sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
PRIMEIRAS COISAS POR ÚLTIMO
1. O que a matou?
2. Uma longa doença?
3. Ou Ártemis (Diana) com suas flechas?
4. Como está meu pai?
5. Como está meu filho?
6. Meus bens estão seguros?
7. Minha esposa tem sido fiel?
Ela responde todas as perguntas, mas estranhamente na ordem inversa:
7. Sua esposa tem sido fiel.
6. Seus bens estão seguros.
5. Seu filho está prosperando.
4. Seu pai está vivo, mas em condições precárias.
3. Ártemis não me matou com suas flechas.
2. Nem uma doença me matou.
1. Mas minha saudade de você me matou.
Essa inversão é chamada de quiasmo e aparece em toda a literatura oral. Para além do seu efeito estético, pensa-se que pode ter ajudado os poetas antigos a recordarem longas passagens e a estrutura de uma história complexa. (Futility Closet)
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A estruturação do quiasmo (do grego khiasmós, cruzamento) pode entender-se sob a forma de enumeração, na qual os elementos se repetem em ordem invertida. Vejamos como se desenvolve o quiasmo com um exemplo.
1. Acordei.
2. Peguei num livro.
3. Comecei a ler.
3. Acabei de ler.
2. Deixei o livro.
1. Adormeci.
O quiasmo expressar-se-ia da seguinte forma: "Acordei, peguei num livro e comecei a ler. Quando acabei de ler, deixei o livro e adormeci".
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Para melhor compreensão dessa figura de estilo em que os elementos são dispostos de forma cruzada, eis mais alguns exemplos:
Melhor é merecê-los sem os ter / Que possuí-los sem os merecer. (Os Lusíadas, XI, 93)
Evito-o em toda a parte, em toda a parte ele me persegue.
Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigada eu vinha.
Era fera lá fora, em casa carneiro era.
Pouco milho pra muito bico, muita caca pra pouco penico.
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Variante: quiasma. O quiasma óptico é uma estrutura em formato de X formada pelo encontro dos dois nervos ópticos. Localiza-se na parte anterior do assoalho do III ventrículo. Recebe as fibras dos nervos ópticos, que ai cruzam em parte e continuam em direção aos corpos geniculados laterais. (Fig.)
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
POR FORA, POR DENTRO
Por fora, um golden retriever; por dentro, um rotweiller.
Por fora, combates; por dentro, temores.
Por fora, sapatão; por dentro, sapatilha.
Por fora, rindo; por dentro, chorando.
Por fora, acordado; por dentro, dormindo.
Por fora, rico; por dentro, pobre.
domingo, 30 de outubro de 2022
BANCO
Um banco é um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta quando começa a chover. ~ Desconhecido
O que é roubar um banco comparado a fundar um banco? ~ Bertolt Brecht
Dê uma arma a um homem e ele pode roubar um banco; dê um banco a um homem e ele pode roubar o mundo. ~ Mr Robot.
Se não tivesse o caso ido a julgamento passaria por uma invencionice.
Em 2008, um cidadão francês acessou o Banco da França (Banque de France) através do Skype.
Sem identificá-lo, o sistema de segurança do banco permitiu o seu acesso com a senha... 123456.
Mas, não sabendo o que fazer, ele desligou o telefone e foi cuidar de seus negócios.
Descoberta a intrusão, o Banco da França paralisou seus serviços por 48 horas para checar o que tinha acontecido ao sistema. Imagino que, durante esse período, cabeças tenham rolado.
Só em 2010, é que a polícia francesa conseguiu identificar e localizar o tal "hacker". A demora foi causada por problemas enfrentados para receber os dados do intruso no Skype, cuja sede fica no "distante" Luxemburgo.
O fato é que o pobre homem foi preso e levado a julgamento, mas foi absolvido porque o tribunal não constatou nenhuma intenção malévola.
Le Nouvel Observateur
- O que impede de ter uma vida financeira boa?
sexta-feira, 30 de setembro de 2022
A CARIDADE ROMANA
Curiosamente, existem muitas lendas semelhantes. A caridade romana é a história de uma mulher, Pero, que amamenta secretamente seu pai Cimon depois que ele é encarcerado e sentenciado à morte pela fome. Essa história consta do "Nove Livros de Atos Memoráveis e Provérbios dos Antigos Romanos", do historiador Valerius Maximus. Também teve ecos mitológicos na amamentação de Hércules adulto por Juno, e foi um um tema recorrente para pintores (Caravaggio e Rubens, o segundo fez várias versões) e escultores (no campanário de Ghent). E, no final do romance "As Vinhas da Ira" (1939), de John Steinbeck, quando Rosa de Sharon amamenta um homem doente e faminto no canto de um celeiro.
terça-feira, 30 de agosto de 2022
+ CEBOLA CORTADA
"É um lugar tão secreto, a terra das lágrimas."
~ Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe"
Em "The Topography of Tears", a fotógrafa Rose-Lynn Fisher explora uma série de fotografias duotônicas de lágrimas derramadas por um caleidoscópio de razões: alegria, tristeza, remorso, esperança, compaixão etc. (por cebolas cortadas), a seguir secas em lâminas de vidro e capturadas em uma ampliação cem vezes maior por meio de um microscópio óptico de alta resolução.
A cebola, que tem sido usada como uma metáfora para a vida (porque se descasca chorando), está em via de perder seu antigo atributo.
sábado, 30 de julho de 2022
CEBOLA CORTADA
Na mesa posta, o frango desossado
(lembra o tempo? Ah, o tempo
em que eu era mais amado!)
o arroz à grega
para troiano nenhum botar defeito
que eu comia até dizer "chega!"
com aqueles anéis de cebola a dorê
tão supimpas (que a Deus eu pedia
tivessem o tamanho do bambolê);
In: BRIGAS NA COZINHA
Fui colega de turma do compositor cearense Petrúcio no Colégio Batista Santos Dumont, em Fortaleza. Falecido em 06/05/1994, de causa natural, Petrúcio Maia compôs: "Dorothy L'amour", "Frenesi", "Passarás, passarás, passarás", "Batuquê de Praia" (que Fagner gravou com Zico) e "Cebola Cortada", entre outros sucessos musicais.
Vídeo: CEBOLA CORTADA c/ MPB4 e Milton
À primeira vista
Não se impressione com a imagem. A cebola não é intrinsecamente má.
Há uma lágrima no último quadrinho, mas a cebola não é intrinsecamente má.
Por que cortar cebola faz chorar
O corte da cebola libera de suas células um composto de enxofre volátil que, chegando aos olhos, reage com a água das lágrimas, produzindo ácido sulfúrico. Este ácido, por sua vez, irritando as terminações nervosas do olho, causa uma sensação de ardência. Em resposta à irritação, as glândulas lacrimais entram em ação, produzindo e liberando lágrimas para a remoção da substância ácida.
A seguir: + CEBOLA CORTADA
quinta-feira, 30 de junho de 2022
NÃO SEI ...
se vou ao Japão ou ao Jalapão
se caso ou se compro uma bicicleta
se rio ou choro
se fico ou se voo✈
só sei que foi assim.
Do socrático "Só sei que nada sei" ao chicótico "Não sei, só sei que foi assim"
Como eu vim parar neste vídeo?
A ciência acontece nas bordas, nas margens, nas fronteiras. Ocorre onde o conhecido se envolve com o desconhecido. É um método, um mecanismo, uma ferramenta para converter incógnitas em clareza, ganhar novos conhecimentos, revelar novas informações e descobrir novos processos.
"Não sei" é uma frase supreendentemente libertadora. (Leia mais em: https://forbes.com.br/carreira/2019/08/porque-a-frase-eu-nao-sei-e-tao-poderosa/)segunda-feira, 30 de maio de 2022
PRINCÍPIO DE PARETO
Em 1897, Pareto estava mexendo em seu jardim, quando fez uma descoberta interessante. Ele percebeu que aproximadamente 80% das ervilhas eram produzidas por 20% das vagens. Pareto tinha uma mente matemática. Ao contrário de muitos economistas da época, suas publicações científicas e livros eram preenchidos com equações. E as ervilhas colocaram seu cérebro matemático para funcionar.
E se esta distribuição também estivesse presente em outras áreas da vida?
Na época, Pareto também estudou a distribuição de riqueza em vários países europeus. Como era italiano, ele começou seus estudos analisando a distribuição de renda na Itália. Para sua surpresa, ele descobriu que aproximadamente 80% das terras na Itália eram propriedade de apenas 20% da população. De maneira similar às vagens no seu jardim, a maior parte dos recursos era controlada por uma pequena porção das pessoas.
Pareto então seguiu a sua análise com outros países, e em pouco tempo um padrão similar começou a ser observado.
Em engenharia de software, Lowell Arthur expressou um corolário: "20% do código contém 80% dos erros. Encontre-os e conserte-os."Por exemplo, a Microsoft notou que, ao corrigir os primeiros 20% dos bugs mais relatados, 80% dos erros e panes relacionadas em um dado sistema seriam eliminados.(WIKI)
A seguir, mais alguns fatos que ilustram o Princípio de Pareto:
80% do total de vendas estão relacionados com 20% dos produtos;(*) Na realidade, quando dois conjuntos de dados relativos a causa e efeito são relacionados e examinados, o resultado mais esperado é que exista um padrão de desigualdade. Esse padrão pode ser 65/35, 70/30, 75/25, 80/20, 99/1, ou qualquer outro número entre eles. Na realidade, eles nem mesmo precisam somar 100.
80% dos lucros estão relacionados com 20% dos clientes;
80% dos acidentes de trânsito são causados por 20% dos motoristas;
80% dos recursos de saúde são utilizados por 20% dos pacientes;
80% dos usuários de computador usam apenas 20% dos recursos disponíveis;
80% do tempo estamos usando 20% de nossas roupas;
80% das pessoas preferem 20% dos sabores ou cores disponíveis;
80% dos resultados são obtidos por 20% dos funcionários.
80% dos novos casos de Covid-19 têm como origem 20% dos infectados (negacionistas).
80% das mortes em terremotos são causadas por 20% dos grandes abalos sísmicos.
sábado, 30 de abril de 2022
PÉROLAS DE MARISCO
~ Alexandra Dias Marques, por e-mail
Não sou um avaliador de pérolas de qualquer tipo. Em 2011, divulguei a experiência por que passou o genealogista e historiador Ormuz Simonetti quando se deliciava com um caldo de sururu. Depois disso, em 2016, 2018 e 2020, tornei a publicar três notas sobre ostras e pérolas. Você deve ter-se equivocado, por conta disso.
Expertise em pérolas tenho não, mas aqui vão umas dicas que eu andei coletando na web:
- Brilho: é o primeiro critério a ser observado. Quanto maior for o brilho, maior a quantidade de nácar sobre o núcleo, portanto, melhor qualidade.
- Homogeneidade da forma: verrugas, estrias e manchas diminuem o valor das pérolas.
- Cor: é o fator mais subjetivo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pérolas que possuem a cor branca com um leve brilho róseo são as mais valorizadas. No Brasil, a preferência recai sobre as pérolas brancas com reflexos creme.
- Tamanho: quanto maior, mais valiosa é a pérola.
http://www.cpt.com.br/cursos-comofazer/artigos/perolas-tipos-como-avaliar-comprar-e-conservar-as-joias
Na verdade, as variedades comestíveis de ostras produzem um tipo diferente de "pérola" do que é produzido pelas ostras perlíferas. A maioria das pérolas encontradas em ostras comestíveis (ou mariscos) não vale muito ou não vale nada. Elas geralmente são deformadas; no entanto, fique de olho nas redondas. E, se sentir algo duro quando estiver comendo os frutos do mar, não tente mastigá-lo. A maior parte das pérolas encontradas nas ostras comestíveis é bem dura e pode quebrar seu dente. Retire-a da boca imediatamente e, se for redonda, suave e brilhante, leve-a a uma joalheria para ser avaliada.
quarta-feira, 30 de março de 2022
TROCADILHOS
Não tenho preconceito contra trocadilhos. Aliás, considero-os uma das fórmulas consagradas para fazer humor. Nem Cristo dispensou os parônimos: "Pedro, tu és pedra...".
Um entrevistador perguntou a Lamartine Babo qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting, Lalá não vacilou: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um… Uns desejam ir ao céu… já que atuam no éter… Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter… Os pensamentos da classe são éter… ó… gênios…" - e isso lhe valeu o título de "O Pior Trocadilho de 1941".
Gregory Peck morreu em 2003 e Deborah Kerr, poucos anos depois. Este segundo fato, ao ser divulgado na mídia, colocou novamente em evidência o trocadilho "Se a Deborah Kerr (quer) que o Gregory Peck (peque)", da canção "Flagra", de Rita Lee e Roberto de Carvalho, que foi tema de abertura da novela "Final Feliz" (TV Globo, 1983). Mas, este tópico serve também para levantar uma questão. Apesar da contemporaneidade dos dois atores em Hollywood, alguma vez filmaram juntos? Penso que não. Agora, certo é que, em nossa língua, ambos vão estar juntos para sempre. Pelo trocadilho.
"Mesmo soFRIDA jamais me Kahlo". "Esta é a última foto de Marjorie Estiano (que sai em toda virada do ano)". "Se você não riu dessas piadas, pelo menos o Damon Hill". "Se não gostou, faça melhor! A Betty Faria." Ah, os infames trocadilhos com os nomes dos famosos.
Recentemente, surgiram os trocadilhos verbivocovisuais (como diriam os poetas concretos):segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
O PLÁGIO DE NOSSA BANDEIRA. CONCLUSÃO
As três faixas horizontais representam três regiões marcantes da Líbia: Fezã (vermelha), Cirenaica (preta) e Tripolitânia (verde).
Quanto à lua crescente e à estrela de cinco pontas, foram incluídas no novo estandarte líbio com a suposta intenção de amealhar votos positivos no Quora.
Acho que, de alguma forma, repercutiu a denúncia que fiz em abril de 2010, acusando-os de que eles planejavam copiar gradativamente a bandeira do Brasil (rsrsrs).
(*) Muammar Kadafi (que tem 37 grafias diferentes para o seu nome em árabe, segundo Ivan Lessa) é o autor do livro "Fuga para o Inferno e Outras Histórias", do qual consta o conto "Hiram, o Camelinho Manco", considerado "antológico" por Pierre Salinger (ex-Secretário de Imprensa dos EUA e criador de ungulados).
Original: EntreMentes
domingo, 30 de janeiro de 2022
O HOMEM COM "MAS"
Almoça, mas não janta.
Discursa, mas não convence.
Atira, mas não acerta.
Começa, mas não acaba (é capixaba).
Contudo, porém, todavia...
só sabe elogiar com "mas".
(em construção)
"Será melhor lidar com as adversidades da conjunção MAS
ou com as pessoas MÁS?
Falando em MAS:
Quem escreve MAIS ou MAS achando que tanto faz,
erra DEMAIS.
MAS, se prestar a devida atenção, um dia não errará MAIS.
E viverá na santa paz." (AA)
Nothing someone says before the word "but" really counts. Nada que alguém diz antes do "mas" realmente conta. (Benjen Stark, do "Game of Thrones")
Esta série engraçada e direta mostra como a sociedade moderna pode ser contraditória graças ao consumismo e outros fatores. A série, intitulada “YES, BUT” apresenta quadrinhos de dois painéis que são capazes de mostrar ironia, absurdo e humor através de seu estilo de arte simples. Criadas pelo artista russo Anton Gudim , as ilustrações desta série podem ser vistas em sua conta no Instagram.
Ver O HOMEM DO CONTRA e também A MULHER DO PRÓXIMO
http://preblog-pg.blogspot.com/2008/01/homem-mulher.html
quinta-feira, 30 de dezembro de 2021
O PUXA-SACO (2)
"Todo adulador vive à custa de quem o escuta." ~ La Fontaine
Cada frase desta nobre e vil criatura "é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento", observou Georges Clemenceau
Dante Alighieri colocou os aduladores no oitavo circulo do inferno, junto aos semeadores de discórdia, dos corruptos e dos hipócritas.
Estão no fundo de uma vala, imersos em fezes.
| "Deixe-me limpar suas caspas, chefinho." |
No livro "Você é o Máximo – A História do Puxa-saquismo", Richard Stengel, ex-editor da Time, escreve que Plutarco dava uma dica para se proteger dos sicofantas.
"Mude suas ideias abruptamente e observe: o bajulador o seguirá."O puxa-saco (1)
terça-feira, 30 de novembro de 2021
PELA TANGENTE
- Como o senhor viu o fato?
- Pela televisão.
Num consultório:
- Doutor, quebrei meu braço em dois lugares. O que é preciso fazer?
- Não voltar mais a esses lugares.
Numa barbearia:
- Como quer que eu corte o cabelo?
- Em silêncio.
Num funeral:
- Quem é o morto?
- O que está no caixão.
Noutra entrevista:
- Mas a sua prole é grande!
- E grossa...
- Como ela se veste?
- Muito rápido.
sábado, 30 de outubro de 2021
PALAVRAS MÁGICAS
- Abracadabra
- Abre-te, Sésamo
- Hocus Pocus
Mas, como devem ser capazes de consolar, então citarei estas:
- Grátis
- VDMEM
- AGCNV
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
CONTENCIOSOS ENTRE O BRASIL E A FRANÇA
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2010/09/origem-da-familia-gurgel-do-amaral.html
A tentativa seguinte do Reino Franco foi implantar a França Equinocial no Maranhão, em 1594. Por intermédio de navegadores franceses, que eram negociantes particulares contando com o apoio do rei francês Francisco I. Após muitas batalhas, os franceses foram expulsos definitivamente, em 1615. Os franceses, contudo, jamais desistiram de fixar uma colônia na América do Sul. Finalmente, conseguiram fazê-lo no território que hoje é a Guiana Francesa, com a fundação de Caiena em 1637.
É bom lembrar. Foi Palheta quem trouxe da Guiana Francesa as primeiras mudas de café para o Brasil, em 1727. A história é rocambolesca, envolve todo tipo de favores por parte da esposa do então governador de Caiena, apaixonada pelo fazendeiro do Pará. Vale a publicação de uma thread no Twitter.
http://blogdopg.blogspot.com/2021/07/a-semente-do-ouro-negro.html c/ vídeo
Para se vingar da invasão napoleônica de Portugal, D. João VI também comandou negócios de contrabando, em 1809. E há, segundo Luiz Antonio Simas, uma história curiosa nessa treta.
Na Guiana Francesa havia o horto La Gabriela, onde eram cultivados os mais variados tipos de especiarias. Dom Rodrigo de Souza Coutinho, que cuidava dos hortos brasileiros, determinou que fossem transportadas de Caiena para o Brasil mudas de diversas plantas.
Foi assim que chegaram ao Brasil mudas de cravo da índia, canela, fruta-pão, noz moscada, cana caiena (caiana), abacateiro etc. As mudas - de 82 espécies - foram fundamentais para o desenvolvimento do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
http://twitter.com/simas_luiz/status/1165663171522289664
A Guerra da Lagosta, como a imprensa da época jocosamente denominou, foi um contencioso entre os governos do Brasil e da França, que se desenvolveu entre 1961 e 1963. O episódio faz parte da História das Relações Internacionais do Brasil, e girou em torno da captura ilegal de lagostas, por parte de embarcações de pesca francesas, em águas territoriais no litoral da região Nordeste do Brasil.
Em 1961, o então presidente da república brasileira, Jânio da Silva Quadros, preparou um plano secreto que envolvia o governador nomeado Moura Cavalcanti, do Amapá, para a invasão e consequente anexação brasileira da Guiana Francesa. A operação chegou a entrar em fase de treinamento militar, mas foi abortada pela inesperada renúncia de Quadros.
Ainda ensejou que o novo governo brasileiro (João Goulart) tomasse uma atitude de persuasão naval, determinando o envio de navios da Marinha do Brasil ao local da crise a fim de demonstrar que o País estava disposto a defender seus direitos. Finalmente, o conflito de interesses foi resolvido no campo da diplomacia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Lagosta
Neste mais recente contencioso com a França, vencemos com a experiência que havíamos adquirido na Batalha de Itararé. O risco atual é sermos tentados a excluir a França da situação de país amazônico. Ao tempo em que também lhe expropiaremos a base de Kourou para compensar a besteira que fizemos, em 2019, quando cedemos aos gringos a nossa base espacial em Alcântara. Ora, a França divide com o Brasil a maior de suas fronteiras (673 km), e sabem o que isto representa em caso de confronto? Os e-books de história relatarão no futuro que o Brasil foi anexado à Guiana Francesa.
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
TRISCADEICAFOBIA
Triscadeicafobia (de triskaidekaphobia).
Há um programa de 12 passos para o tratamento dos portadores desta fobia.
O último deles diz:
A mais antiga referência ao 13 como um número de má sorte estaria no Código de Hamurabi, de 1780 a.C., onde o artigo 13 foi omitido. Na verdade, o código original de Hamurabi não tem numeração. A tradução de LW King, de 1910, editada por Richard Hooker, é que omitiu o artigo. No entanto, outras traduções do Código incluiram o artigo 13. Como, por exemplo, a tradução de Robert Francis Harper.
II
De acordo com a empresa Otis, 85 por cento dos painéis que eles criam para seus elevadores omitem o andar 13. Por vezes, em favor de 12A; outras vezes, substituindo-o por M, a 13ª letra do alfabeto. Em alguns edifícios, o 13º andar é relegado para funções mecânicas ou de armazenamento, ou é dado a ele uma designação especial (como "Pool Nivel" ou "Restaurant Floor").
Nomes de facínoras com 13 letrasALBERT DE SALVO (o Estrangulador de Boston)
THEODORE BUNDY (serial killer)
JEFFREY DAHMER (serial killer)
JACK THE RIPPER (Jack, o Estripador)
CHARLES MANSON (na foto ao lado, assassino da atriz Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polanski, e atualmente cumprindo pena de prisão perpétua na Califórnia)
III
Schoenberg sofria de triscadeicafobia, que é um medo paralisante do número 13. O irônico, ou incrível, é que ele nasceu em 13 de setembro de 1874 e, como o destino quis, morreu em 13 de julho de 1951 (uma sexta-feira 13) aos 76 anos (7 + 6 = 13). Para ele, uma combinação perigosa.
Poderíamos considerar irrelevantes esses fatores extramusicais da vida desse importante compositor vienense que chegou à cena musical, praticamente, como autodidata. Entretanto, a superstição também influenciou algumas de suas decisões na vida profissional. Vamos a um bom exemplo. No final da década de 1920, de forma intencional, grafou o título de sua ópera inacabada como "Moses und Aron", quando o correto seria "Moses und Aaron", adivinhem o motivo!
E será que esse fascínio pela numerologia influenciou Schoenberg na maior de suas invenções, o sistema dodecafônico de composição?
sexta-feira, 30 de julho de 2021
MICROLITERATURA (2)
Nela estão o microconto, o micropoema, o haikai e outras produções literárias assemelhadas.
No caso do microconto, costuma-se limitá-lo a um teto de 150 caracteres. A concisão, no entanto, não é a única característica do microconto. Este, mais do que mostrar, deve sugerir. Cabendo ao leitor a tarefa de preencher - com a imaginação - as "elipses narrativas" do microconto.
Estabelecer um limite de 150 caracteres permite, por exemplo, o microconto ser enviado como "torpedo" por um telefone celular, o que em si já evidencia a sua ligação com as novas tecnologias de informação e comunicação.
Uma variante do microconto é o nanoconto, do qual se exige um máximo de 50 letras. São exemplos do nanoconto:
"Quando acordou o dinossauro ainda estava lá."
"Garota, 9, desaparece ao usar creme que rejuvenesce 10 anos."O professor de literatura comparada da Universidade Hebraica de Jerusalém, David Fishelov, é um estudioso das "histórias que têm apenas seis palavras". Em seu ensaio sobre o assunto, "The Poetics of Six-Words Stories", cujo título tem inclusive seis palavras (desde que você conte a hifenizada "Six-Words" como sendo apenas uma palavra).
Então, quem foi o criador dessa tão radical categoria de narrativa?
Alguns afirmam que foi Ernest Hemingway. Com seu famoso conto: "For sale: baby shoes, never worn" (À venda: sapatos de bebê, nunca usados).
Quanto ao micropoema, reúno alguma experiência no ramo com meus "Micropoemas do Infortúnio".
Voai, beija-florHelicoptérica ave, voai- - - para trás, principalmente.Pois não importa aonde ides- - - e sim:::- - - - - - - - - ¿onde estiverdes?
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quarta-feira, 30 de junho de 2021
O JULGAMENTO DE FRINEIA
Mesmo com sua preparação e esforço, o talentoso Hiperides, um dos dez oradores áticos (eram uma espécie de advogados da Antiguidade clássica), não estava conseguindo convencer o júri.
No momento da sentença, os jurados botaram o polegar para baixo. Era a condenação fatal.
Olavo Bilac tem um poema dedicado a esse julgamento dramático. Segundo o poeta, ela despiu os véus que a cobriam e surgiu toda nua, "no triunfo imortal da Carne e da Beleza".
São estes os versos finais do poema:
Pasmam subitamente os juizes deslumbrados,Diante daquela monumental escultura, "um a um os polegares dos juízes foram subindo, subindo, sendo provável que também subissem outras partes dos respeitáveis membros do júri".
- Leões pelo calmo olhar de um domador curvados:
Nua e branca, de pé, patente à luz do dia
Todo o corpo ideal, Frineia aparecia
Diante da multidão atônita e surpresa,
No triunfo imortal da Carne e da Beleza.
(Os créditos de tais detalhes pertencem Carlos Heitor Cony.)
A verdade é que a história do julgamento de Frineia foi recriada com base em poucas passagens de escritos da época e relatos de autores que não estiverem presentes. Sabe-se que o julgamento ocorreu e que o discurso de Hipérides em sua defesa foi um dos mais admirados da Antiguidade, mas dele restam apenas alguns fragmentos.
Nada disso impediu que o dramático julgamento inspirasse várias obras de arte, desde pinturas como a que ilustra esta postagem, de Jean-Léon Gérôme (1861), e várias outras, até esculturas de artistas como o americano Albert Weine.
Além de Olavo Bilac, poetas como Charles Baudelaire, Francisco de Quevedo e Rainer Maria Rilke escreveram pensando em Frineia, o francês Camille Saint-Saëns criou uma ópera que leva seu nome, e o italiano Mario Bonnard dirigiu um filme sobre a cortesã.
No Brasil, Adelino Moreira compôs "Escultura", que alcançou grande sucesso na voz de Nelson Gonçalves. Neste samba-canção, ao criar em sua imaginação uma mulher que atingisse a perfeição, Adelino não foi buscar em Frineia o atributo da beleza e sim o da malícia.
domingo, 30 de maio de 2021
NEM QUE A VACA TUSSA
No dia de São Nunca.Quando a galinha criar dentes.Nem que chova canivete.Pagando para ver.No tempo que Adão era cadete.Um dia sim, oito não.Nas calendas gregas (Ad kalendas graecas).Em zero de onzembro.Nem a pau, Nicolau!
sexta-feira, 30 de abril de 2021
PONTO DE EXCLAMAÇÃO E OUTROS PONTOS
No grego antigo (grego, de qualquer época, para mim é grego!) não existia o sinal de exclamação.
Reza a lenda que, cansado de ler textos sem este recurso gráfico, Aristófanes de Bizâncio (250 -180 a.C.), criou os primeiros sinais de pontuação.
Sua origem, porém, ainda é incerta. Uma das hipóteses é que tenha surgido da palavra latina "lo" (não confunda com "lol"), uma interjeição que significa "viva!" muito usada em aclamações. Na qual, para formar o ponto de exclamação, a letra "l" se sobrepôs" à letra "o" (confira neste vídeo do Nexo Jornal).
O ponto de exclamação foi chamado de "ponto de admiração" até o século XVII. Curiosamente, a Bíblia impressa no português incluiu o ponto de exclamação, pela primeira vez, em meados do século dezoito, em 1748.
É também o símbolo do fatorial na Matemática.
Leia abaixo a última estrofe do poema "O Navio Negreiro":
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais!... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Observe quanto o autor, o poeta abolicionista Castro Alves, utilizou-se dos pontos de exclamação para expressar a infâmia do tráfico de escravos.
3
Mesmo com o advento do ponto de exclamaçao, as línguas europeias continuam carentes de sinais de pontuação que expressem algumas emoções ou deem novos sentidos às frases. Luís Fernando Veríssimo, por exemplo, sempre se queixou da falta do "ponto de ironia". E o "kkkkk", como sugeriu Nelson Motta, não pode ser considerado um recurso similar.
Na verdade, o tal "ponto de ironia" já foi inventado por Alcanter de Brahm, no século XIX:
Alcanter de Brahm, pseudônimo de Marcel Bernhardt, foi um poeta francês.
terça-feira, 30 de março de 2021
RESTAURADORES DA ESPANHA
http://blogdopg.blogspot.com/2012/08/a-pior-restauracao-do-mundo.html
2 - "São Jorge", do século 16, da igreja São Miguel, em Estella, Espanha.
http://blogdopg.blogspot.com/2018/06/a-malsucedida-restauracao-de-uma.html
3 - "Imaculada Conceição do Escorial", do acervo de um colecionador espanhol.
Segundo o jornal espanhol "El Diario", um colecionador de obras da Espanha contratou um restaurador de móveis para recuperar a famosa pintura "Imaculada Conceição do Escorial", do artista barroco Bartolomé Esteban Murillo. O resultado, entretanto, não saiu conforme o esperado.
http://twitter.com/i/events/1275460652107042816
No que se refere a restauradores, há quem diga que a Espanha é o maior celeiro do mundo.
domingo, 7 de março de 2021
SAMBA DO FUNESTO
Funesto nos convidou
Pro samba
- Ele mora no BRA...
Nós fumos e não encontremos ninguém
Outro dia encontremos Funesto
Que pediu disculpa
Mas nós não aceitemos
Isto não se faz, Funesto
Nós não azara
Mas você devia ter ponhado
Uma másc'ra na cara
- Nós não semos tal tu.
domingo, 28 de fevereiro de 2021
MEMENTO MORI
Quando o compositor polaco André Tchaikowsky morreu em 1982, ele deixou o seu crânio para a Royal Shakespeare Company na esperança de que ele poderia aparecer como Yorick em uma produção de "Hamlet".
Ninguém se sentia à vontade para cumprir esse desejo até que David Tennant (foto) usou o crânio numa apresentação em Stratford-upon-Avon em 2008. Ele continuou a usá-lo durante muito tempo, inclusive em uma adaptação de "Hamlet" para a televisão.
"O crânio de André era um profundo memento mori, o que talvez nenhum outro crânio conseguisse representar", disse o diretor Gregory Doran. "Espero que outras produções possam, com o maior respeito por André, a continuar usando o seu crânio como ele pretendia que fosse utilizado, precisamente para esse efeito."
Você já se sentiu imortal, com a força de mil sóis - eternos e invencíveis? Sim, eu também. Mas adivinhem? Existe uma forma de arte destinada a lembrá-lo constantemente de sua inevitável e permanente morte. É memento mori! Que, em latim, significa "lembre-se da morte" ou, se você quiser levar para o lado pessoal: "lembre-se de que você deve morrer". Se você olhar para as pinturas europeias de memento mori desde os tempos medievais até o século 19, poderá notar coisas como: - Caveiras - Frutas e flores em decomposição - O Ceifador - Um baralho de cartas - Ampulhetas - Mais frutas e flores em decomposição. Esses eram elementos que os pintores incluiriam em uma natureza morta, um retrato ou uma cena bíblica para garantir que você não escapasse do fato de ser temporário - que um dia sua ampulheta ficará sem areia e ...
sábado, 30 de janeiro de 2021
A TODO VAPOR
Chico Buarque e Ruy Guerra, na canção "Não Existe Pecado ao Sul do Equador"
Em 1891, este protótipo de vibrador foi submetido à consideração do Escritório de Patentes dos Estados Unidos. Era movido a vapor, tinha o nome de "Heavy Duty, Industrial-Model, Steam-Powered Dildo" e a patente foi indeferida pelo órgão responsável.
- The Impious Digest
Concerto a vapor
Esta visão fantástico-satírica da música mecânica é o produto de um caricaturista francês do século 19, Jean Ignace Isidoro Gerard, conhecido como JJ Grandville (1803-1847). Ele apresenta, em seu livro "Un autre monde" (Um outro mundo), de 1844, uma coleção de desenhos e histórias que exploram as visões proto-surrealistas do autor durante a Monarquia de Julho na França (de 1830 a 1838).
O enredo de Grandville começa quando um dos três protagonistas do livro, o empresário Dr. Puff, descobre uma dúzia de "músicos de ferro fundido" arrumados em seu inventário de esquisitices mecânicas. Em seguida, Puff concebe um sensacional "concerto a vapor", alegando que "o único meio de satisfazer as demandas musicais do público é inventar cantores do tipo para operar uma orquestra a vapor.
Graças a esta invenção admirável, já não é preciso se preocupar com cantores que pegam um resfriado, uma bronquite ou perdem a voz. Já que a voz dos tenores, baixos, barítonos, sopranos e contraltos está a salvo de todos os acidentes; os instrumentos movidos a vapor produzem efeitos de precisão surpreendente. E os grandes compositores da era, finalmente, encontram intérpretes à altura de suas melodias. Nesse século do progresso, a máquina é mesmo um ser humano aperfeiçoado.
- A Steam Concert, Museum of Imaginary Musical Instruments
Robô a vapor
Em 1868, o Newark Advertiser publicou uma matéria sobre uma "Invenção Mecânica Notável - Um Homem a Vapor".
- O primeiro robô movido a vapor
Fig. 3
O invento inspirou o primeiro romance de ficção científica dos EUA, "The Steam Man of the Prairies" (O Homem-Vapor das Pradarias), de Edward Sylvester Ellis. No romance (em domínio público mundial, disponível na Wikisource), o homem a vapor foi construído por Johnny Brainerd, um garoto adolescente, que usa o homem a vapor para carregá-lo em uma carruagem em várias aventuras.
Fig. 4 (abaixo)
Embora a invenção do motor de combustão interna no final do século XIX parecesse ter tornado obsoleta a máquina a vapor, ela ainda hoje é utilizadaː por exemplo, nos reatores nucleares.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
MÉDICOS CONTAM CAUSOS DA CASERNA
Em 25 de outubro, quinta-feira, às 20 horas, no auditório do Edifício-Sede da Unimed-Fortaleza, aconteceu o lançamento de "OMBRO, ARMA! - Médicos contam causos da caserna", um livro organizado e apresentado pelo colega Marcelo Gurgel.
A obra, que reúne textos de 18 médicos escritores, tem o prefácio escrito pelo neurocirurgião Dr. Flávio Leitão – membro da Sobrames-CE, e três apêndices inseridos.
– Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg– Célio Vidal Pessoa
– Francisco José Costa Eleutério
– Francisco Sérgio Rangel de Paula Pessoa
– Helano Neiva de Castro
– Jorge Augusto de Oliveira Prestes
– José Luciano Sidney Marques
– José Ramon Porto Pinheiro
– Liêvin Matos Rebouças
– Lineu Ferreira Jucá
– Luiz Gonzaga Moura Jr.
– Luiz Gonzaga Porto Pinheiro
– Marcelo Gurgel Carlos da Silva (org.)
– Paulo Alfredo Simonetti Gomes
– Paulo Gurgel Carlos da Silva
– Paulo Roberto de Souza Coelho
– Raimundo José Arruda Bastos
– Walter Gomes de Miranda Filho
Capa: Isaac Furtado | Projeto e editoração: Alexssandro Lima | Revisão: Francisco Dermeval Pedrosa Martins e Marcelo Gurgel | Tiragem: 500 exemplares | Gráfica: Expressão Gráfica e Editora | Ano: 2018 | ISBN: 978-85-420-1300-9 É o terceiro livro de uma tetralogia de causos da caserna escritos por esculápios. Os títulos anteriores são "MEIA-VOLTA, VOLVER!", de 2014, e "ORDINÁRIO, MARCHE!", de 2015.
Em 14/12/2020, às 19h30, numa sessão virtual pelo Google Meets, aconteceu o lançamento de "FORA DE FORMA! - "Médicos contam causos da caverna", um livro organizado e apresentado por Marcelo Gurgel.
A obra, que reúne textos de 17 médicos escritores, tem o prefácio escrito pelo Dr. Sebastião Diógenes – membro da Academia Cearense de Medicina, da Sobrames-CE e da Academia Quixadaense de Letras, e inclui as biografias de três médicos militares (Oswaldo Riedel, Eleazar de Aguiar Campos e Wilson da Silva Boia) e as reminiscências de um dos coautores (pertinentes ao tempo em que ele viveu nos confins da Amazônia).
Autores (pôr imagem do livro)– Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg
– Áttila Nogueira Queiroz
– Dennis Tomio Fujiite
– Djacir Gurgel de Figueirêdo
– Francisco José Costa Eleutério
– José Luciano Sidney Marques
– José Maria Chaves
– José Mauro Mendes Gifoni
– José Ramon Porto Pinheiro
– Lineu Ferreira Jucá
– Luiz Gonzaga Moura Jr.
– Marcelo Gurgel Carlos da Silva (org.)
– Paulo Gurgel Carlos da Silva
– Paulo Henrique de Moura Reis
– Paulo de Tarso Campos Ferreira
– Raimundo José Arruda Bastos
– Walter Gomes de Miranda Filho
Ficha técnica
Capa: Isaac Furtado | Projeto e editoração: Francisco Myard | Revisão: Marcelo Gurgel e Angelita Aníbal de Castro | Tiragem: 500 exemplares | Gráfica: Expressão Gráfica e Editora | Ano: 2020 | ISBN: 978-65-5556-107-4 É o quarto livro de uma tetralogia de causos da caserna escritos por esculápios. Os títulos anteriores são "MEIA-VOLTA, VOLVER!", de 2014, "ORDINÁRIO, MARCHE!", de 2015, e "OMBRO, ARMA!", de 2018.
LINK para 1 e 2
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
O COMEDOR DE OSTRAS
A coragem do primeiro comedor de ostras é reconhecida há pelo menos quatrocentos anos. As primeiras evidências publicadas foram escritas por Thomas Moffett, um influente médico inglês que morreu em 1604. Mas várias figuras fizeram observações semelhantes ao longo dos anos. John Ward, em 1661, ao incluir um comentário sobre as ostras em seu diário (creditando-o ao rei James I, que havia morrido em 1625); John Gay, em 1716, ao versejar "... que, na costa rochosa, / primeiro quebrou o casaco perolado da ostra"; e Jonathan Swift, em 1738, quando criou este diálogo para dois personagens:
Lady Smart: "Senhoras e senhores, vocês comerão ostras antes do jantar?"Além dos supracitados autores, todos eles ingleses, o polígrafo americano Benjamin Franklin. Ele incluiu no "Poor Richard's Almanack", em 1753, uma versão ligeiramente alterada dos versos de John Gay. Em conclusão, todos eles, de Moffet a Ben, ajudaram a popularizar essa sabedoria proverbial.
Coronel Atwit: "Com todo o meu coração." [Toma uma ostra.]
Ele era um homem ousado, o primeiro a comer uma ostra.
http://blogdopg.blogspot.com/2020/10/o-comedor-de-ostras.html
O pintor e gravador belga James Ensor produziu paisagens, naturezas-mortas e retratos, além de cenas do gênero com sua irmã, mãe e tia. "La mangeuse d'huîtres" (O comedor de ostras), o ponto alto de seu trabalho na época, reúne esses diferentes gêneros pictóricos magnificamente. A imagem mostra sua irmã Mitche concentrada em comer ostras, com uma profusão de flores, pratos e toalhas de mesa diante dela, Mas esse quadro certamente era ousado demais para o ambiente altamente conservador da época e foi rejeitado no Salão de 1882, em Antuérpia.As ostras não são os únicos moluscos que podem produzir pérolas: mexilhões e amêijoas também produzem pérolas, mas esta é uma ocorrência muito mais rara.
A esta relação dos moluscos formadores de pérolas devemos acrescentar também o sururu. A partir da experiência por que passou o genealogista e historiador Ormuz Simonetti ao se deliciar com um caldo de sururu.
Bem, deixemos que ele mesmo descreva como encontrou essa pérola:
"Estávamos em animada conversa quando foi servido o caldinho de sururu ao leite de coco. Logo na primeira porção que me foi servida, mastiguei algo estranho. A princípio pensei tratar-se de uma pedra e temi pela possibilidade de ter quebrado algum dente. Mas, ao colocar a mão na boca e retirar aquele corpo estranho, surgiu diante dos meus olhos algo bem diferente do que esperava ver. Fiquei observando na ponta de meu dedo indicador uma bela e minúscula pérola. A princípio não acreditei no que meus olhos viam, ao tempo que meu cérebro insistia no que me recusava a acreditar. Até aquela data nunca tinha ouvido falar que alguém tivesse encontrado uma pérola dentro de um marisco, mesmo porque não era de meu conhecimento que fosse possível encontrar pérolas dentro desses moluscos. Sempre ouvia falar que elas são encontradas dentro de ostras."http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/perola-de-sururu.html
sexta-feira, 30 de outubro de 2020
EM CARTAZ - V
Filme baseado no libreto da ópera homônima da premiação Ig Nobel de 2000 (http://www.improbable.com/2019/11/27/the-ig-nobel-operas). Um homem e uma mulher querem ser o casal mais inteligente do mundo. Mas eles discordam sobre como fazer isso. Ele insiste que eles não devem comer nada além de peixe. Ela insiste em cérebros - e nada mais. Infelizmente, o cérebro que ela come veio de vacas loucas e ela contrai a Doença da Vaca Louca. O peixe que ele come estava contaminado com mercúrio e ele sofre da Doença do Chapeleiro Maluco. O casal, que é louco um pelo outro, então cria a próxima grande moda alimentar do mundo: cérebros de peixe!
O DIABO NA ENCRUZILHADA
Adaptação para o cinema de um romance homônimo, escrito em 666, que conta a história do lendário instrumentista RR Suárez. O filme (Espanha, remasterizado) detalha os mistérios que envolvem o enigmático músico de Toledo que, no início da carreira, desapareceu misteriosamente e quando voltou mostrou habilidades impressionantes em tocar o alaúde, superando os melhores de sua época. Como Suárez ficou bom assim tão rápido neste instrumento da família dos cordotones? Diz a lenda que ele foi para uma encruzilhada, onde se ajoelhou e ofereceu a alma ao Diabo. Reforça essa versão ter o sumiço dele acontecido ano ano da Besta.
STRIPTEASER
Coprodução inuíte-algonquina de 2020. A história de um homem que, quando passeava em um lago congelado no Canadá, foi surpreendido por um grande urso branco. Tentando não mostrar sinais de desespero, ele joga seu casaco em direção ao urso, o que detém o animal por algum tempo. Mas a curiosidade não matou o urso. Ao contrário, a fera assim que se desinteressou pelo casaco passou a se aproximar dele. O homem então atirou a camisa para a fera. Depois de cheirá-la, o urso tornou a vir para cima dele. O homem jogou a camiseta e a calça moleton, e chegou a vez dos acessórios: gorro, cachecol, meias, botas e óculos. Ele fazia aquilo tudo com graça e desenvoltura (um flashback mostra que o mesmo é stripteaser de um clube de mulheres em Ottawa) até ficar apenas de cueca, naquele frio congelante. Nisso, o urso mete a enorme pata em sua underweaver... Considerou-se um homem morto. O que não aconteceu, pois o urso, aliás, a ursa se retirou. Deixando uma cédula de 100 dólares em sua cueca.
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
MARINHEIROS DE ÁGUA DOCE
Em 1861, o governo peruano empreendeu uma tarefa inusitada: construir dois navios de guerra no Lago Titicaca - o lago navegável mais alto do mundo. O lago fazia parte da fronteira Peru-Bolívia e o Peru queria estar preparado para futuras hostilidades.
O Peru contratou dois construtores navais britânicos para esse fim. Não havia à época estradas que pudessem levar os navios ao lago. Assim, os construtores trouxeram em mulas os componentes dos navios, por uma região desértica de 225 quilômetros até às margens do Titicaca, onde os navios foram finalmente montados.
Os construtores dos navios completaram o Yavarí em 1870 e o Yapura em 1872. O Yavarí é agora um navio-museu. Mas o Yapura, que está na foto acima, ainda está em serviço. Por um longo período de tempo, seu motor foi alimentado por caca de lhama, embora eu não tenha conseguido determinar se ainda o é.
domingo, 30 de agosto de 2020
EU, 72
Se meu pai fosse vivo (ele era advogado e contador) poderia fazer com correção os cálculos. Na ausência dele, utilizo-me da regra dos 72.
Essa regra é usada na área de finanças para fazer uma estimativa de quanto tempo — medido em anos — determinado valor de capital demora para ser duplicado, considerando determinada taxa de juros anual.
Não interessa o valor do capital (a regra é só para fornecer o tempo em que o valor dobra).
Seu cálculo é feito da seguinte forma:
72/taxa de juros da aplicação = anos para o patrimônio duplicar.
Supondo-se que eu seja um investimento com a rentabilidade da caderneta de poupança (4,34% em 2019). Logo, para que meu valor dobre, será necessário um período de:
72/4,34 = 16,6 anos ou 16 anos e 7 meses.
O problema é que eu não tenho um fundo garantidor como a caderneta.
Saiba por que presentear com dinheiro é o modo de não se equivocar jamais.
quinta-feira, 30 de julho de 2020
O JOGADOR DE XADREZ TURCO
Em 1783, em seu hotel em Paris, Benjamin Franklin recebeu uma carta de Wolfgang von Kempelen, convidando-o a ver e jogar contra o autômato que jogava xadrez turco, além de caso quisesse inspecionar a máquina.
Franklin aceitou o desafio e, alguns dias depois, jogou xadrez turco contra a máquina no Café de la Regence e perdeu. Embora Franklin fosse um amante do xadrez, ele não mencionou esse evento em nenhuma de suas correspondências, talvez, alguns explicam, porque ele era conhecido como sendo um mau perdedor. [Tom Standage, The Turk, 2002 Walker Publishing]
Quando Von Kempelen morreu, seu filho vendeu a máquina para Nepomuk Maelzel, um violinista de Viena que também inventou dispositivos musicais como o metrônomo.
Edgar Allan Poe testemunhou uma demonstração do funcionamento da máquina e escreveu o ensaio "Maelzel's Chess Player" para demonstrar que era uma fraude.[Poe, EA. Cuentos completos (tradução por J. Cortázar), Alianza Editorial, Madri, 2002]
Os aficionados por Poe notaram que o artigo tem um tom, uma voz notavelmente semelhante ao discurso de Dupin em "Os assassinatos na rua Morgue". Na verdade, existem muito mais interseções entre o artigo e o conto. Vários elementos em comum levam a acreditar que houve uma transposição de um para o outro:
Nos dois casos, temos uma sala trancada. Na história, a polícia não sabe explicar como o assassino poderia ter entrado ou saído do local, já que todas as portas e janelas estavam trancadas por dentro. No artigo, o objetivo de Poe é determinar se, dentro da máquina, um ser humano estavria escondido ou se ela continha, como Maelzel gostaria de que sua audiência acreditasse, apenas mecanismos.De fato, como foi mostrado mais adiante, não era a máquina que jogava xadrez, já que havia uma pessoa dentro dela - o jogador de xadrez francês Jacques Mouret - que era quem realmente a controlava.
Poe descreve em detalhes o ato de Maezel no palco: antes de fazer a máquina jogar xadrez, ele andava pelo palco rolando o autômato à sua frente, enquanto abria e fechava compartimentos e gavetas na máquina para mostrar que ela continha apenas elementos mecânicos. Ele propõe que Maelzel abria e fechava esses compartimentos e gavetas em uma ordem precisa, que permitia que uma pessoa no interior da máquina deslizasse um painel interno e se movesse no momento certo, e assim permanecer oculta. E conclui que, apesar da mecânica da máquina sempre à vista, sempre havia um espaço trancado em seu interior.
Este painel deslizante interno constitui parte da solução de Poe para a farsa no artigo. Ele é transposto para o conto, onde se torna uma janela deslizante que também constitui parte da solução para o mistério da sala trancada de Dupin. Descobre-se que o orangotango entra no apartamento por uma janela e, por acaso, um prego na moldura da janela trava a janela ao sair. O animal, em outras palavras, como a suposta pessoa dentro da máquina, se move graças a um mecanismo deslizante e, portanto, permanece oculto aos vizinhos que chegam ao local no momento em que o assassinato estava ocorrendo. [http://epistemocritique.org/why-an-ourang-outang/]
terça-feira, 30 de junho de 2020
MATÉRIA RIMA
o lítio e a vida no sítio
o berílio e o início do idílio
o boro e a serpente Ouroboros
o carbono e a evolução do mono
o sódio e o próximo episódio
o magnésio e a Carta aos Efésios
o alumínio e a reserva de domínio
o silício e o caráter vitalício
o fósforo e o Estreito de Bósforo
o argônio e a sedução do demônio
o potássio e que fim levou o Cássio?
o cobalto, de salto alto
o zircônio atraído pelo ferormônio
o ferro se conhece pelo berro
o zinco e o leite do ornitorrinco
a prata e a rádio pirata
o mercúrio por entre murmúrios
o chumbo e a batida do bumbo
o ouro e a Ilha do Tesouro
o polônio com uma fissura no perônio
o tório, rato de escritório
o actínio em novo escrutínio
o urânio e que fim levou o Afrânio?
Vídeo
Um grupo de químicos acrescentou novos trechos à canção "The Elements", de Tom Lehrer.
sábado, 30 de maio de 2020
O PODER DE DEUS
Algumas gerações bíblicas após, teve que deixar a dolce vita para reassumir o comando da Terra. Insatisfeito com os rumos que a humanidade vinha tomando, submergiu-a com as demais espécies no terrível Dilúvio Universal. Ficaram fora da punição Noé, a família deste e um casal de cada espécie. Naquilo que, aliás, foi uma demonstração de força e tanto, já que não havia (nem degelando os polos) água suficiente para cobrir as mais altas montanhas do planeta.
Depois disso, os descontentamentos divinos ficaram reduzidos ao envio de pragas. Como fez aos egípcios que relutavam em dar a baixa nas carteiras de trabalho do povo judeu.
No início da Era Cristã, os milagres ficaram ao cargo do Filho que veio à Terra. Sendo o mais espetacular deles o episódio em que o Filho andou sobre as águas para impressionar o apóstolo Pedro. Outro momento inesquecível foi o dom de línguas em que o Espírito Santo fez uma ponta.
No século 17, Deus iluminou a mente dos cientistas. Mas foram estes que, de fato, deram os primeiros passos para a cura da sífilis.
De uns tempos para cá, Ele anda meio disperso. Com tanta gente ávida por milagres e com os pastores que apascentam seus rebanhos com o discurso da teologia da prosperidade, também pudera!
Agora, para que ninguém diga que se esconde do mundo, de tempos em tempos, Deus faz aparecer sua imagem em torradas, parede e até em fiofó de cachorro. Mas como sarça ardente... bom, deixa pra lá.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
REMATE DE MALES
Para Coelho Filho e colaboradores, não se sabe com precisão como surgiu o nome "Remate de Males". Em "A economia gomífera da cidade de Remate de Males na configuração do território amazônico", eles conjeturam algo a respeito: "remate" significa o último retoque na conclusão de uma obra- prima, o seu retoque final; "males" podem ser atribuídos às lendas que povoavam as mentes dos moradores dos seringais. Matinta, curupira, mapinguari, entre outros, os seres que habitavam as matas e que representavam uma ameaça a quem lhes cruzasse o caminho, e desse modo receavam todos dar de encontro com um deles por aí.
O principal deles seria a "cobra grande" que habitava justamente a foz do Rio Itacoaí (Itaquaí), em frente à cidade Remate de Males, onde todos temiam atravessar de uma margem para outra. Há relatos de um senhor que, ao estar atravessando o rio em direção ao lago Domingo, bem em frente à cidade, uma onda levantou-se atrás dele, que logo acelerou suas remadas até chegar ao canal de entrada do lago onde a onda se desfez. Assim, concluíram estes autores, que o nome Remate de Males teria este nome pelos "males" que ali existiriam.
2
Anísio Jobim, em "Panoramas Amazônicos”, informa que a cidade se originou de uma cabana à margem do Itacoaí, onde habitava o filho de um oficial superior brasileiro, e que a denominação de Remate de Males foi dada em 1890, pelo maranhense Alfredo Raimundo de Oliveira Bastos, que encontrou neste local um relativo bem-estar, resolvendo fixar-se ali como um remate a seus males. Colocou, então, na fachada de seu barracão, o letreiro "Remate de Males", cuja designação se estendeu a todo o lugar.
Com a queda do Ciclo da Borracha, Remate de Males, que chegou ser a terceira cidade do Amazonas, teve o crescimento estagnado. Muitos de seus moradores migraram para o então seringal Cametá, onde ajudaram a formar um povoado que hoje é o município de Atalaia do Norte, e outros foram para onde é hoje o município de Benjamin Constant. Restando-lhe poucos moradores, Remate sofre mais um declínio, este agora de causa natural: a queda dos restos de um cometa que atingiu a Terra em meados de 1930, produzindo um terremoto de 6,5º na escala Richter, registrado em La Paz, em que uma de suas partes, um imenso bloco de gelo, abriu uma cratera de 1,5 km, no rio Curuçá. Com o desbarrancamento do rio, a força da água foi maior que a estrutura de terra que sediava a cidade e, em pouco tempo, a cidade desapareceu debaixo das águas do Rio Itacoaí.
Resultado: nessa catástrofe, que ficou conhecida como o evento do Curuçá (nome de um afluente do Javari), o barranco de Remate cedeu, e a cidade foi engolida pelo rio Itacoaí, em 12 horas. Sua população fundou a nova Atalaia do Norte e distribuiu-se também por Benjamim Constant.
3
Em 1927, ao desembarcar em Atalaia do Norte, à época chamada de Remate de Males, Mário de Andrade anotou em sua caderneta que fazia um calor de "rematar", a malária atacava os moradores e não tinha "coisa nenhuma" no comércio para comprar. Essas observações foram mais tarde publicadas no livro "Turista Aprendiz".
Ele era o poeta do bom humor e da simplicidade. "Remate de Males", publicado em 1930, seria o título de um livro de poesias que mostraria o esforço do escritor em compreender um país contraditório e plural, como ele mesmo, poeta, etnógrafo, folclorista, pesquisador de música, romancista. "Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta", escreveu o poeta na abertura dessa obra inspirada na pequena vila à margem do Javari. A figura do regatão, os mitos indígenas, os pilantras, o sujeito sem caráter e o homem brasileiro numa interminável febre de "maleita" entrariam definitivamente em seus livros, com suas características boas e ruins.
Webgrafia
http://periodicos.uea.edu.br/index.php/revistageotransfronteirica/article/view/778/673
http://infograficos.estadao.com.br/especiais/favela-amazonia/capitulo-10.php
http://www.facebook.com/pardieiros
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/10/a-perola-do-javari.html
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37935 (textos literários em meio eletronico / Remate de Males)
segunda-feira, 30 de março de 2020
PRATOS POR ASSIM DIZER IMPRATICÁVEIS
Entre elas, destacamos: bacon em varal para secar, sorvete em vasos de flores, macarrão em cone de papel (com o pedido de nunca mostrar esta inovação para um italiano), café da manhã inglês numa pá, anéis de cebola no funil, ostras sobre o tijolo etc.
Last but not least, frutos do mar servidos num pequeno aquário com um peixe ornamental vivo.
Lembro-me de ter existido em Fortaleza um restaurante que tinha como atração culinária principal o "peixe na telha". Os peixes (podia ser também uma lagosta ou outro fruto do mar) assim como os demais ingredientes da peixada eram cozidos na própria telha em que vinham para a mesa.
Ficava esse restaurante no Morro de Santa Terezinha, de onde se tem uma visão panorâmica de nossa cidade. Era o "Tudo em Cima".
(TudoPorEmail não informa o nome dos seus restaurantes.)
Mas ninguém ousou tanto quanto o falecido Hugo Leão de Castro, um inveterado boêmio da Ipanema dos anos 1960. Em seu apartamento na rua Jangadeiros, Hugo deu na telha de promover uma feijoada para 50 pessoas. E, por falta de panelas e de juizo, serviu a feijoada num bidê que acabara de comprar. Virou o Hugo Bidet.
[http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=14518]
[http://preblog-pg.blogspot.com/2013/02/tudo-em-baixo.html]
[http://simaopessoa.blogspot.com/2010/10/causos-de-bambas-hugo-bidet.html]
[http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/pratos-impraticaveis-de-servir.html]
sábado, 29 de fevereiro de 2020
GÍRIAS DO PASQUIM
[http://blogdopg.blogspot.com/2017/11/falou-e-disse.html]
Anta, pessoa lerda, pesada. Neste período,por exemplo: Eu sou uma anta.Tenho DOIS pares de tênis. Dizem os "pasquinófilos" que a frase era uma alusão aos basbaques da época. Quando possuir UM par de tênis era coisa de rico, e eles estufavam o peito para proclamar:– EU tenho DOIS pares de tênis!
[http://blogdopg.blogspot.com/2019/01/a-anta-de-tenis-e-o-cidadao-de-bem.html]
Barato, momento, coisa ou pessoa capaz de inspirar prazer ou simpatia.
Bicha, pederasta.
Bicho, amigo, cara, um interlocutor do sexo masculino.
Bicho grilo, pessoa de aparência extravagante.
Bilouca, contração de "bicha louca".
Cacilda, variante de "caceta". Indica espanto.
Coisa de veado, moda ou comportamento de homossexual.
[http://blogdopg.blogspot.com/2009/05/coisa-de-veado.html]
Duca, contração de "do caralho", muito bom.
Falou e disse, concordo.
Hebdô, abreviatura de hebdomadário, uma publicação semanal.
Jáco, já comi.
Mocotó. Nesta frase: Eu quero mocotó!
[http://blogdopg.blogspot.com/2019/04/eu-quero-mocoto.html]
O Pasca, O Pasquim. Nem mesmo o jornal escapou de sua terminologia.
O virundum. Inspirado no primeiro verso (O VIRUNDUM Ipiranga) do Hino Nacional, cuja letra é hors-concours em matéria de "virunduns" (do que terra MARGARIDA, verás que um FILISTEU não foge à luta etc). Dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis.
[http://blogdopg.blogspot.com/2008/09/o-virundum.html]
Paca, contração de "pra caralho", muito, demais.
Patota, turma.
Pô, abreviação de "porra".
Podiscrer, pode acreditar, usado para introduzir qualquer afirmação.
Putzgrila (ou putsgrila) é uma abreviação de "puta que pariu, isso grila". Muito usado pela juventude, nas décadas de 1960 e 70, para expressar susto ou admiração quando um assunto complexo era comentado numa roda.
[http://blogdopg.blogspot.com/2018/01/do-prefacio-ao-posfacio.html]
Qiuspa, abreviação de "puta que os pariu".
Sarro, gozação, "casquinha". Nesta expressão: Tirar um sarro.
Sifu, contração de "se fodeu", se deu mal. Havia as variações "mifu", "tifu" e "nosfu".
Vôco, vou comer.
Em suma, um órgão disseminador do humor e do estilo de vida cariocas, essencialmente provindos da elite intelectual do bairro de Ipanema, O Pasquim modificou a linguagem jornalística. Nele escrevia-se como se falava.
Artigos recomendados:
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
O PODER DE LIMPEZA DA SALIVA HUMANA
A pintura, "Vuon Xuan Trung Nam Bac" (Jardim da Primavera do Centro, Sul e Norte), é uma proeminente obra de arte exibida no Museu de Belas Artes da Cidade de Ho Chi Minh. No ano passado, ao limpar esta pintura, os faxineiros do Museu danificaram-na seriamente com detergente líquido, pó de polimento e lixa.
No artigo "Saliva humana como agente de limpeza para superfícies sujas", Paula MS Romão, Adília M. Alarcão e César AN Viana, descrevem o valor do cuspe como agente de limpeza.
O uso da saliva humana para limpar superfícies sujas tem sido uma prática intuitiva por muitas gerações. Os autores estabeleceram as bases científicas para essa prática por meio de testes qualitativos e técnicas cromatográficas. A α-amylase foi o constituinte principal responsável pelo poder de limpeza da saliva. As preparações amilásicas obtidas do pão ou de microrganismos foram também testadas como substitutos da saliva.
In: Studies in Conservation, vol. 35, 1990, pp. 153-155.
Encômios
Parabéns aos três pesquisadores lusitanos por este prêmio que merecidamente receberam. Suas conclusão foram validadas aqui no Blog EM desde que eu fiz uma limpeza na tela do meu notebook. Os restauradores usam há muito tempo a própria saliva no lugar de outros solventes quando trabalham com materiais delicados como folha de ouro e cerâmica. [PGCS]
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
A PALAVRA DE CAMBRONNE
No século I d.C., o poeta Marcial já dizia:
Sed nemo potuit tangere: merda fuit. Tradução - Mas ninguém podia tocá-la: era [uma] merda.
No epigrama acima, completo, o que parecia ser uma torta era na verdade… uma merda. Estava quentinha e não podia ser tocada, o guloso a assopra e, quando vai meter-lhe os dedos, vê que é uma porcaria.
Os franceses, com sua proverbial elegância, se referem à "merde" (merda) como «le mot de cinq lettres» (a palavra de 5 letras), e também a chamam de "le mot de Cambronne", isto é, "a palavra de Cambronne".O general francês estava sendo derrotado pelos britânicos... Mas Cambronne teria respondido: “A Guarda (Imperial) não se rende jamais!”
Os britânicos teriam insistido e ele teria respondido de forma lacônica: "Merde!"
⤊ Pierre Cambrone escreve seu livro sobre a história da Inglaterra. Sátira antibritânica de Willete (1899)
Este evento foi retratado várias vezes na literatura francesa e até integrou canções de rap. Também apareceu como uma referência irônica nos Smurfs.
"Merde!"
No teatro, "merda" foi (talvez ainda seja) utilizado entre os atores de uma peça para desejar boa sorte ao entrar em cena.
Este costume veio da França pelo fato de o público ter acesso à casa teatral por meio de carruagens a cavalos que, muitas vezes, amontoavam fezes na entrada.
Haver muita merda na entrada do teatro era sinal do sucesso das apresentações
Relacionadas
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https://blogdopg.blogspot.com/2018/07/batidas-na-madeira.html
sábado, 30 de novembro de 2019
BUFÕES
Em Heidelberg, cidade que integra a rota romântica da Alemanha, um ponto turístico imperdível é o Castelo de Heidelberg. É uma das mais famosas ruínas do país e símbolo da cidade.
Chega-se a este castelo por uma estrada ou, de uma maneira mais interessante, tomando-se o funicular.
Uma das atrações do Castelo de Heidelberg é o Fassbau (Edifício do Barril).
Foi mandado construir entre 1589 e 1592, especificamente para acolher o famoso Grande Barril. Estava diretamente ligado ao Salão do Rei, de forma a permitir, durante as celebrações, o acesso direto ao vinho contido no barril.
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| Percheo e eu |
Conta-se que Carlos Filipe III lhe teria perguntado se conseguia beber o conteúdo de um barril sozinho. A resposta parece ter sido "Perché no?" (o que significa "porque não?", em italiano), o que daria origem à sua alcunha: "Perkeo".
E o rei: "Vem comigo para Heidelberg. Nomeio-te cavaleiro e camareiro do barril do rei. Na adega do meu castelo está o maior barril de todo o mundo. Se o beberes, a cidade e o castelo serão teus".
O vinho devia ser a única bebida que Perkeo conhecia desde a sua infância. Quando, em sua velhice, adoeceu pela primeira vez, o seu médico aconselhou-o a beber vinho com urgência e recomendou-lhe que bebesse água em abundância. Apesar do ceticismo, Perkeo seguiu o conselho do médico e morreu na manhã seguinte.
Perkeo era uma criatura digna de pena e tinha – como Victor Hugo mencionou – que consumir diariamente quinze garrafas de vinho, caso contrário era açoitado.
Original: EM, 15/03/2017
Triboulet
Diz a lenda que, entre Francisco I e o Triboulet, aconteceu uma ríspida conversa, na qual ele disse ao rei que um dos membros da corte havia ameaçado matá-lo. O rei supostamente respondeu a isso: "Se ele o fizer, eu o enforcarei um quarto de hora depois". Ao que Triboulet supostamente brincou: "Ah, senhor, não é melhor então que fosse um quarto de hora antes?"
Certa vez, Triboulet não conseguiu se conter e deu um tapa no traseiro do monarca. O rei perdeu a paciência e ameaçou punir Triboulet. Um pouco mais tarde, o monarca se acalmou e prometeu perdoar Triboulet se o bobo pudesse pensar em um pedido de desculpas ainda mais ofensivo do que o desrespeito praticado. Alguns segundos depois, Triboulet respondeu: "Sinto muito, majestade, por não ter reconhecido você! Confundi-o com a rainha!"
Em outro exemplo famoso, ele enfureceu o rei por tirar sarro da rainha, após o que sua execução foi ordenada. No entanto, diz a lenda que, devido a seus anos de bom serviço, ele foi autorizado a escolher o modo de sua morte. Depois de refletir sobre isso, Triboulet disse ao rei: “Bom pai, pelo bem de Saint Nitouche e Saint Pansard, patronos da loucura, eu escolho morrer de velhice". Isso divertiu tanto o rei que ele optou por banir Triboulet em vez de executá-lo.
O mais famoso dos bobos das cortes medievais, Triboulet passou para história com o título de "bobo do rei e rei dos bobos".
Original: EM, 30/10/2019
Quem sou eu
- Paulo Gurgel
- 72 anos, natural de Fortaleza (onde resido), Ceará, Brasil. Casado com Elba, pai de Érico e Natália, avô de Matheus e Renan. Médico aposentado do Ministério da Saúde. Curriculum vitae na Plataforma Lattes. Blogs que publico: EntreMentes, Linha do Tempo, Nova Acta, Preblog e Slideshows do PG.
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