- No princípio o Prefeito criou o Plano de Metas da Prefeitura. E disse: exista o Erário. E o Erário existiu. E da dotação orçamentária separou uma polpuda parte para que desfrutasse de salário, representação e mordomias. E viu que isto era bom.
- Disse também o Prefeito: O principal problema da cidade é o abastecimento de água. E abriu uma concorrência para a construção de uma adutora, uma estação de tratamento e uma rede de distribuição para o precioso líquido; além de chafarizes para os bairros mais distantes. A concorrência foi ganha por uma firma de engenharia de um cunhado seu. E viu que isto era bom.
- Disse também o Prefeito: Abram novas avenidas asfaltadas e arborizadas. E, numa atitude de homem devotado à causa pública, consentiu que as avenidas atravessassem uns terrenos seus até então pouco valorizados. E viu que isto era bom.
- Disse também o Prefeito: Sejam atendidos os pedidos de iluminação pública. E surgiram quarteirões bem iluminados de acordo com os reclamos dos vereadores de seu partido: verdadeiras ilhas de feérica iluminação no oceano de breu da oposição. E viu que isto era bom.
- Disse também o Prefeito: Seja feito o zoológico da cidade. E deu incumbência a seu filho mais velho para que organizasse o referido parque. Houve a injeção de fartos recursos financeiros e a cidade passou a ter o seu zoológico. O único do mundo com os animais exclusivamente em pôsteres. E viu que isto era bom.
- Disse também o Prefeito: Façamos as assessorias. E foram feitas, cresceram e multiplicaram-se em cargos de confiança de modo a garantir a seu esquema político uma poderosa máquina eleitoreira. E viu que todas as coisas que tinha feito eram boas.
- Assim, acabada a sua gestão, o Prefeito descansou. Certificando-se antes da magnitude da aposentadoria que a Câmara Municipal lhe votou e de que todos os seus parentes e apadrinhados estivessem aquinhoados com bons empregos.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
E VIU QUE ISTO ERA BOM
sábado, 23 de maio de 2009
ARSENAL DE LITERATURA
Faço uma breve pausa no Preblog das publicações de minhas colaborações literárias no DN - CULTURA para dar uma informação.
Encontrei casualmente na internet um documento intitulado Catálogo da Imprensa Alternativa (em arquivo PDF, com 183 páginas), originário da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, com verbetes sobre um grande número de periódicos alternativos no Brasil.
Dentre as publicações que o catálogo relaciona, encontra-se em sua página 14 o nome do "Arsenal de Literatura", uma revista que foi editada aqui no Ceará. Participei, em novembro de 1980, de seu projeto inicial (com o texto O PREFEITO CONTRA A CIDADE). Após o que eu não sei se a revista chegou a ter outros números.
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