domingo, 12 de abril de 2015

PIPOCAS

A história da pipoca no cinema
A pipoca realmente decolou nos EUA em meados da década de 1880, mas levaria 50 anos para se tornar o petisco favorito nos cinemas. De acordo com Andrew Smith, autor de "Popped Culture: A Social History of Popcorn", inicialmente os donos das salas de cinema não aceitaram a ideia da pipoca. Eles tinham belos tapetes e carpetes e não queriam por lá a pipoca (que podia sujar o recinto).
Então, a Grande Depressão aconteceu. Os filmes passaram a ser um entretenimento popular e barato. Vendedores de pipoca, do lado de fora, também forneciam um lanche igualmente barato.
Foi somente no início da década de 1930 que uma empresária chamada Julia Braden, de Kansas City, convenceu proprietários a colocar quiosques de pipocas no interior de cinemas. Naturalmente, outros proprietários foram estabelecendo também seus próprios estandes.
Assando na pipoqueira
Comer pipoca no cinema faz a publicidade ineficaz (em breve no Blog, mas não a seguir)
Original: EM, 26/10/2013
Comer pipoca no cinema faz a publicidade ficar eficaz
Philip Oltermann, de Berlim
Comer pipoca no cinema pode ser irritante, e não apenas para os colegas cinéfilos. Pode irritar também os anunciantes.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Colônia, Alemanha, concluiu que mastigar nos torna imunes à publicidade no cinema.
A razão pela qual os anúncios conseguem fixar em nossos cérebros o nome de um produto é que nossas bocas simulam, automaticamente, a pronúncia desse nome quando o ouvimos pela primeira vez. E, toda vez que reencontra o nome, a boca, inconscientemente, torna a praticar sua pronúncia.
De acordo com um estudo publicado no Journal of Consumer Psychology, esse "discurso interior" pode ser perturbado pelo ato da mastigação.
Siga lendo o artigo em Psychology, The Guardian
Original: EM, 23/11/2013
02/12/2013 - Surge a primeira observação sobre comer pipoca vendo TV
30/11/2014 - Calor e cremação
Pipocas!

quinta-feira, 12 de março de 2015

QUEM DOA SÊMEN MERECE UMA FOLGA MAIOR

"Detalhes, por favor!"
É o apelo dos médicos de todo o mundo para que deem a explicação do que realmente aconteceu em Wuhan, na China. A esperança é de que os médicos que socorreram um colega publiquem um relatório formal do caso, de preferência numa revista médica de boa qualidade. O caso, até agora, só foi publicado na imprensa leiga. Existe a possibilidade de que alguns detalhes tenham sido exagerados; outros, negligenciados.
Aqui é uma parte do que saiu numa reportagem, a 11 de setembro de 2014, no Want China Times:
Um tribunal rejeitou o recurso interposto pela família de um estudante de doutorado que morreu repentinamente em 2011, quando fazia uma doação de esperma. Considerando que o estudante se apresentara voluntariamente para a doação e que esta inclusive tinha sido uma atividade extracurricular.
O homem, de sobrenome Zheng, fazia o seu doutorado em um hospital universitário (não citado na reportagem) da cidade. Em 2010, ele concordara em ajudar nos testes operacionais do banco de sêmen da universidade antes de sua abertura oficial.
Zheng havia doado esperma quatro vezes ao longo de um período de 11 dias. Quando doou pela quinta vez, em 12 de fevereiro, ninguém o viu saindo da sala de doação. A equipe que entrou na sala, quase duas horas depois, encontrou-o inconsciente no chão.
Diante da impossibilidade de reanimá-lo, ele foi declarado morto na cena do crime.
Original: EM, 09/02/2015
UMA DISPUTA DE PROPRIEDADE
Justiça americana decide: Esperma é propriedade da mulher!
Usar esperma para engravidar sem autorização do homem não caracteriza roubo porque "uma vez ejaculado, o esperma se torna propriedade da mulher".
O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância, para análise do mérito. Nela, o médico Richard Phillips acusa a colega Sharon Irons de "traição calculada, pessoal e profunda", ao final do relacionamento que mantiveram há seis anos.
Sharon teria guardado o sêmen de Richard, depois de fazerem sexo oral, e usado o esperma para engravidar.
Richard Phillips alega ainda que só descobriu a existência da criança quando Sharon ingressou com ação exigindo pensão alimentícia.
Depois que testes de DNA confirmaram a paternidade, o médico processou Sharon por danos morais, roubo e fraude.
Os juízes da corte de apelação descartaram as pretensões quanto à fraude e roubo, afirmando que "a mulher não roubou o esperma".
O colegiado levou em consideração o depoimento da médica, onde ela afirma que quando Richard Phillips ejaculou, ele entregou seu esperma, deu "de presente".
Para o tribunal, "houve uma transferência absoluta e irrevogável de título de propriedade, já que não houve acordo para que o esperma fosse devolvido".
Original: EM, 07/05/2011
Correspondência
Sr. Editor,
A notícia é esta. Falta agora verificar se o fato realmente ocorreu. (1) Se ocorreu, é a prova definitiva que os homens não mandam mais em porra nenhuma. (2)
Nelson Cunha
Notas do Editor
(1) O Judicial Accountability  garante que aconteceu.
(2) Mandam, mas para não sofrerem perdas físicas e judiciais é preciso que estejam dirigindo a propriedade. Como o cara desta fotografia:

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Q33 NY

Uma previsão do Word
Esta eu li no Blog do Nassif.
A jornalista Alcinéa Cavalcante, usando o Microsoft Word como editor de texto, escreveu a expressão Q33 NY. A seguir, selecionou-a e mudou-a para a fonte Wingdings.
Veja o que ela encontrou:



Um resultado esquisito e surpreendente, pois Q33 NY era o endereço das torres gêmeas do World Trade Center.
Comentário
Se, até o momento, Bill Gates não foi convocado para depor é porque as autoridades norte-americanas ainda estão batendo cabeças.
Original: EM, 01/03/2008
Previsão ou pós-visão?
Agora falando sério. Quanto a estabelecer uma relação entre os atentados terroristas contra as torres gêmeas de NY e os caracteres existentes no Wingdings (Programa Word) para a expressão Q33 NY, não passa tudo de um conjunto de pseudo-evidências. Apesar de que eu já tergiversei sobre elas, dias atrás (01/01).
Senão, vejamos:
O Q traz a figura de um avião, certo, mas foram dois os aviões envolvidos nos atentados (um para cada torre).
O 3 é na verdade a representação de um documento de texto, dentro de uma seqüência em que o 1 é uma pasta, o 2 é um documento de canto dobrado (ver ilustração ao lado) e, por conseguinte, a simbologia relacionada com o número 33 não estaria a significar as torres do WTC.
O N como um símbolo da morte (caveira sobre ossos) é irretorquível.
Já a Estrela de Davi, que se relaciona com a letra Y, a sua decodificação fica ao arbítrio de quem interpreta a "previsão". No caso, mais plausível teria sido a presença de outro símbolo (que corresponderia à letra Z no Wingdings), por evocar este último a crença dos autores dos atentados.
Em suma, são apenas algumas coincidências. Tornadas mais verossímeis por uma boa "forçação de barra".
Original: EM, 05/03/2008

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

SELFIES, BELFIES...

O QUE HÁ DE NOVO EM SELFIES
O Selfie Brush
É uma escova de cabelo cujo lado de trás funciona como um suporte para o telefone móvel. Além de vir a escova com um espelho para se certificar de que os cabelos vão sair corretamente no autorretrato.
Não sabe o que dizer?
Ah, sim, o Selfie Sombrero é ainda pior.
O Selfie Sombrero
A escolha de um sombrero, em vez de um outro tipo de chapéu, é devido ao aro circular ininterrupto do sombrero. O que possibilita o usuário girar o dispositivo fotográfico até 360º na borda do sombrero em busca da pose perfeita. E, por ser um tablet (e não um smartphone), a tela de visualização é muito maior.
Mas o sombrero tinha de ser nessa cor rosa cintilante?
Não vou chutar desta vez o pau de selfie. Fica para outra ocasião.
Original: EM, 09/01/2015
CHUTANDO O PAU DE SELFIE
Dias atrás, eu prometi chutar o pau de selfie. Com a disposição de quem chuta o pau de uma barraca, aqui estou para pagar a promessa.
Considerado o legítimo sucessor do pau de dar em doido, o pau de selfie apareceu no Ano da Graça, digo, do Narciso de 2014. Inicialmente, como um acessório para o go-pro. Só que a galera logo descobriu que, se atachasse nele um telefone celular, teria em mãos o seu "go-pobre".
Já faz parte da bagagem dos aficionados pelos autorretratos. Seu habitat são as praias, os restaurantes, os  points da moçada.
Vê aquele grupo de amigos na mesa ao lado?  Não demora, um deles vai tirar o pau da mochila, estendê-lo com um smartphone na ponta e... cheese – fotografar a "tchurma". O bastão inclusive dispensa a colaboração do garçom, o que é uma lástima.
Pois bem, uma das atribuições dos garçons já foi o de fazer selfies de grupos. E como eles vinham ficando habilidosos. Tinha garçom pensando em jogar o menu para o alto e, lastreado na experiência recém-adquirida, repetir a carreira internacional do Sebastião Salgado.
O pau de selfie acabou com o sonho deles. Bem feito por estar sendo agora banido dos estádios de futebol!
Mas...
Como fazer selfie ficou muito batido, a onda agora é fazer belfie. O belfie é o selfie do bumbum. Mas, como acontece com o selfie, precisa também de um pau. E foi para atender a essa emergente necessidade que surgiu o Belfie Stick.
Criado por uma empresa norte-americana, o Belfie Stick é um extensor ajustável e com uma dobra no meio, o que permite o usuário escolher o melhor ângulo para fotografar o respectivo traseiro. Não é todo garçom que tem sensibilidade e paciência para isso.
Kardashian e outras celebridades calipígias já aderiram a essa moda dos belfies.
Chuto o pau de selfie, mas não o de belfie. Eu sou lá de chutar o que está a serviço da preferência nacional!
Original: EM, 11/01/2015

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

HOMENS MISERÁVEIS

1
No Instagram há uma página que reúne centenas de fotos de homens entediados, sonolentos e até mesmo dormindo em locais inapropriados.
Eles cumprem a monótona missão de acompanhar as mulheres que estão fazendo compras em lojas e shopping centers.
Siga-os em Miserable Men.
Estas cenas deprimentes deixariam de acontecer se as lojas e os shoppings adotassem uma solução humanizadora, o BOOB PIT.
Original; EM, 04/04/14
2
A conta Miserable Men, no Instagram, é dedicada a fotos de homens tristemente presos em ambientes de varejo por suas companheiras adeptas do consumismo. Que época do ano poderia ser melhor para captar essas fotos do que depois do Natal? Quando as clientes inundam os shoppings, para trocas e devoluções, ansiosas para conferir as pechinchas do após-feriado? Pode ser uma adrenalina para muitas mulheres, mas os shoppings são o último lugar em que muitos homens querem gastar suas horas.
Vamos torcer para que estas sofridas criaturas, depois que suas mulheres tenham se afastado das gôndolas e das cabines de provas, possam desfrutar de um bom bife e de alguns drinques como uma forma de reparação pelas longas esperas.
Recordar também que já falamos do BOOB PIT, uma solução realmente humanizadora para os homens. Mas os administradores dos shoppings centers teimam em não aceitar minha sugestão.
Original: EM, 30/12/2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CRIADOR E CRIATURA

"Todas as crianças, exceto uma, crescem. Elas logo sabem que vão crescer (...) este é o começo do fim." 
Eis o início da clássica história em que o escritor James Barrie nos apresenta a turma de Peter Pan. Parece inocente, mas um olhar sobre a vida de Barrie dá um toque meio sinistro a essa história.
EU NÃO VOU CRESCER
"Toda a vida de James Barrie levou à criação de Peter Pan ", escreveu um dos seus biógrafos.
O ponto crucial aconteceu em 1866, quando Barrie, o caçula de uma família escocesa de dez filhos, tinha 6 anos: o irmão David, o orgulho da família, morreu em um acidente de patinação. A mãe de Barrie ficou arrasada. Para consolá-la, James começou a imitar o modo de falar e os maneirismos de David. Este comportamento bizarro continuou por anos. E o mais estranho: quando James chegou aos 13, a idade em que David tinha morrido, ele literalmente parou de crescer.
Ele não ficou mais alto do que 1,53 m, tinha a voz fina e estridente, e não fez a barba até que tivesse 24 anos.
Original: EM, 12/12/2014
A SÍNDROME DE PETER PAN
Esta síndrome teve a possibilidade da existência levantada pelo Dr. Dan Kiley em seu livro "The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up", de 1983. Para designá-la, o autor inspirou-se em Peter Pan, personagem de uma peça de teatro e livro homônimo, que vivia na Terra do Nunca onde os garotos nunca envelhecem.
O portador desta síndrome, segundo Kiley, tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento.
No entanto, não há consenso de que esta síndrome seja uma doença psicológica real e, por isso, não está referenciada nos manuais de transtornos mentais. Não consta, por exemplo, no DSM IV.
A propósito 
Como se parecem atualmente (no plano físico) Lucy, Linus e Charles Brown?
Original: EM, 12/04/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

LADY GODIVA

Haicai

Esperar Godot
que não vem? Oh, eu prefiro
esperar Godiva.
Original: 18/06/2007
Contra os impostos cavalares
Diz a lenda que a bela Lady Godiva teve pena do povo de Coventry, Inglaterra, que sofria com os altos impostos cobrados pelo marido Leofric, o Duque de Mercia. E tanto apelou a Leofric, que ele aceitou reduzir os impostos. Sob uma condição: Lady Godiva deveria cavalgar nua pelas ruas de Coventry.Ela aceitou o desafio e deu ordem a que todos os moradores da cidade se fechassem em suas casas ("não quero voyeurismo por aqui") enquanto ela passasse despida.
A lenda também diz que somente uma pessoa se atreveu a olhá-la durante a cavalgada. Um tal "Peeping Tom" que, como consequência do tresloucado ato, ficou cego.
Gostando ou não do que a mulher fez, Leofric manteve a palavra e baixou os impostos de Coventry, até então bem cavalares.

É possível que a nudez de Godiva tenha se restringido a uma falta de adereços e de jóias preciosas, marcas da nobreza a qual ela pertencia. Ah, bom!
Original: EM, 22/10/2009
Peeping Tom Cat
Este gato - a espiar através da janela - é uma versão felina de Peeping Tom, um dos personagens da lenda de Lady Godiva.
Peeping Tom atreveu-se a espiar Lady Godiva despida, em sua cavalgada pelas ruas de Coventry. Fez isso enquanto todas as pessoas da cidade se trancavam em suas casas para não violar a nudez de Godiva. E ficou cego.
Espero que o mesmo desfecho não aconteça com o gato ao lado.
Original: EM, 13/07/2010
Quem conta um conto...
A história de Lady Godiva, uma nobre inglesa do século XI, já foi aqui contada.
Vindo a pelo:
O seu marido Leofric aumentara os impostos de Coventry, e Lady Godiva achou que eles ficaram exagerados. Não só ela.Todos os contribuintes da cidade acharam, pois ninguém gosta mesmo de pagar impostos. Diante de tal reação, o marido prometeu que reduziria os impostos. Se... Godiva andasse nua pelas ruas da cidade. Acreditando que ela não faria tal coisa, porém ela o fez.
Embora Lady Godiva tenha existido e Coventry seja uma cidade real, a autenticidade dessa cavalgada despida (de interesses subalternos) permanece até hoje contestada. Não foi por acaso que, numa abordagem anterior, deixei uma brecha para explicar a nudez de Lady Godiva.
Teria sido uma nudez apenas de adereços.
Quanto à elucidação da causa da cegueira de Peeping Tom, não vejo que importância tenha para deixá-la em consulta pública na internet.
Original: EM, 11/04/2015

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

MAMA ÁFRICA

O CONSELHO 17

Pode um homem ter mais de uma esposa e não adquirir AIDS através do sexo?
Sim, se o homem não faz sexo com outras mulheres, além das esposas, e se nenhuma delas tem amante. Se um homem é fiel às esposas e estas a ele, durante toda a vida, a AIDS não tem como ser transmitida pelo sexo a alguém do grupo.Mas, nas regiões da Uganda onde o homem pode ter sexo com a esposa do irmão, esse costume não é seguro. Porque ele não tem como saber se o irmão foi fiel à esposa e esta a seu irmão. Portanto, isto não é seguro, principalmente se o irmão tiver morrido de AIDS.
Original: EM, 12/08/10

AVISO
Bem-vindos a Moçambique
Devido à crescente frequência de encontros entre pessoas e leões, o Ministério da Pesca e da Vida Selvagem da Província de Inhambane, em Moçambique, aconselha os caminhantes, caçadores, pescadores, motociclistas e  todos aqueles que usam o ar livre em função recreativa ou profissional a tomarem precauções extra quando estiverem na mata.
Aconselhamos que usem sinos pouco ruidosos na roupa, de modo a dar um aviso antecipado da presença humana a leões que possam estar por perto, a fim de que eles não sejam tomados de surpresa. Além disso, caso o encontro venha a acontecer, não usem spray de pimenta contra eles.
Todos também devem estar atentos às últimas atividades de um leão e de serem capazes de diferenciar a merda de um filhote de leão da grande merda de um leão grande. A merda de um filhote de leão é menor e contém uma grande quantidade de frutinhas e pele de dassies (roedores). A grande merda de um leão grande tem sinos na mesma e cheiro de pimenta.
Aproveitem a permanência em
MOÇAMBIQUE
Original: EM, 04/10/14

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BODES EXPIATÓRIOS

No assentamento de Gush Etzion, no território palestino da Cisjordânia, existe um campo de treinamento de tiro em que figuras de pessoas, em tamanho real e portando tradicionais turbantes árabes, são utilizadas como alvos. O local, com mais de 10 mil metros quadrados exclusivamente reservados para a prática de tiro, é também visitado por turistas que desejam experimentar essa modalidade de "turismo radical".
Cerca de cinco mil turistas já passaram pelo curso, entre eles centenas de crianças. Adultos atiram com armas e munição de verdade; crianças usam paintball. O preço do curso, com duração de 2 horas, é 440 shekels (R$ 220) para adultos e 200 shekels (R$ 100) para crianças.
Não é esta a principal crítica da direita hidrófoba no Brasil com relação a nossos assentamentos?! Pois estes, como não apresentam instalações de treinamento como a que existe no assentamento israelense de Gush Etzion, não chegarão jamais ao estado da arte.
24/06/2012 - Atualizando...
Apartado do rebanho e deixado em local deserto, o bode expiatório decidiu romper com uma cruel tradição. Sem essa de expiar os pecados do povo de Israel em uma região inóspita (existe isso para um bode?), como sempre fizeram seus antepassados, tão-somente para cumprir os preceitos da Torá. E o bode matriculou-se no campo de treinamento de tiro mais próximo, de onde só saiu ao se sentir bem preparado para enfrentar as adversidades.

Original: EM, 20/06/2012

Um estudante foi morto quando um bode expiatório pulou de um telhado e caiu sobre sua cabeça
Heval Yildirim, de 13 anos, estava brincando com amigos quando o animal – que também morreu – caiu de seis andares de um bloco de apartamentos (foto).
O pai do menino, Mehmet, havia trazido o bode para sacrificar no dia da festa muçulmana de Eid al-Adha.
Não encontrando um lugar adequado para deixá-lo, ele colocou o bode no telhado, acima da casa da família no último andar. 'Estou arrasado, mas o que mais posso dizer?", desabafou Mehmet. "Na verdade, não tenho nada a dizer."
A polícia disse que está investigando a morte de Heval, em Diyarbakir, sudeste da Turquia, acrescentando que esse foi o primeiro caso do gênero. [1]
Eid al-Adha homenageia a disposição de Abraão em sacrificar o filho Isaac, quando ordenado por Deus. Mas Deus, antes de Abraão cometer o filicídio, mudou de ideia, aceitando o sacrifício de um cordeiro no lugar de Isaac. [2]
N. do E.
[1] metro.co.uk
[2] Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto
Original: EM, 13/10/2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DORMINDO COM A MELANCIA

Quando muitos estudantes universitários em Guangdong, China, se preparavam para enfrentar um longo verão – sem ar condicionado – no campus, uma antiga tradição local foi reavivada: dormir com uma melancia. Tudo começou depois que uma postagem de um microblog, divulgando que dormir com um pedaço da fruta pode reduzir a temperatura corporal por 3 ℃, se tornou viral.
Como as universidades de Guangdong não oferecem ar condicionado nos dormitórios, isso fez com que muitos de seus alunos buscassem formas alternativas de resfriamento.
A. Tingzi , um estudante da Universidade de Tecnologia publicou que dormir segurando uma melancia foi um ótimo substituto para o ar condicionado. Enquanto isso, Zhang Xuefeng, um estudante da Universidade de Estudos Estrangeiros, postou uma foto de si mesmo abraçado a uma melancia.
Dormindo com uma melancia, Changjiang Daily
O Changjiang Daily fez sua própria "pesquisa". Um repórter do jornal agarrou-se a uma melancia de 4,6 kg por cerca de uma hora, e eis que a temperatura do seu corpo diminuiu de 36,2 para 33,6 ℃.
N. do E.
No Brasil, não existem ainda pesquisas que validem os resultados chineses. Desconfio que o pessoal aqui está mais interessado em se aquecer com a Mulher Melancia (durante o inverno).
Original: EM, 18/09/2014

RONCOS. RELATO DE UM "CAUSO"
Quem ronca durante o sono inicialmente não tem consciência de que vem produzindo esses incômodos ruídos. É claro: está dormindo quando eles acontecem. Até que pessoas incomodadas por seus roncos se encarregam de alertá-lo sobre a existência do problema.
Neste caso, que foi fotografado por Mike, na Espanha, o portador do distúrbio concordou em passar uma noite numa Clínica do Sono. E foi lá que descobriram a causa de seu problema.
Ver também...
AOS QUE RONCAM, aqui no Preblog.
Original: EM, 24/11/2011

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

COM TÍTULOS CURTOS

TRABALHOS DE PESQUISA
Se houver uma competição para escolher o trabalho de pesquisa que apresenta o título mais curto este é um forte candidato ao título:
"Q". por Leon Knopoff. Reviews of Geophysics, vol. 2, no. 4, 1964, pp. 625-660.
Começa assim:
"Se não fosse pela atenuação intrínseca do som no interior da Terra, a energia dos terremotos do passado ainda estaria hoje reverberando no interior da Terra. O caos resultante dessa perspectiva impressionante é uma especulação que está fora do escopo deste artigo. E nossa tarefa aqui é investigar onde, na terra sísmica, a energia é convertida em calor; e se esta conversão é realizada com igual eficiência em todo seu interior, ou se algumas partes do interior são mais capazes de realizá-la do que outras."
Concorre com ele:
"E", por Christopher J. Mulvey, Supplemento ai Rendiconti del Circolo Matematico di Palermo, 1986.
(Em verdade, o título desse trabalho não é a conjunção aditiva "e" em letra maiúscula. É o sinal que representa a conjunção latina "et", o qual é muito usado em nomes de empresas e que, por isso, é também conhecido como "e comercial". Ele é, dentre todos os caracteres, o mais parece um monograma. E, se até agora você não matou a charada, ele é o que divide a tecla com o número 7 em seu teclado QWERTY. Lamentavelmente, não posso escrevê-lo no blogue porque ele é automaticamente modificado para: "ele mesmo + abreviatura de ampersand + ponto-e-vírgula". Coisas do HTML.)
Em compensação, no Journal of Applied Behavior Analysis (JABA), há um interessante artigo de Dennis Upper, intitulado The Unsuccessful Self-Treatment of a Case of “Writer’s Block” (O Fracassado Auto-Tratamento de um Caso de “Bloqueio do Escritor”), que pode ser lido de uma assentada, visto que o artigo completo apresenta conteúdo vazio (alguém já disse mais com menos palavras?). Resume-se ao título.
Ele foi publicado – sem revisão – com este entusiasmado comentário do Revisor A:
Eu estudei cuidadosamente este manuscrito, com suco de limão e raios-X, não detectando um só defeito no projeto ou no estilo da apresentação. Sugiro ser publicado sem revisão.
Original: EM, 03/09/2014
LIVROS

Já na categoria livros com títulos curtos, há-os em maior número. Na literatura norte-americana, os exemplos de livros cujos títulos consistem de uma letra vão de A, de Andy Warhol a Z, de Vassilis Vassilikos. Passando por C, de Tom McCarthy, um dos romances finalistas deste ano no Booker Prize.

Algumas letras são mais requisitadas (C, H, K e S); enquanto outras nunca foram lembradas para títulos de livros. As letras inéditas, portanto, ainda estão disponíveis a quem queira publicar um livro utilizando-se do processo de nomeação ora descrito.
A favor do método está o fato de o título ficar mais memorizável. Compare-se, por exemplo, o V, de Thomas Pynchon, com o A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, por Junot Díaz.
É um processo que foi utilizado até mesmo por alguns superstars da literatura estadunidense como John Updike.
"S." (1988), de John Updike, é a história de Sarah P. Worth, uma buscadora espiritual completamente moderna que se apaixonou por um místico hindu chamado Arhat. Nativa da Nova Inglaterra, ela vai para o Oeste para se juntar a seu ashram (líder espiritual) no Arizona, onde luta ao lado de outros sannyasins (peregrinos) na difícil tentativa de subjugar o ego e alcançar a moksha (salvação, libertação da ilusão). "S." detalha suas aventuras em cartas e fitas enviadas ao marido, à filha, ao irmão, ao dentista, ao cabeleireiro e ao psiquiatra — mensagens habilmente elaboradas para manter seu velho mundo em ordem, enquanto ela cria um novo para si mesma. Vê-se que a história é uma paródia da busca pela iluminação.
Original: EM, 06/05/2011

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

LOUVOR AO ASSOVIO

Nos tempos de antanho, quando um garoto se punha a assoviar em casa logo aparecia um adulto para advertir:
- Não faz isso, menino. Chama cobra.
Não tinha o menor fundamento, claro. E o menino, surdo à advertência, prosseguia exercitando o futuroso bico. Até que um dia virava a adulto. E, quando menos se esperava, lá estava ele a mostrar a sua arte de assoviar em algum programa radiofônico.
Eram comuns as apresentações de pessoas assoviando canções naqueles programas de rádio. Havia inclusive quem gravasse discos apelando para o tal recurso. Como o cantor Sílvio Silva, "O Garoto Assobiador", que inseria solos de assovio nas canções que interpretava. E como o gaúcho Getúlio Rubens dos Santos, "Getúlio, o Assoviador", que, em 1978, gravou um LP inteiro com músicas assoviadas. O qual, em 1966, foi relançado como CD, segundo informa Marcelo Duarte em seu Blog do Curioso.
Outro assoviador famoso é o gaitista belga "Toots" Thielemans. O destacado gaitista, que já tocou com grandes nomes da música popular brasileira, é também um assoviador profissional. Tendo assoviado,  ao longo de sua carreira, diversos comerciais para a televisão européia. Num de seus sucessos musicais, "Bluesete", Thielemans usou gaita de boca e assovio - em uníssono - na gravação (original) que fez dessa música, em 1962.
De tanto falar em assovio, eu tinha que acabar me lembrando de uma canção. A "Canção De Não Cantar", de Sérgio Bittencourt, que foi gravada por Elis Regina. Não levou assovio, mas faz o devido louvor a ele.
"Guarda o meu violão
Já nos faltam canções
São muitas as razões que temos pra cantar
Mas, hoje, amor, melhor é não cantar
Enquanto houver em nós vontade de fugir
De um canto que na voz não vai saber mentir.
Meu canto, para ser um canto certo,
Vai ter que nascer liberto e morar no assovio
Do ocupado e do vadio
Do alegre e do mais triste.

Só há canto quando existe muito tempo e muito espaço
Pra canção ficar, se eu passo, e dizer o que eu não disse.
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí.
Por isso, meu violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar."
P.S.
A ilustração acima foi a que se usou na divulgação do I Encontro de Assoviadores do Brasil, realizado em Volta Redonda - RJ, em data que não consegui precisar.
Original: EM, 11/04/2009
Trinados treinados
Um assovio trinado é coisa de passarinho, disse alguém. Um tema para se pensar que, em vida passada, esse "Getúlio, o Assoviador" tenha sido um.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AS FORMIGAS DE MARIA

No Espírito Santo (Estado), sucessivas gerações de formigas cortadeiras que residem na casa de dona Maria Aparecida continuam dando o que falar.
São milhares de desenhos que lembram uma santa (Nossa Senhora das Lágrimas), com manto, coroa e terço, e que se acompanham de salmos, mensagens religiosas e outras exortações, que as formigas desenham e/ou escrevem nas folhas das árvores. (►)
E muitas histórias de graças alcançadas por quem frequenta ou chega àquela casa em momento de desespero. Como o caso da criança Gabriela, que sofria de convulsões e foi miraculosamente curada após ser levada ao "Lar das Formigas Bordadeiras".
Este assunto foi trazido à baila pela edição de 15/08/14 do Globo Repórter (vídeo). Mas, em verdade, elas fazem esses desenhos legendados desde a década de 1980.
Leiam, por exemplo, um trecho de um artigo da bióloga Eliane Evanovitch, escrito em 2007 (após a sua participação em um programa de debates na televisão local), e transcrito no Jornalísticamente Falando..., de Aurélio Moraes:
"Formigas apresentam mandíbulas cortadeiras e não fazem furos como mosquitos que atravessam as nossas peles. Parece que a fé de muitos dos presentes era de fato inabalável, como sempre repetia o apresentador, pois mesmo “PAZ” escrito com “S” não convenceu algumas pessoas a perceber a grosseira fraude."
Entrevistado pelo Globo Repórter, Marcelo Teixeira Tavares, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, também observou que não há condições de que as formigas cortadeiras produzam esse tipo de perfuração nas folhas. É que o furos têm o formato de uma circunferência perfeita e tudo indica que foram produzidos por um objeto cilíndrico pontiagudo.
Traduzindo: alfinete.
O implacável Ceticismo.net foi outro que também alfinetou:
"Como sempre, a ICAR não diz que é milagre, mas não faz nada contra. Lava as mãos e... deixa pra lá. Afinal, enquanto o pessoal estiver indo pro santuário (da Nossa Senhora das Lágrimas), não estará frequentando a IURD."
Uma honrosa exceção, a meu ver, tem sido o parapsicólogo Padre Quevedo. Em 2007, no mesmo debate que aconteceu na televisão, ele foi peremptório:
- Isso "non ecziste"!
Original: EM, 21/08/2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

SANDUÍCHE DE TERRA

Um sanduíche de Terra é criado quando duas fatias de pão são simultaneamente colocadas em dois pontos opostos da Terra.
Não é uma ideia nova. Em maio de 2006, Ze Frank lançou essa provocação de criar "o primeiro sanduíche de Terra da história".
Então, centenas de pessoas de todo o mundo, no esforço para vencer o desafio de criar um sanduíche em escala planetária, começaram a lhe enviar imagens de pão no chão.
O primeiro sanduíche de Terra, porém, só foi feito quase um mês depois. Quando dois internautas, um na Espanha, perto de Madri, e outro em Nova Zelândia, puseram no chão, ao mesmo tempo, seus pedaços de pão em dois pontos opostos do planeta. Dois vídeos foram gravados para testemunhar o acontecimento. (1) (2)
Bem, Espanha e Nova Zelândia são países considerados antípodas, o que possibilitou realizar a façanha. Mas a maioria dos países, infelizmente,  tem seus pontos opostos localizados nos mares e oceanos (que cobrem cerca de 70 por cento da Terra). O que pode ser facilmente demonstrado aqui, neste mapa do Wikimedia Commons.
Nessa difícil situação, poderia o interessado se utilizar de uma ilha próxima para concluir a operação? Claro que não. Além do vício de destino, o sanduíche de Terra poderia ficar bastante excêntrico.
Agora, para o caso de alguém que deseja fazer um sanduíche desses, com a metade do pão situada em Fortaleza: onde deverá ficar a outra metade? Na China? No Japão? Nada disso. Ficará em pleno Oceano Pacífico, a muitas milhas da Micronésia (com alguma sorte, sobre um atol sem resíduos nucleares).
Pelo menos é o que mostra o Map Tunneling Tool, uma ferramenta com a qual a gente localiza os pontos antípodas da Terra.
Original: EM, 26/04/2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ONDE SE ESCONDE O UNICÓRNIO

O unicórnio existe?
Ele é citado nas lendas antigas e nos bestiários medievais. Sobre a existência dele, o multimídia  Leonardo Da Vinci escreveu o seguinte:
"O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvageria. Ele põe à parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece em seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."
A Bíblia também fala dos unicórnios, como se vê em Isaías 34:7: “E os unicórnios descerão com eles, e os bezerros, com os touros; e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura se encherá”; em Jó 39:10 “Ou, querer-te-á servir o unicórnio? Ou ficará no teu curral?”; e em várias outras passagens como Salmo 22:21, Salmo 29:6 e Salmo 92:10.
Se o unicórnio existe por que eu jamais o vi?
Deixe de lado aquela história de que o unicórnio só aparece para os que são puros de coração. Se você ainda não viu um unicórnio não foi por isso, é porque está procurando-o em locais errados. Esqueça bosques, campos elísios e pradarias. Procure-o no mar gelado. É no interior de uma baleia narval onde o unicórnio gosta de esconder-se, apesar da grande dificuldade que tem para ocultar o chifre.
Este truque de esconder-se em outro animal só é praticado pelo unicórnio?
Não. A coruja também faz isso. A coruja sob plumas é na verdade um abutre.
Original: EM, 10/03/2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O DIA DO BLOG

Como tudo que tem alguma importância no mundo o blog merece ter o seu dia. Um dia a ser pelos interessados (no caso, nós blogueiros) devidamente comemorado.
Inicialmente, pensei no dia 1º de abril. Em 1997, nesse dia, o norte-americano Dave Winer deu início à "aldeia blogal" com a criação de seu Scripting News. Mas seria muito "encher a bola" desses norte-americanos que já "apitam" demais. Para não falar que esse dia, o 1º de abril, não passa de uma grande mentira.
O 6 de junho é uma data também a se pensar. O dia em que nasceu o padre Marcelino Champagnat, o fundador da Ordem dos Irmãos Maristas, e também eu. Mas é melhor deixarmos que o dia continue apenas para os festejos maristas.
Então, que tal 29 de fevereiro para ser o Dia do Blog? Uma data que festejaríamos a cada quatro anos - e com total garantia de sucesso! Como já acontece com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas.
Aprovada a última data, nesse dia não trabalharíamos. Cada blog apenas publicaria um soneto de algum poeta bissexto. O que seria uma forma de compensar esta laboriosa classe pelo incômodo de termos "invadido a sua praia".
E, a cada 29 de fevereiro, a grande surpresa: os comentários estariam com as catracas livres! Como forma de prestigiar os nossos leitores.
Publicado para consulta pública.
Original: EM, 05/06/2009

31/08 = Blog
Em 2009, após algumas divagações sobre datas, sugeri fazer de 29 de fevereiro o Dia do Blog. Coloquei essa sugestão em consulta pública, inclusive.
Em vão bloguei. Pois já existia o dia 31 de agosto para a "aldeia blogal" comemorar o seu Dia.
E sabem por que escolheram o 31 de agosto?
Porque 31/08 se assemelha à palavra "Blog".

31/08 ► 3l08 ► 3log ► Blog

Original: EM, 31/08/2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

NEVE TROPICAL - 2

A fotógrafa Petúnia me chamou a atenção para um fenômeno pouco visto nesta redação.
O topo da pedra de previsão do tempo tinha ficado branco. Isto, em meteorologia indígena, equivale a dizer que está nevando. Não é nevando lá fora, no Ceará não tem disso não, mas é nevando cá dentro.
Aliás, como já ocorreu em 2007. Quando eu tentava fazer a refilmagem do "Bye bye Brasil", usando uma webcamera de 25 reais, e fiz nevar no interior do edifício sede do EntreMentes. Substituindo o inexperiente José Wilker no papel de Lorde Cigano, eu fiz cair grandes flocos de neve. Essa cena da nevasca no Nordeste brasileiro era o desafio tecnológico que faltava ser dominado para poder dar início à refilmagem. Mas fiquei só nos preparativos, e a versão caseira do filme jamais foi realizada.
A postagem NEVE TROPICAL - 1 foi o que restou de minha fracassada experiência como ator. É o behind the scenes de um "Bye bye Brasil" que não chegou a existir.
Voltando à vaca do nariz frio. Se não há neve agora no EntreMentes, se a pedra de previsão do tempo não erra nunca (já que ela não prevê o tempo para o futuro), onde, renas de Papai Noel, estaria naquele instante a nevar?
Uma rápida pesquisa no Home blogs, sugerida por Petúnia, mostrou que o fenômeno acontecia no Linha do Tempo. Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro.
Aproveitem o espetáculo. Não tem a grandiosidade de um Let It Snow (Deixe Nevar), como o que o Google aprontou em 19 de dezembro de 2011. Neste, só conseguíamos ver a página de buscas do Google depois que apertávamos no Defrost, o botão de degelar.
Não é meu propósito criar dificuldades a ninguém para ler o blog. Eu usaria as letras rúnicas nos textos se tivesse a malévola intenção.
Quanto a desviar a atenção dos leitores, bem, só um pouquinho.
Comentários
1 - de Fernando Gurgel (por e-mail)
Aproveita e faça um boneco de neve. Veja como é fácil:
2 - de Nelson Cunha
Conforme -se com o calor, espere um pouquinho porque vai nevar no Ceará. Os continentes estão em constante movimento. O nosso se move 7 cm ao ano para o sul. Em apenas 250 milhões de anos estaremos juntos da Africa do Sul. Será a Pangeia Última.
Aquele grupo que acaba de sair dos Diarios, vestidos com casaca e fazendo algazarra, não saem de um baile de gala; são pinguins mesmo e aprenderam a falar.
Com tantos milhões de anos à frente, não se surpreenda com as novidades: os políticos serão honestos e as nossas mulheres, muito menos implicantes.
Original : EM, 14/12/2013
Epílogo
No mês passado (dia 14), EntreMentes, um blog irmão de Linha do Tempo, noticiou que ...
"Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro."
Hoje, 6 de janeiro (Dia de Reis), a nevasca de fato acabou.
Tudo não passou de uma brincadeira no modelo de Linha do Tempo, no qual inseri temporariamente o "efeito flocos de neve".
A quem interessar:
Isto é feito copiando o código [script src="http://static.tumblr.com/8l2gpxb/Apwlulgho/snowstorm2.js"][/script] e colando-o depois de "head" ou antes de "style".
Original: LT, 06/01/2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O PUXA-SACO

Origem da expressão
Começou como uma gíria militar. Para definir os soldados (especialmente aqueles mais solícitos) que puxavam os sacos dos oficiais durante as viagens. Nesses sacos os oficiais guardavam suas roupas, e os soldados, ao puxá-los, passavam a ideia de subserviência. Com o tempo, as pessoas passaram a admitir que os sacos puxados poderiam ser anatômicos, daí o surgimento de novas expressões a estes relacionadas como babão e baba-ovo.
Segundo a blogueira Gislaine Lima, puxa-saco tem até dia. É comemorado, informalmente, em 20 de dezembro por ser a data-limite para o pagamento da segunda parcela do 13º salário. Neste dia do ano, todos os puxa-sacos saem pelas ruas à procura do presente de Natal para os respectivos chefes.
Sinônimos
Adulador, capacho, chaleira, corta-jaca, incensador, lambe-botas (lambe-esporas), lacaio, pelego, sabujo, turibulário, xeleléu...
Frases
Cada frase do adulador é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento. (Georges Clemenceau)
Nenhum puxa-saco suporta uma auditoria.
O puxa-saco serve a quem não tem amigos de verdade.
Formiga e puxa-saco há em todo lugar.
Quem puxa saco, puxa tudo. Inclusive tapete.
Puxa-saco é como carvão: apagado suja, aceso queima.
O puxa-saco sai até na radiografia do chefe. ►
Músicas
1 - O cordão dos puxa-sacos (c/Anjos do Inferno)
Lá vem o cordão dos puxa-sacos / dando vivas a seus maiorais / quem está na frente é passado pra trás / e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais. (Marchinha de Roberto Martins e Frazão)
2 - O puxa-saco (c/ Jackson do Pandeiro)
Vou arranjar o lugar de puxa-saco / pois puxa-saco tá se dando muito bem.
3 - O xeleléu, (c/ Coronel Ludugero)
Xeleléu, ô xeleléu / o teu lugar tá garantido lá no céu.
4 - O puxa-saco (c/ Zeca Pagodinho)
É um carrapato, uma cola, um chiclete / esse cara do chefe não quer desgrudar.
O personagem Fagundes
Criação do cartunista Laerte, é um puxa-saco de mão cheia. Todos os momentos de sua existência são dedicados a enaltecer o chefe – para o desespero deste! O "chefinho", para Fagundes, será sempre o primeiro e único!
Títulos de algumas das tiras com este personagem: Todo mês compro a "Playboss", a revista do puxa-saco de bom gosto. Alguém já lhe disse hoje que o senhor é simplesmente o máximo? Quem não vive para servir, não serve... In: Galeria do Fagundes
Na Divina Comédia
Bem no fundo (da segunda vala) estão os bajuladores, imersos nas fezes. Diz Dante:
"Quivi venimmo; e quindi giù nel fosso
vidi gente attuffata in uno sterco
che da li uman privadi parea mosso.
E mentre ch’ío là giù con l’occhio cerco,
vidi un col capo sì di merda lordo,
che non parëa s’ era laico o cherco." (v. 112-117)
("Ali chegamos; e lá no fosso/ vi gente chafurdada em tal esterco/ que parecia provir de privadas humanas./ E enquanto o fundo com os olhos eu investigava,/ vi um com a cabeça tão suja de merda/ que não distinguia se era leigo ou clérigo.").
Como dizer puxa-saco em inglês
Acredito que há muita gente por aí dizendo: “puxa saco em inglês é apple-polisher“. Afinal, essa é a expressão mais referida para chamar alguém de puxa-saco em inglês. No entanto, saiba que o termo apple-polisher atualmente é raramente usado! Apesar de alguns dicionários ainda o registrarem, autores de livros insistirem em seu uso e professores fazerem questão de ensiná-lo a seus alunos, apple-polisher não é tão usado assim, embora alguns digam que as crianças – e olhem lá! – fazem mais uso dela! InInglês na ponta da língua
Certamente não é pull bag!
É de pequenino que se puxa o saquinho
Ou: 10 maneiras de reconhecer um puxa-saco ainda na infância
Original: EM. 20/12/2013

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A RESTAURAÇÃO DO REDENTOR

Esta simulação da estátua veio daqui
O Cristo Redentor é uma estátua octogenária. Exposta ao sol, à chuva  e aos ventos, um dia a estátua vai precisar de uma boa restauração.
Chama-se o Didi.
Não. O Didi só sabe limpar uma das mãos do Redentor. É como capixaba: começa e não acaba. E logo, logo cai em prantos diante das câmeras do Fantástico.
A gente está falando de restauração. O que exige experiência comprovadíssima no ramo. Não se pode correr o risco de que o ícone da Cidade Maravilhosa e, por extensão, do Brasil finde os seus dias assim. (V. simulação.)
Mas...
Como vamos escolher um bom restaurador? O melhor, se possível. Ah, sei lá. Só sei que temos de fazer essa escolha com muito tato e diplomacia.
Não podemos deixar que a Cecília Giménez fique ofendida por ter sido descartada.
Original: EM, 30/10/2013

A "restauradora" Cecília Giménez
Há poucos dias, a imagem de uma "restauração" feita por Cecília Giménez, de 81 anos, tomou conta do mundo.
A idosa, ao ver que a pintura estava em mau estado de conservação, decidiu recuperá-la.
Inicialmente, ela contou que decidiu fazer o trabalho por conta própria e sem autorização. Depois, afirmou que o padre da igreja em que a pintura está localizada, em Borja (norte da Espanha), havia dado o sinal verde para que ela o fizesse.
A obra ganhou o apelido de "Ecce Mono". "Ecce Homo" é, tradicionalmente, o nome que se dá às pinturas de Jesus com a coroa de espinhos, antes da crucificação. Na paródia, a palavra "Homo" (em latim, homem) foi substituída por "Mono" (em espanhol, macaco).
Nesta semana, duas restauradoras - desta vez, profissionais - vão examinar a obra para saber se há salvação para o Cristo. Já Cecília Giménez está isolada em sua casa. Segundo familiares, ela teve um ataque de ansiedade ao saber da repercussão de seu trabalho.
Milhares de pessoas já fizeram romaria ao santuário espanhol de Nossa Senhora da Misericórdia, em Borja, na Espanha. Elas precisaram fazer fila na igreja local para ver e fotografar a pintura do "Ecce Homo" "restaurado", que já deu a volta ao mundo e virou febre na internet.
Uma grande série de paródias do "Cristo de Borja", pintura do século 19 feita por Elías García Martínez, já circulam na web. Os ícones parodiados vão desde a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, passando pela estátua do "Cristo Redentor", erigida no Rio de Janeiro, ao Chewbacca, da série cinematográfica "Star Wars".
Original: EM, 27/08/2012

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

OCORRÊNCIA

Que loucura!
Ontem, uns cinco dias atrás, tive o meu carro, um Ford Pálio, vermelho prata, placas XYL 1234 (dianteira) e XVT 9876 (traseira), furtado de um estacionamento. Um flanelinha, a quem neguei uma boa gorjeta, indicou-me o local em que eu poderia encontrar o veículo. Encontrei-o. O veículo estava sendo inclusive vigiado por outro flanelinha.
Ainda no mesmo dia, ao parar no cruzamento entre as avenidas Alberto Sá e Godofredo Maciel, o furto reavido virou roubo. Porque, pensando que o sinal verde estava prestes a abrir, eu freei o carro, e disso se aproveitaram dois assaltantes. Pude ver que um deles era alto e baixo, enquanto o outro era um branco retinto. O primeiro usava uma arma espacial e o segundo um punhal que não tinha cabo nem lâmina.
Ensinado a não reagir nessas situações assimétricas, além de tratá-los por excelências, entreguei a chave a eles. Disse-lhes que não tinha a intenção de reaver o veículo, pois a polícia faria isso por mim, e recomendei-lhes que não fizessem pegas com os policiais.
Procurei um DP que estava de greve para fazer o BO e posso afirmar que, ao circunstanciar esse delito continuado, quase levei o delegado à loucura. O que me fez refletir se eu não deveria parar, daquele dia para trás, o meu consumo de tanta cerveja sem álcool.
Felizmente, o veículo foi depois encontrado na Gentilândia, nas imediações do estádio Castelão. Ao lado dele, estavam os corpos dos dois assaltantes que, por falta de mediação e arbitragem, devem ter entrado em luta corporal pela posse do manual de instrução do carro.
Foi um caso típico de suicídio seguido de homicídio, como concluiu o delegado, assim que ele debaixo de vara recuperou plenamente o juízo.
Original: EM, 23/11/2012

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

VIVER DE LUZ

O grande pneumologista Mario Rigatto afirmava que "os seres vivos são máquinas biológicas acionadas por energia solar até elas veiculadas pelo processo respiratório".
Em "Brejo da Cruz", Chico Buarque cantou:
"A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz.
Alucinados,
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz."
Rigatto e Chico têm o respaldo da ciência e da poesia.
Nós, seres humanos, ao contrário dos vegetais que captam diretamente a luz solar pela fotossíntese, necessitamos de cumprir certas formalidades burocráticas como respirar (o que os vegetais também fazem) e comer.
A australiana Jasmuheen, nascida Ellen Greve de Fome e vencedora do Prêmio Ig Nobel de Literatura em 2000, acha que comer não é preciso. Em seu livro "Viver de Luz", ela explica (ou tenta explicar) como é que consegue dispensar o ato de alimentar-se. Agora, numa série de vídeos postados no YouTube, ela volta a defender seu ponto de vista.
Jasmuheen não está só. Os respiratorianos também acham que apenas respirar já é o suficiente. PGCS


Em tempo
Em janeiro de 2011, na cidade de Wolfhalden, na Suíça, uma mulher morreu de fome depois de embarcar em uma dieta espiritual que exigia que ela parasse de comer e beber para apenas da luz solar.
O jornal Tages-Anzeiger, que deu essa notícia, acrescentou que já houve casos semelhantes de morte por auto-inanição na Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália.
Original: EM, 25/10/2012

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MALTHUS ALÉM

Lendário personagem, filho de Enoque e avô de Noé. Não só viu o Dilúvio como pisou na lama que se formou depois.
Uma das diásporas judaicas levou esse patriarca para a Polônia. A bem dizer, Malthus, ao levar com ele a família, é que foi a maior das diásporas.
Com a desculpa de estar "apenas de passagem", ele viveu vários séculos na Polônia.
No século 18, transferiu-se para o Reino Unido onde escreveu um famoso ensaio demográfico. No qual divulgava a ideia de que a população humana cresce em progressão exponencial, enquanto os meios de subsistência crescem como rabo de cavalo. O que refletia, de certa forma, o arrependimento do patriarca por haver gerado uma descendência tão numerosa.
A autoria desse ensaio foi depois erroneamente atribuída a Thomas Malthus. Mas Thomas não era um pensador, era um homem totalmente pragmático. Erradicou as plantações de batata na Irlanda como meio de acabar com a população do país. Não chegou a tanto, porém, como deixou o nome associado a uma questão de controle populacional, foi esse detalhe que acabou gerando a confusão.
Os ensinamentos de Malthus Além podem ser resumidos neste conceito lapidar:
Evite nascer, mas se fizer essa besteira, então tente não morrer.
Ele morreu, tentando até o fim... não morrer. O Guinness Book não reconhece sua longevidade porque ele nunca apresentou uma certidão de nascimento. Só uma versão autografada do Velho Testamento.
Mas Malthus Além deixou uma legião de seguidores no Brasil, dentre eles: Oscar Niemeyer, Dona Canô, João Havelange, Hebe Camargo, Suzana Vieira, Caçulinha, Plínio Arruda, Bibi Ferreira e a repórter Glória Maria.
Original: EM, 18/05/2012

quarta-feira, 30 de julho de 2014

VULCÕES NO BRASIL

Se você depende da crença de que não existem vulcões no Brasil para sustentar algum tipo de ufanismo vai se decepcionar com o que eu vou afirmar. Existem vulcões no Brasil.
Como o Pico do Cabuji, também conhecido como Peito de Moça, que fica no município de Angicos, Rio Grande do Norte. No caminho entre Natal e Mossoró, e há quem diga que ele, com seus 590 metros de altitude, é o verdadeiro Monte Pascoal. Bem, como é um Peito de Moça que já mirrou (desde o Holoceno), é melhor eu seguir viagem.
À ilha de Trindade, que tem numerosos centros vulcânicos. A cerca de 1200 quilômetros da costa do Estado de Espírito Santo, e com íngremes paredões, essa ilha só pode ser visitada de helicóptero. E uma pequena guarnição da Marinha brasileira que vive por lá diz nunca ter visto sinais de atividade vulcânica. Precisaria ter residência fixa na ilha há 40 mil anos para ter pisado na lava ainda quente.
Ah, o Vulcão de Nova Iguaçu! Situado no município de mesmo nome no Rio de Janeiro, este vulcão está completamente extinto. Aliás, pode até não ter existido. As comunidades acadêmicas estão divididas e mantêm há anos acaloradas discussões sobre a realidade do vulcão, indo das placas tectônicas ao fluxo piroclástico. Etc. A mim pouco importa que grupo vá ganhar a contenda, eu não preciso deste vulcão para acendrar (sinônimo de limpar com cinzas) a alma do meu Brasil varonil.
Não muito longe de Nova Iguaçu, mais precisamente na capital do Estado, é onde eu encontro finalmente o meu argumento a fortiori. Ocorre no Rio de Janeiro a maior concentração de vulcões do mundo. A cidade tem centros vulcânicos para islandês nenhum botar defeito. Disfarçados de bueiros da Light, eles explodem a todo instante pela cidade, inquietando a população. E basta uma centelha num desses hot points para garantir a sua ignição.
Ler também: Agora é cinza e Um vulcão sem o guardião.


PS – Surgiu no RJ um movimento para mudar o nome da cidade para "Bueiros nos Ares". FOTOGALERIA

Original: EM, 15/07/2011

quarta-feira, 23 de julho de 2014

LACÔNICAS

1 A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
(William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892)

2 Uma ordem religiosa incluía entre suas exigências o voto de silêncio. Um adepto só podia quebrá-lo uma vez a cada dez anos. Nessa ocasião, ele procurava o superior da congregação, dizia duas palavras e, em seguida, ficava calado por mais dez anos.
Um deles fez as quebras permitidas de silêncio, nas três vezes a que teve direito, com as seguintes palavras: "cama dura", "comida ruim" e "vou embora".
"Vá mesmo, você não se adaptou aqui nestes trinta anos", respondeu-lhe o superior.
Foi uma resposta meio longa para o padrão da ordem, reconheço, mas se tratava de se livrar de um espírito por demais rebelde.

3 Lacônico é o que é dito em poucas palavras, de forma breve, resumida, sintética. Homens de poucas palavras, quase taciturnos e algos rudes eram os antigos habitantes da Lacônia, parte do Peloponeso, de que Esparta era a capital. Diz-se, para exemplificar, que um ateniense enviado como arauto levou-lhes esta advertência: "Se chegarmos a essa cidade, nós a arrasaremos." E a resposta foi meramente esta: "Se..."
(apud Raimundo Magalhães Jr.)

4 Em 1741, Euler chega a Berlim depois de um mês de viagem marítima e terrestre a partir de São Petersburgo para se tornar diretor de matemática na recém-formada Academia de Ciências de Frederico, o Grande. Tendo suportado a intriga política e o regime brutal da Princesa Anna, Euler evitou a cena política ao imergir no trabalho. A mãe de Frederico, Sophia Dorothea, reclamou com Euler porque ele era tão lacônico. A resposta de Euler foi: "Senhora, acabo de chegar de um país onde todas as pessoas que falaram foram enforcadas".
(John Derbyshire, Prime Obsession, p. 59-60)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

GRAVIDEZ DE ALTA DURAÇÃO

A maioria das gestações na espécie humana dura cerca de 9 meses e os médicos decidem induzir o parto se a gestação continua por mais tempo. No entanto, é possível uma mulher permanecer grávida durante um ano inteiro. A mais longa gestação do mundo durou 375 dias e o bebê tinha ao nascer um pouco mais de três quilos.

Gestações de um ano ou mais já deram à luz personagens da mitologia e da literatura. O fato é justificado pela necessidade de a mãe gerar uma obra-prima, muitas vezes destinada a fazer proezas. Com efeito, diz Homero que, tendo Netuno engravidado a Ninfa, esta só deu à luz um ano depois. Como informa Aulo Gélio, tão longo tempo era exigido pela majestade de Netuno, a fim de que o filho fosse formado com perfeição. Pelo mesmo motivo, Júpiter fez durar quarenta e oito horas a noite em que dormiu com Alcmena. Embora aqui se trate de uma fecundação, em menos tempo Júpiter não teria podido forjar Hércules, que limpou o mundo de monstros e tiranos.
Já Gargantua (na gravura acima, de Gustave Doré), personagem principal do romance homônimo de Rabelais, passou onze meses no ventre de sua mãe. E, por causa do inconveniente de ter ela comido tripas quando grávida, é que o bebê Gargantua passou por entre "os cotilédones superiores da matriz, entrou na veia cava e, subindo pelo diafragma até ao alto das espáduas, onde aquela veia se ramifica em duas, encaminhou-se para a esquerda e saiu pelo ouvido".
– Bem, saiu pelo ouvido e quem quiser que conte outra.
Original: EM, 16/06/2011

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A PARÁBOLA DO CHUPIM

O chupim (Molothrus bonariensis) é conhecido pelo hábito de colocar seus ovos nos ninhos de outras aves para que as mesmas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los como filhotes. São diversas as espécies de que o chupim se aproveita para essa forma de materno-infantil de parasitismo, mas o tico-tico (Zonotrichia capensis) é a sua vítima favorita.
A vandalização dos ninhos do pequeno tico-tico pelo chupim, caso aquele não atenda aos propósitos deste, é talvez a grande razão para o tico-tico se deixar explorar pelo chupim - sem piar!
CiênciaHoje: os ovos castanhos e maiores são do chupim 
Dentre outras aves de igual sina, o que ainda não se sabia era que o tucano podia ser uma delas. Mas isso aconteceu de fato, uns vinte anos atrás, quando um chupim decidiu botar um ovo no ninho de um tucano-de-bico-duro (Ramphastos nando cardosus). Se bem que um chupim nunca fosse páreo para um tucano, ave maior e que tem um bico que intimida.
Só que esse tucano tinha certas preocupações, como a de um dia poder reinar sobre as demais aves da floresta. Não queria escândalos. Então, entrou em cena a chamada "turma do abafa": dois tucanos - Tucão e Serrão - além de um observador de pássaros, que, a respeito daquela desavença, garantiu o silêncio de si próprio e de seus companheiros de hobby and lobby.
Dentre as providências tomadas, a trinca mandou o inconveniente chupim ir chocar o seu ovo na Espanha.
Que é uma parábola?
É uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
Quanto custa uma parábola?
Neste caso:
  • A isenção da CPMF para todos os meios de comunicação. 
  • O PROER da Mídia, que custou entre US$ 3 e US$ 6 bilhões aos cofres públicos. 
  • A mudança da Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. 
  • A autorização para que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.
Original: 30/06/2011

quarta-feira, 2 de julho de 2014

GERÔNIMOS

Porque se diz "Gerônimo" quando se pula de paraquedas?
O costume surgiu nos Estados Unidos em 1940.
Um pelotão de paraquedistas do exercito americano teria que fazer uma demonstração de salto, até então inédita, em Fort Benning, Georgia. Seria a demonstração da possibilidade de um ataque maciço de tropas com muitos paraquedistas saltando quase simultaneamente. Para isso, precisariam de muitos paraquedistas, e os saltos teriam de ser feitos rápida e sucessivamente.
No dia anterior à demonstração, alguns soldados estiveram assistindo a um filme de faroeste. Um filme sobre o lendário chefe apache Gerônimo (Geronimo,  de 1939). Estavam todos apreensivos com a missão. Depois de algumas cervejas, o soldado Aubrey Eberhardt, encorajado pela bebida, disse que o salto do dia seguinte seria como outro qualquer.
Os colegas duvidaram da coragem de Eberhardt. E este, injuriado, fez a promessa de que estaria tão tranquilo que ia se lembrar de gritar "Gerônimo!", em alto e bom som, para que todos ouvissem.
De fato, tanto os colegas que estavam dentro do avião, como os que já haviam saltado e estavam por perto, como ainda alguns colegas que estavam em solo ouviram o grito de Eberhardt ao saltar. Ele havia cumprido a promessa e, naquela ocasião, nascia o famoso grito de guerra (e de sorte) dos paraquedistas militares e civis.
Original: EM, 01/06/2013

Porque se escreve "Gerônimo" quando se comunica a morte do inimigo
"Geronimo - EKIA (enemy killed in action)."
Com esta curta mensagem, enviada pelo general Custer para a Casa Branca, um período de dez anos de buscas e repreensões chegou ao desfecho.
O governo dos Estados Unidos conseguiu, finalmente, pegar Geronimo (foto), o lendário chefe apache que tanto aterrorizava o pacífico povo do país.
O índio passara à condição de renegado desde que iniciou uma coleção de escalpos ianques em substituição aos genéricos mexicanos.
Um acordo tácito, que o índio fez com as autoridades do país, autorizava-o a participar de um animado hide-and-seek.
Ao ser divulgada a informação de que ele fora enfim encontrado, os skinheads estadunidenses, em estado de euforia, saíram às ruas para fazer um carnaval fora de época (embora não façam isso em época alguma).
Tudo saiu como estava previsto. Na fronteira com o México, quando era levado para os Estados Unidos, aproveitando-se de um momento de distração de seus captores, o corpo enorme inerme do líder apache decidiu assumir seu próprio destino e se jogar nas águas revoltas do Rio Grande.
Morto, Geronimo não é mais o inimigo público # 1 da nação, agora é o seu mais novo wetback.
Original: EM, 09/05/2011

quarta-feira, 25 de junho de 2014

RECONSTRUINDO IRENE

Nos idos de 2010 escrevi o Irene na Terra. Sem a pretensão de que os pósteros o elegessem como o maior poema da língua portuguesa. Cabia por inteiro numa "tuitada". Além disso, seus três primeiros versos fazem parte de "Irene no céu", de Manoel Bandeira, e o seu quarto (e último) verso conheceu tempos melhores na canção "Irene", de Caetano.
Não era um poema que pudesse fazer frente, por exemplo, ao Maabáratra, de Krishna Dvapayana Vyasa. O poema deste hindu tem 74 mil versos. E se nele formos incluir o "Harivamsa" já sobe para 90 mil versos.
Acontece que, dias atrás, em uma das minhas caminhadas crepusculares por Two Thousand City (Cidade 2000), escutei por acaso uma gravação de Agnaldo Timóteo.
Numa Vitrolex (link não patrocinado), o ex-motorista da Ângela Maria estava a cantar A casa de Irene, versão de um sucesso de Nico Fidenco.
E, nesse instante de grande enlevo, dei-me conta de que tinha um poema inacabado. Então, sem delongas, retornei a ele que assim ficou:
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
Na casa de Irene a tristeza se vai
- Quero ver Irene dar sua risada.
De forma que o poema prossegue aos poucos: tijolo com tijolo num desenho mágico. E dá para ver que, mesmo sendo comparado aos prolixos poetas indianos, eu continuo competitivo.
Original: EM, 11/03/2011

Desescute
Sabem aquela música chata que a gente não consegue tirar da cabeça? Aquele música que, não importa o que a gente faça, fica tocando sem parar no cérebro?
Pois já existe como removê-la. Descobri isso em minha leitura diária do Gente de Mídia, blog do jornalista Nonato Albuquerque.
A solução é apresentada pelo site Desescute, que propõe substituir a música chata por outra... ainda pior!
O site, para dar sustentação ao método que utiliza, baseia-se em recentes "estudos científicos publicados sobre o fenômeno da impregnação melódico-cerebral".
O controlador do EntreMentes ainda não tem uma opinião formada sobre a eficácia do método.
Ao tentar substituir o "Rebolation", do Parangolé, pelo "Sai da minha aba", do Alexandre Pires, recebeu um pacote promocional com o "Morango do Nordeste", do Frank Aguiar, o "Ilariê", da Xuxa, o "Un, dos, tres, Maria", do Ricky Martin, o "Meu pintinho amarelinho", do Gugu e o jingle "Presidente 89" do Eymael.
Se isso não for uma espécie de operação casada e poligâmica, não sabe mais o que é.
Original: EM, 24/02/2011

quarta-feira, 18 de junho de 2014

INCAPAZ DE UM SACRIFÍCIO

Quando Abraão retornou da terra da Visão, Sara o esperava. Mas a recepção que deu ao esposo não foi nada amistosa.
- Trouxe de volta esse imprestável do Isaac, não foi?
- É que Deus mudou de ideia.
- Você falou com Ele?
- Não, mandou um anjo me dizer isso.
- E por que Deus arrependeu-se?
- Não me foi explicado. Penso que tem a ver com os palestinos... mas não é para logo.
- E aí?
- Sabe a Jezebééé?
- Anda desaparecida.
- Andava. Encontrei-a por lá presa num espinheiro.
- E não trouxe a ovelha?
- Não, imolei-a no lugar do Isaac.
- Homem de Deus, por que fez isso?!
- Não era para agradecer?
- Aquela ovelha, Abraaão, eu vinha criando para uma ocasião especial. Uns anjos que vêm almoçar aqui...
- Não diga?!
- Ô, homem, você é incapaz de um sacrifício!
Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto
Original: EM, 14/01/2011