que a pessoa certa as aproveitasse?
Foi criada pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754, a partir do conto persa infantil "Os três príncipes de Serendip". Esta história de Walpole conta as aventuras de três príncipes do Ceilão, atual Sri Lanka, que viviam fazendo descobertas inesperadas, cujos resultados eles não estavam procurando realmente. Graças à capacidade de observação e à sagacidade deles, descobriam "acidentalmente" a solução para dilemas impensados. Esta característica tornava-os especiais e importantes, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.
"Os três príncipes de Serendip"
É verdade que, procurando uma coisa, você talvez encontre outra. E o grande foco da serendipidade está aí. Mas, veja, é preciso procurar.
O uso do termo foi retomado com o costume de navegar pelos hiperlinks em textos da Internet,que nos levam a encontrar mais coisas do que procurávamos no início.
Pensamentos ao acaso, porém relacionados
"O acaso só favorece a mente preparada." ~ Louis Pasteur
"O nome do maior dos inventores: acaso." ~ Mark Twain
"Os acasos são tão frequentes que mudam a história de um jogo, de um campeonato e das nossas vidas." ~ Tostão