segunda-feira, 30 de março de 2026

ESTUDANTES DE MEDICINA COMPOSITORES DO BRASIL

1 Noel Rosa
Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937). Nascido no bairro carioca de Vila Isabel, foi um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro ("Último desejo", "Com que roupa?", "Feitiço da Vila", "Pierrô apaixonado", "Conversa de botequim", "O orvalho vem caindo" e outras). Noel Rosa também compôs um samba e escreveu um soneto nos quais fez referências ao corpo humano e a uma enfermidade: "Coração (Samba anatômico)" e "Ao meu amigo Edgar", respectivamente.
"Coração"
"De sambista brasileiro / Quando bate no pulmão / Traz a batida do pandeiro."
http://www.youtube.com/watch?v=dZg-yexpGVw
Gravado por Noel na Odeon, em 1932, disco 10931-B, matriz 4473, foi feito um ano antes, quando ele estudava Medicina, com um erro crasso. Ao afirmar: "Coração, grande órgão propulsor / Transformador do sangue venoso em arterial". Em 1955, Nélson Gonçalves o regravou com a letra corrigida para: "distribuidor do sangue venoso e arterial".
http://youtu.be/9-HT_JXHUVk (regravação)
"Ao meu amigo Edgar"
Em 27 de janeiro de 1935, Noel Rosa, doente (com tuberculose) em Belo Horizonte, enviou uma carta em versos a seu médico e amigo Edgar Graça Mello. Uma carta bem-humorada em que ele brincava e dizia que já estava melhor de saúde, mas que continuava com muito medo de tomar injeção. O original desta carta está nos arquivos que pertenceram ao pesquisador Almirante. Muito tempo após a morte de Noel, o sambista João Nogueira musicou-a, incluindo-a em seu LP "Vida boêmia" (EMI-Odeon, 1978).
Fonte: Songbook NOEL ROSA - Vol. 1, produzido por Almir Chediak.
"Já apresento melhoras pois levanto muito cedo / E deitar às nove horas pra mim já é um brinquedo / A injeção me tortura e muito medo me mete Mas minha temperatura não passa de 37. Nessas balanças mineiras de variados estilos / Trepei de varias maneiras e pesei 50 quilos / Deu resultado comum o meu exame de urina / Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina. / Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro / Pois não há material pro meu exame de escarro. / Até agora só isto para o bem dos meus pulmões / E nem brincando desisto de seguir as instruções. / Que o meu amigo Edgard arranque desse papel / O abraço que vai mandar o seu amigo Noel." 
http://blogdopg.blogspot.com/2017/08/ao-meu-amigo-edgar.html
N. do E. "Cordiais saudações", de 1931, é outro samba-epistolar de Noel Rosa.
2 Belchior
Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946 - 2017), nascido em Sobral, no Ceará, foi compositor, cantor, escritor e artista plástico. Estudou Medicina na Universidade Federal do Ceará, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Entre seus maiores sucessos estão "Apenas um rapaz latino-Americano", "Como nossos pais", "Paralelas", "Mucuripe" (com Fagner), "Galos, noites e quintais" e "Divina Comédia Humana".
http://gurgelcarlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html>
3 Zé Ramalho
José Ramalho Neto (1949), cantor e compositor. Nascido em Brejo da Cruz, na Paraíba, estudou medicina na Universidade Federal da Paraíba, mas abandonou o curso no segundo ano, atraído pela carreira artística. É autor de "Avôhai", "Sinônimos", "Chão de giz", "Frevo Mulher" e outros sucessos musicais.
4 Tenório Jr.
Francisco Cerqueira Tenório Jr., pianista e arranjador Nascido em Laranjeiras, Rio de Janeiro, em 4 de julho de 1941. Cursou (mas não concluiu) a Faculdade Nacional de Medicina, enquanto se dedicava paralelamente ao estudo do piano. Em março de 1964, gravou o LP “Embalo” de 11 faixas, dentre as quais 5 eram autorais. Tocando nas sessões do "Little Club", Tenorinho, como era conhecido na época, foi um dos nomes catapultados pelo "Beco das Garrafas" (verdadeiro laboratório de experimentações instrumentais) para se tornar, nos anos 1970, um dos profissionais mais requisitados pelos artistas brasileiros (Leny Andrade, Wanda Sá, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Gal Costa, Joyce, entre outros). Na noite de 18 de março de 1976, quando acompanhava numa turnê os artistas Vinicius de Moraes e Toquinho, o pianista desapareceu misteriosamente em Buenos Aires. Tinha sido sequestrado por agentes da repressão daquele país com o aval do Estado brasileiro (Operação Condor). Durante muitos anos, sua história foi envolta em incerteza, até que, 49 anos depois, a Polícia Técnica da Argentina relacionou suas impressões digitais com as de alguém que foi executado naquele período. Esta descoberta trouxe um alívio para os familiares de Tenório, que, finalmente, souberam o que realmente aconteceu com ele. Apesar de não ter qualquer envolvimento com movimentos políticos, confundido com outra pessoa, Tenório foi sequestrado, supliciado e morto. Ao morrer, deixou quatro filhos e a esposa Carmen Cerqueira, então grávida de oito meses. Na época, ele tinha 35 anos, e a quinta criança nasceu um mês depois. Logo após o sumiço de Tenório Jr. o cineasta Rogério Lima produziu o curta-metragem de 16 mm, "Balada para Tenório", em que relata o desaparecimento de Tenório Jr. e entrevista seus familiares e amigos. Toquinho dedicou-lhe a música “Lembranças” e Elis, em 1979, dedicou à ausência de Tenório seu LP “Essa mulher”. Em 2023, o cineasta espanhol Fernando Trueba lançou uma animação em longa-metragem intitulada “Dispararon al pianista” (Atiraram no pianista). Em 1.º de outubro de 2025, foi realizado um evento no Teatro do BNDES, que contou com apresentações de Gil, Caetano, Joyce e de músicos considerados expoentes do samba-jazz para celebrar a memória de Tenório Jr.
“A memória, quando bem guardada, não desaparece." (Ruy Castro)
Brasil247.com

MÉDICOS COMPOSITORES DO BRASIL

1 Zé Dantas
José de Sousa Dantas Filho (1921 - 1962), pernambucano de Carnaíba, médico obstetra e folclorista. Parceiro de Luiz Gonzaga em "Acauã", "Forró de Mané Vito", "Cintura fina", "Riacho do Navio", "A Volta da Asa Branca", "Xote das meninas", "Sabiá", entre outras canções.
2 Guimarães Rosa
João Guimarães Rosa (1908 – 1967), nascido em Cordisburgo, MG, médico, diplomata, poliglota e escritor. Uma de suas incursões em letras de música foi por intermédio de Dulce Nunes (o Nunes como sobrenome dela veio do marido, o pianista Bené Nunes), a compositora para quem Rosa entregou 15 letras, das quais 4 foram logo musicadas por ela. O disco foi lançado em 1968 pela gravadora Philips, contando com as participações especiais de Nara Leão, Edu Lobo, Gracinha Leporace, Joyce e o conjunto vocal Momento Quatro, além de arranjos de Luiz Eça, Oscar Castro Neves, e de Egberto Gismonti, como arranjador e multi-instrumentista (violão e piano). Influências também são apontadas da obra (literária) de Guimarães Rosa sobre a obra (musical) de Tom Jobim, sobretudo em seus discos autorais “Matita Perê” (1973) e “Urubu” (1975).
3 Alberto Ribeiro
Alberto Ribeiro da Vinha (1902 - 1971), nascido no Rio de Janeiro. Compôs, em parceria com João de Barro, o "Braguinha", algumas da mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil. São de sua autoria: "Copacabana, princesinha do mar", "Yes, nós temos bananas", "Touradas em Madrid" e "Chiquita Bacana". Ele é nome de rua no Jardim Botânico, RJ.
4 Joubert de Carvalho
Joubert Gontijo de Carvalho (1900 - 1977), mineiro de Uberaba. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", gravada pela jovem Carmen Miranda, em 1930. Compôs também "Minha casa", "Pierrot", com Paschoal Carlos Magno, e "Maringá", que inspirou o nome da cidade paranaense.
5 Heitor
Heitor Catunda Gondim (1920 - 1992) nasceu em Fortaleza-CE. Concluiu sua graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Recife-PE. Aprendiz de pintor, poeta e compositor, inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil, seção do Ceará. Em 1980, classificou no Festival Crédimus da Canção, realizado em Fortaleza, a canção "Esquece essa dor", que ele compôs em parceria com o violonista Aleardo Freitas, um dos criadores do balanceio, um ritmo genuinamente cearense. Heitor foi incluído no "Projeto Médicos Escritores Cearenses", organizado em 2024 por Marcelo Gurgel.
6 Paulo Vanzolini
Paulo Emílio Vanzolini (1924 - 2013) nasceu em São Paulo. Formado pela USP, com doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard, tornou-se médico em 1947. Seu primeiro LP: "11 Sambas e uma Capoeira". Em seguida, foi com "Ronda", "Volta por cima", "Samba erudito e "Praça Clóvis" que este descendente de italianos firmou o nome na MPB.
7 Max Nunes
Max Newton Figueiredo Pereira Nunes (1922 - 2014), nascido no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Foi ator, escritor de humor e roteirista. Formado pela Faculdade Nacional de Medicina (hoje UFRJ), trabalhou como médico cardiologista até os anos 1980. Na Rádio Nacional criou o programa “Balança Mas Não Cai”, que ganhou versões para o cinema, o teatro e a TV. Compôs "Hino à Vida", com Vicente Paiva, e a marcha-rancho "Bandeira Branca", com Laércio Alves, que foi gravada por Dalva de Oliveira, Peri Ribeiro, Altemar Dutra, Martinho da Vila e outros intérpretes.
8 Aldir Blanc
Aldir Blanc Mendes (1946 - 2020), carioca do Estácio, médico psiquiatra. Com João Bosco, seu principal parceiro, compôs "O Bêbado e A Equilibrista", "Dois pra lá, dois pra cá", "Transversal do tempo", "Mestre-Sala dos Mares" etc. Foi colaborador de "O Pasquim", do jornal carioca "O Dia" e de "O Estado de São Paulo". Publicou alguns livros, dentre eles "Rua dos Artistas e arredores", “Brasil passado a sujo", "Vila Isabel" e "Inventário da infância". 
9 Janduhy Finizola
Janduhy Finizola da Cunha (1931 - 2024), natural de Jardim do Seridó-RN. Publicou livros de poesia e compôs canções para grandes nomes do forró. Seu trabalho musical mais famoso é a trilha da "Missa do vaqueiro", solicitada por Luiz Gonzaga, que o apelidou de "Doutor do baião"
10 Capinam
José Carlos Capinam (1941), baiano de Entre Rios, é formado em artes cênicas, direito e medicina. Ligado ao Movimento Tropicalista, Capinam escreveu as letras de "Soy loco por ti, America", de Gilberto Gil, "Clarice", de Caetano Veloso, e "Gotham City", de Jards Macalé. Também compôs "Ponteio", com Edu Lobo, "Coração Imprudente", com Paulinho da Viola, "Moça Bonita", com Geraldo Azevedo, "Papel Marchê", com João Bosco e "Cidadão", com Moraes Moreira. É imortal da Academia de Letras da Bahia.
11 Drauzio Varella
Antônio Drauzio Varella (1943), nascido em São Paulo-SP é médico oncologista, escritor, divulgador de ciência (rádio, TV e internet). Também é um compositor de sambas e choros, mas atua nesse meio de forma amadora e em rodas de amigos. Diferente de um compositor profissional, ele não tem um "catálogo" de sucessos conhecidos pelo grande público. Suas composições são registradas principalmente em discos independentes e projetos pessoais. Para citar exemplos verificáveis de músicas compostas por ele: no álbum "Roda de Samba do Drauzio Varella" (2007), existem músicas de sua autoria, como: "Pressentimento" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); "Mais uma Vez" (Drauzio Varella e Carlão do Peruche); em outro projeto, "Banda Alameda" (onde ele toca violão), ele compôs a música "Choro da Alameda".
12 Dalto
Dalto Roberto Medeiros (1949), nascido na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro. Médico anestesiologista, deixou o exercício da profissão médica para seguir a carreira de compositor/cantor, após o sucesso alcançado com a canção "Muito Estranho" (Cuida bem de mim). É também autor de "Anjo" e Espelhos d'Água". Continua compondo e fazendo shows. 
13 Geraldo Bezerra
Geraldo Bezerra da Silva (1949), cearense de Jaguaribe, médico obstetra, escritor e pesquisador. Foi presidente da Sobrames, regional Ceará, sucedendo-me neste cargo. Autor de "Volta, Luiz" (com José Carlos e Zé de Manu) e "Verdade absoluta" (com José Carlos), título de um LP de José Carlos Albuquerque.