segunda-feira, 30 de novembro de 2020

O COMEDOR DE OSTRAS

"Quem primeiro comeu uma ostra era uma alma corajosa."

A coragem do primeiro comedor de ostras é reconhecida há pelo menos quatrocentos anos. As primeiras evidências publicadas foram escritas por Thomas Moffett, um influente médico inglês que morreu em 1604. Mas várias figuras fizeram observações semelhantes ao longo dos anos. John Ward, em 1661, ao incluir um comentário sobre as ostras em seu diário (creditando-o ao rei James I, que havia morrido em 1625); John Gay, em 1716, ao versejar "... que, na costa rochosa, / primeiro quebrou o casaco perolado da ostra"; e Jonathan Swift, em 1738, quando criou este diálogo para dois personagens:
Lady Smart: "Senhoras e senhores, vocês comerão ostras antes do jantar?"
Coronel Atwit: "Com todo o meu coração." [Toma uma ostra.]
Ele era um homem ousado, o primeiro a comer uma ostra.
Além dos supracitados autores, todos eles ingleses, o polígrafo americano Benjamin Franklin. Ele incluiu no "Poor Richard's Almanack", em 1753, uma versão ligeiramente alterada dos versos de John Gay. Em conclusão, todos eles, de Moffet a Ben, ajudaram a popularizar essa sabedoria proverbial.
http://blogdopg.blogspot.com/2020/10/o-comedor-de-ostras.html

O pintor e gravador belga James Ensor produziu paisagens, naturezas-mortas e retratos, além de cenas do gênero com sua irmã, mãe e tia. "La mangeuse d'huîtres" (O comedor de ostras), o ponto alto de seu trabalho na época, reúne esses diferentes gêneros pictóricos magnificamente. A imagem mostra sua irmã Mitche concentrada em comer ostras, com uma profusão de flores, pratos e toalhas de mesa diante dela, Mas esse quadro certamente era ousado demais para o ambiente altamente conservador da época e foi rejeitado no Salão de 1882, em Antuérpia.

As ostras não são os únicos moluscos que podem produzir pérolas: mexilhões e amêijoas também produzem pérolas, mas esta é uma ocorrência muito mais rara.
A esta relação dos moluscos formadores de pérolas devemos acrescentar também o sururu. A partir da experiência por que passou o genealogista e historiador Ormuz Simonetti ao se deliciar com um caldo de sururu.
Bem, deixemos que ele mesmo descreva como encontrou essa pérola:
"Estávamos em animada conversa quando foi servido o caldinho de sururu ao leite de coco. Logo na primeira porção que me foi servida, mastiguei algo estranho. A princípio pensei tratar-se de uma pedra e temi pela possibilidade de ter quebrado algum dente. Mas, ao colocar a mão na boca e retirar aquele corpo estranho, surgiu diante dos meus olhos algo bem diferente do que esperava ver. Fiquei observando na ponta de meu dedo indicador uma bela e minúscula pérola. A princípio não acreditei no que meus olhos viam, ao tempo que meu cérebro insistia no que me recusava a acreditar. Até aquela data nunca tinha ouvido falar que alguém tivesse encontrado uma pérola dentro de um marisco, mesmo porque não era de meu conhecimento que fosse possível encontrar pérolas dentro desses moluscos. Sempre ouvia falar que elas são encontradas dentro de ostras."
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2011/05/perola-de-sururu.html

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

EM CARTAZ - V

CÉREBROS DE PEIXE
Filme baseado no libreto da ópera homônima da premiação Ig Nobel de 2000 (http://www.improbable.com/2019/11/27/the-ig-nobel-operas). Um homem e uma mulher querem ser o casal mais inteligente do mundo. Mas eles discordam sobre como fazer isso. Ele insiste que eles não devem comer nada além de peixe. Ela insiste em cérebros - e nada mais. Infelizmente, o cérebro que ela come veio de vacas loucas e ela contrai a Doença da Vaca Louca. O peixe que ele come estava contaminado com mercúrio e ele sofre da Doença do Chapeleiro Maluco. O casal, que é louco um pelo outro, então cria a próxima grande moda alimentar do mundo: cérebros de peixe!
O DIABO NA ENCRUZILHADA
Adaptação para o cinema de um romance homônimo, escrito em 666, que conta a história do lendário instrumentista RR Suárez.  O filme (Espanha, remasterizado) detalha os mistérios que envolvem o enigmático músico de Toledo que, no início da carreira, desapareceu misteriosamente e quando voltou mostrou habilidades impressionantes em tocar o alaúde, superando os melhores de sua época. Como Suárez ficou bom assim tão rápido neste instrumento da família dos cordotones? Diz a lenda que ele foi para uma encruzilhada, onde se ajoelhou e ofereceu a alma ao Diabo. Reforça essa versão ter o sumiço dele acontecido ano ano da Besta.
STRIPTEASER
Coprodução inuíte-algonquina de 2020. A história de um homem que, quando passeava em um lago congelado no Canadá, foi surpreendido por um grande urso branco. Tentando não mostrar sinais de desespero, ele joga seu casaco em direção ao urso, o que detém o animal por algum tempo. Mas a curiosidade não matou o urso. Ao contrário, a fera assim que se desinteressou pelo casaco passou a se aproximar dele. O homem então atirou a camisa para a fera. Depois de cheirá-la, o urso tornou a vir para cima dele. O homem jogou a camiseta e a calça moleton, e chegou a vez dos acessórios: gorro, cachecol, meias, botas e óculos. Ele fazia aquilo tudo com graça e desenvoltura (um flashback mostra que o mesmo é stripteaser de um clube de mulheres em Ottawa) até ficar apenas de cueca, naquele frio congelante. Nisso, o urso mete a enorme pata em sua underweaver... Considerou-se um homem morto. O que não aconteceu, pois o urso, aliás, a ursa se retirou. Deixando uma cédula de 100 dólares em sua cueca.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

MARINHEIROS DE ÁGUA DOCE

O mundo tem hoje 43 países sem acesso ao mar. Segundo dados da CIA, apenas oito deles possuem marinhas militares. É o caso do pequeno Malauí, no centro do continente africano, que tem uma Marinha com 225 homens dentro do Lago Niassa, com os canhões apontados somente para Tanzânia e Moçambique. Uganda, também na África, conta com uma força naval de 400 homens que virou motivo de anedotas internacionais. Na década de 70, o ditador Idi Amin começou a aparelhá-la para exibir seu poderio militar frente aos americanos. A única dificuldade era o fato de a Marinha estar cercada no interior do Lago Vitória. A Mongólia, na Ásia, mantém uma força naval dentro do Lago Hovsgol, na fronteira com a Sibéria, que permanece congelado seis meses por ano, impedindo a navegação. Segundo um documentário feito pelo americano Robert Stern, ela tem somente um navio e sete marinheiros, sendo que apenas um deles sabe nadar. Na lista das marinhas sem saída para o oceano também estão a do Cazaquistão, a do Azerbaijão e a do Turcomenistão, na Ásia, e a do Paraguai, cujo arsenal tem 3.600 oficiais, vinte embarcações, dois aviões e dois helicópteros.
De todas essas, a Marinha boliviana com cerca de 5 mil membros salta aos olhos por ser a maior força naval ribeirinha do planeta. Nasceu na década de 60, quando o então presidente Víctor Paz Estenssoro, entusiasmado com o projeto de recuperar o litoral perdido para o Chile na guerra de 1879, povoou com navios militares o Lago Titicaca e os rios que fazem fronteira com o Brasil e o Paraguai. A perda da costa marítima é um assunto de forte sentimento na Bolívia, onde foi também instituído o "Dia do Mar". Escolares são ensinados que recuperar o acesso ao oceano é um dever patriótico e, dentro desse espírito, a existência de uma Marinha boliviana "serve para não deixar a idéia morrer".
http://blogdopg.blogspot.com/2012/12/marinheiros-de-agua-doce.html
Frota do Titicaca
Em 1861, o governo peruano empreendeu uma tarefa inusitada: construir dois navios de guerra no Lago Titicaca - o lago navegável mais alto do mundo. O lago fazia parte da fronteira Peru-Bolívia e o Peru queria estar preparado para futuras hostilidades.
O Peru contratou dois construtores navais britânicos para esse fim. Não havia à época estradas que pudessem levar os navios ao lago. Assim, os construtores trouxeram em mulas os componentes dos navios, por uma região desértica de 225 quilômetros até às margens do Titicaca, onde os navios foram finalmente montados.
Nenhuma peça poderia pesar mais de 175 quilos - o peso máximo que uma mula conseguiria carregar.
Os construtores dos navios completaram o Yavarí em 1870 e o Yapura em 1872. O Yavarí é agora um navio-museu. Mas o Yapura, que está na foto acima, ainda está em serviço. Por um longo período de tempo, seu motor foi alimentado por caca de lhama, embora eu não tenha conseguido determinar se ainda o é.
http://blogdopg.blogspot.com/2020/07/frota-do-titicaca.html

domingo, 30 de agosto de 2020

EU, 72

A idade é um número, não uma sentença de morte.
\o/ \o/ \o/
Toda a vida é vivida à sombra de sua própria finitude, da qual estamos sempre conscientes - uma consciência que sistematicamente embotamos através da distração diária da vida. Mas quando essa finitude é iminente, de repente alguém se depara com uma consciência tão aguda que não deixa outra opção a não ser preencher a sombra com a luz que um ser humano pode gerar - o tipo de iluminação interna que chamamos de significado: o sentido da vida.
\o/ \o/ \o/
Deixando a filosofice para lá. Sou eu um investimento que vale a pena?
Se meu pai fosse vivo (ele era advogado e contador) poderia fazer com correção os cálculos. Na ausência dele, utilizo-me da regra dos 72.
Essa regra é usada na área de finanças para fazer uma estimativa de quanto tempo — medido em anos — determinado valor de capital demora para ser duplicado, considerando determinada taxa de juros anual.
Não interessa o valor do capital (a regra é só para fornecer o tempo em que o valor dobra).
Seu cálculo é feito da seguinte forma:
72/taxa de juros da aplicação = anos para o patrimônio duplicar.
Supondo-se que eu seja um investimento com a rentabilidade da caderneta de poupança (4,34% em 2019). Logo, para que meu valor dobre, será necessário um período de:
72/4,34 = 16,6 anos ou 16 anos e 7 meses.
O problema é que eu não tenho um fundo garantidor como  a caderneta.
\o/ \o/ \o/
No Preblog: ANIVERSÁRIO
Saiba por que presentear com dinheiro é o modo de não se equivocar jamais.
Original: Blog EM, 06/06/2020

quinta-feira, 30 de julho de 2020

O JOGADOR DE XADREZ TURCO

O jogador de xadrez turco de Maelzel era uma máquina que realmente existia. Construída em 1769, por Wolfgang von Kempelen, foi exibida nos séculos XVIII e XIX em feiras e teatros em Paris, Viena, Londres e Nova Iorque.
Em 1783, em seu hotel em Paris, Benjamin Franklin recebeu uma carta de Wolfgang von Kempelen,  convidando-o a ver e jogar contra o autômato que jogava xadrez turco, além de caso quisesse inspecionar a máquina.
Franklin aceitou o desafio e, alguns dias depois, jogou xadrez turco contra a máquina no Café de la Regence e perdeu. Embora Franklin fosse um amante do xadrez, ele não mencionou esse evento em nenhuma de suas correspondências, talvez, alguns explicam, porque ele era conhecido como sendo um mau perdedor.  [Tom Standage, The Turk, 2002 Walker Publishing]
Quando Von Kempelen morreu, seu filho vendeu a máquina para Nepomuk Maelzel, um violinista de Viena que também inventou dispositivos musicais como o metrônomo.
Edgar Allan Poe testemunhou uma demonstração do funcionamento da máquina e escreveu o ensaio "Maelzel's Chess Player"  para demonstrar que era uma fraude.[Poe, EA. Cuentos completos (tradução por J. Cortázar), Alianza Editorial, Madri, 2002]
Os aficionados por Poe notaram que o artigo tem um tom, uma voz notavelmente semelhante ao discurso de Dupin em "Os assassinatos na rua Morgue". Na verdade, existem muito mais interseções entre o artigo e o conto. Vários elementos em comum levam a acreditar que houve uma transposição de um para o outro:
Nos dois casos, temos uma sala trancada. Na história, a polícia não sabe explicar como o assassino poderia ter entrado ou saído do local, já que todas as portas e janelas estavam trancadas por dentro. No artigo, o objetivo de Poe é determinar se, dentro da máquina, um ser humano estavria escondido ou se ela continha, como Maelzel gostaria de que sua audiência acreditasse, apenas mecanismos.
Poe descreve em detalhes o ato de Maezel no palco: antes de fazer a máquina jogar xadrez, ele andava pelo palco rolando o autômato à sua frente, enquanto abria e fechava compartimentos e gavetas na máquina para mostrar que ela continha apenas elementos mecânicos. Ele propõe que Maelzel abria e fechava esses compartimentos e gavetas em uma ordem precisa, que permitia que uma pessoa no interior da máquina deslizasse um painel interno e se movesse no momento certo, e assim permanecer oculta. E conclui que, apesar da mecânica da máquina sempre à vista, sempre havia um espaço trancado em seu interior.
Este painel deslizante interno constitui parte da solução de Poe para a farsa no artigo. Ele é transposto para o conto, onde se torna uma janela deslizante que também constitui parte da solução para o mistério da sala trancada de Dupin. Descobre-se que o orangotango entra no apartamento por uma janela e, por acaso, um prego na moldura da janela trava a janela ao sair. O animal, em outras palavras, como a suposta pessoa dentro da máquina, se move graças a um mecanismo deslizante e, portanto, permanece oculto aos vizinhos que chegam ao local no momento em que o assassinato estava ocorrendo. [http://epistemocritique.org/why-an-ourang-outang/]
De fato, como foi mostrado mais adiante, não era a máquina que jogava xadrez, já que havia uma pessoa dentro dela - o jogador de xadrez francês Jacques Mouret - que era quem realmente a controlava.

terça-feira, 30 de junho de 2020

MATÉRIA RIMA

(quase poesia)
o hidrogênio e o ardor do gênio
o lítio e a vida no sítio
o berílio e o início do idílio
o boro e a serpente Ouroboros
o carbono e a evolução do mono
o sódio e o próximo episódio
o magnésio e a Carta aos Efésios
o alumínio e a reserva de domínio
o silício e o caráter vitalício
o fósforo e o Estreito de Bósforo
o argônio e a sedução do demônio
o potássio e que fim levou o Cássio?
o cobalto, de salto alto
o zircônio atraído pelo ferormônio
o ferro se conhece pelo berro
o zinco e o leite do ornitorrinco
a prata e a rádio pirata
o mercúrio por entre murmúrios
o chumbo e a batida do bumbo
o ouro e a Ilha do Tesouro
o polônio com uma fissura no perônio
o tório, rato de escritório
o actínio em novo escrutínio
o urânio e que fim levou o Afrânio?
Vídeo
Um grupo de químicos acrescentou novos trechos à canção "The Elements", de Tom Lehrer.

sábado, 30 de maio de 2020

O PODER DE DEUS

Há cerca de seis mil anos o poder de Deus era incomensurável. Criou todo o Universo em apenas seis dias para, daí em diante, dar-se ao desfrute do que Cícero chamaria de otium cum dignitate.
Algumas gerações bíblicas após, teve que deixar a dolce vita para reassumir o comando da Terra. Insatisfeito com os rumos que a humanidade vinha tomando, submergiu-a com as demais espécies no terrível Dilúvio Universal. Ficaram fora da punição Noé, a família deste e um casal de cada espécie. Naquilo que, aliás, foi uma demonstração de força e tanto, já que não havia (nem degelando os polos) água suficiente para cobrir as mais altas montanhas do planeta.
Depois disso, os descontentamentos divinos ficaram reduzidos ao envio de pragas. Como fez aos egípcios que relutavam em dar a baixa nas carteiras de trabalho do povo judeu.
No início da Era Cristã, os milagres ficaram ao cargo do Filho que veio à Terra. Sendo o mais espetacular deles o episódio em que o Filho andou sobre as águas para impressionar o apóstolo Pedro. Outro momento inesquecível foi o dom de línguas em que o Espírito Santo fez uma ponta.
No século 17, Deus iluminou a mente dos cientistas. Mas foram estes que, de fato, deram os primeiros passos para a cura da sífilis.
De uns tempos para cá, Ele anda meio disperso. Com tanta gente ávida por milagres e com os pastores que apascentam seus rebanhos com o discurso da teologia da prosperidade, também pudera!
Agora, para que ninguém diga que se esconde do mundo, de tempos em tempos, Deus faz aparecer sua imagem em torradas, parede e até em fiofó de cachorro. Mas como sarça ardente... bom, deixa pra lá.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

REMATE DE MALES

1
Para Coelho Filho e colaboradores, não se sabe com precisão como surgiu o nome "Remate de Males". Em "A economia gomífera da cidade de Remate de Males na configuração do território amazônico", eles conjeturam algo a respeito: "remate" significa o último retoque na conclusão de uma obra- prima, o seu retoque final; "males" podem ser atribuídos às lendas que povoavam as mentes dos moradores dos seringais. Matinta, curupira, mapinguari, entre outros, os seres que habitavam as matas e que representavam uma ameaça a quem lhes cruzasse o caminho, e desse modo receavam todos dar de encontro com um deles por aí.
O principal deles seria a "cobra grande" que habitava justamente a foz do Rio Itacoaí (Itaquaí), em frente à cidade Remate de Males, onde todos temiam atravessar de uma margem para outra. Há relatos de um senhor que, ao estar atravessando o rio em direção ao lago Domingo, bem em frente à cidade, uma onda levantou-se atrás dele, que logo acelerou suas remadas até chegar ao canal de entrada do lago onde a onda se desfez. Assim, concluíram estes autores, que o nome Remate de Males teria este nome pelos "males" que ali existiriam.
2
Anísio Jobim, em "Panoramas Amazônicos”, informa que a cidade se originou de uma cabana à margem do Itacoaí, onde habitava o filho de um oficial superior brasileiro, e que a denominação de Remate de Males foi dada em 1890, pelo maranhense Alfredo Raimundo de Oliveira Bastos, que encontrou neste local um relativo bem-estar, resolvendo fixar-se ali como um remate a seus males. Colocou, então, na fachada de seu barracão, o letreiro "Remate de Males", cuja designação se estendeu a todo o lugar.
Com a queda do Ciclo da Borracha, Remate de Males, que chegou ser a terceira cidade do Amazonas, teve o crescimento estagnado. Muitos de seus moradores migraram para o então seringal Cametá, onde ajudaram a formar um povoado que hoje é o município de Atalaia do Norte, e outros foram para onde é hoje o município de Benjamin Constant. Restando-lhe poucos moradores, Remate sofre mais um declínio, este agora de causa natural: a queda dos restos de um cometa que atingiu a Terra em meados de 1930, produzindo um terremoto de 6,5º na escala Richter, registrado em La Paz, em que uma de suas partes, um imenso bloco de gelo, abriu uma cratera de 1,5 km, no rio Curuçá. Com o desbarrancamento do rio, a força da água foi maior que a estrutura de terra que sediava a cidade e, em pouco tempo, a cidade desapareceu debaixo das águas do Rio Itacoaí.
Resultado: nessa catástrofe, que ficou conhecida como o evento do Curuçá (nome de um afluente do Javari), o barranco de Remate cedeu, e a cidade foi engolida pelo rio Itacoaí, em 12 horas. Sua população fundou a nova Atalaia do Norte e distribuiu-se também por Benjamim Constant.
3
Em 1927, ao desembarcar em Atalaia do Norte, à época chamada de Remate de Males, Mário de Andrade anotou em sua caderneta que fazia um calor de "rematar", a malária atacava os moradores e não tinha "coisa nenhuma" no comércio para comprar. Essas observações foram mais tarde publicadas no livro "Turista Aprendiz".
Ele era o poeta do bom humor e da simplicidade. "Remate de Males", publicado em 1930, seria o título de um livro de poesias que mostraria o esforço do escritor em compreender um país contraditório e plural, como ele mesmo, poeta, etnógrafo, folclorista, pesquisador de música, romancista. "Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta", escreveu o poeta na abertura dessa obra inspirada na pequena vila à margem do Javari. A figura do regatão, os mitos indígenas, os pilantras, o sujeito sem caráter e o homem brasileiro numa interminável febre de "maleita" entrariam definitivamente em seus livros, com suas características boas e ruins.
Webgrafia
http://periodicos.uea.edu.br/index.php/revistageotransfronteirica/article/view/778/673
http://infograficos.estadao.com.br/especiais/favela-amazonia/capitulo-10.php
http://www.facebook.com/pardieiros
http://gurgel-carlos.blogspot.com/2019/10/a-perola-do-javari.html
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=37935 (textos literários em meio eletronico / Remate de Males)

segunda-feira, 30 de março de 2020

PRATOS POR ASSIM DIZER IMPRATICÁVEIS

Recebo em meu correio eletrônico mais uma das postagens de "TudoPorEmail". Desta vez, o site  reporta-se a algumas maneiras impraticáveis de servir comida.
Entre elas, destacamos: bacon em varal para secar, sorvete em vasos de flores, macarrão em cone de papel (com o pedido de nunca mostrar esta inovação para um italiano), café da manhã inglês numa pá, anéis de cebola no funil, ostras sobre o tijolo etc.
Last but not least, frutos do mar servidos num pequeno aquário com um peixe ornamental vivo.
Lembro-me de ter existido em Fortaleza um restaurante que tinha como atração culinária principal o "peixe na telha". Os peixes (podia ser também uma lagosta ou outro fruto do mar) assim como os demais ingredientes da peixada eram cozidos na própria telha em que vinham para a mesa.
Ficava esse restaurante no Morro de Santa Terezinha, de onde se tem uma visão panorâmica de nossa cidade. Era o "Tudo em Cima".
(TudoPorEmail não informa o nome dos seus restaurantes.)
Mas ninguém ousou tanto quanto o falecido Hugo Leão de Castro, um inveterado boêmio da Ipanema dos anos 1960. Em seu apartamento na rua Jangadeiros, Hugo deu na telha de promover uma feijoada para 50 pessoas. E, por falta de panelas e de juizo, serviu a feijoada num bidê que acabara de comprar. Virou o Hugo Bidet.
[http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=14518]
[http://preblog-pg.blogspot.com/2013/02/tudo-em-baixo.html]
[http://simaopessoa.blogspot.com/2010/10/causos-de-bambas-hugo-bidet.html]
[http://blogdopg.blogspot.com/2020/01/pratos-impraticaveis-de-servir.html]

sábado, 29 de fevereiro de 2020

GÍRIAS DO PASQUIM

para o jornalista JB Serra e Gurgel
autor de DICIONÁRIO DE GÍRIA
Famoso por seus textos debochados, irônicos e irreverentes, o Pasquim inventou modismos como "pô", "paca", "sifu", "duca", "putsgrila", "quiuspa", "podiscrer" e "cacilda". Levou as gírias ipanemenses para as páginas do tabloide e tirou o "paletó e a gravata do jornalismo", deixando os textos mais próximos da linguagem coloquial.
[http://blogdopg.blogspot.com/2017/11/falou-e-disse.html]
Anta, pessoa lerda, pesada. Neste período,por exemplo: Eu sou uma anta.Tenho DOIS pares de tênis. Dizem os "pasquinófilos" que a frase era uma alusão aos basbaques da época. Quando possuir UM par de tênis era coisa de rico, e eles estufavam o peito para proclamar:– EU tenho DOIS pares de tênis!
[http://blogdopg.blogspot.com/2019/01/a-anta-de-tenis-e-o-cidadao-de-bem.html]
Barato, momento, coisa ou pessoa capaz de inspirar prazer ou simpatia.
Bicha, pederasta.
Bicho, amigo, cara, um interlocutor do sexo masculino.
Bicho grilo, pessoa de aparência extravagante.
Bilouca, contração de "bicha louca".
Cacilda, variante de "caceta". Indica espanto.
Coisa de veado, moda ou comportamento de homossexual.
[http://blogdopg.blogspot.com/2009/05/coisa-de-veado.html]
Duca, contração de "do caralho", muito bom.
Falou e disse, concordo.
Hebdô, abreviatura de hebdomadário, uma publicação semanal.
Jáco, já comi.
Mocotó. Nesta frase: Eu quero mocotó!
[http://blogdopg.blogspot.com/2019/04/eu-quero-mocoto.html]
O Pasca, O Pasquim. Nem mesmo o jornal escapou de sua terminologia.
O virundum. Inspirado no primeiro verso (O VIRUNDUM Ipiranga) do Hino Nacional, cuja letra é hors-concours em matéria de "virunduns" (do que terra MARGARIDA, verás que um FILISTEU não foge à luta etc). Dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis.
[http://blogdopg.blogspot.com/2008/09/o-virundum.html]
Paca, contração de "pra caralho", muito, demais.
Patota, turma.
Pô, abreviação de "porra".
Podiscrer, pode acreditar, usado para introduzir qualquer afirmação.
Putzgrila (ou putsgrila) é uma abreviação de "puta que pariu, isso grila". Muito usado pela juventude, nas décadas de 1960 e 70, para expressar susto ou admiração quando um assunto complexo era comentado numa roda.
[http://blogdopg.blogspot.com/2018/01/do-prefacio-ao-posfacio.html]
Qiuspa, abreviação de "puta que os pariu".
Sarro, gozação, "casquinha". Nesta expressão: Tirar um sarro.
Sifu, contração de "se fodeu", se deu mal. Havia as variações "mifu", "tifu" e "nosfu".
Vôco, vou comer.
Em suma, um órgão disseminador do humor e do estilo de vida cariocas, essencialmente provindos da elite intelectual do bairro de Ipanema, O Pasquim modificou a linguagem jornalística. Nele escrevia-se como se falava.
Artigos recomendados:
A breve história e a caracterização d'O Pasquim, por Bruno Brasil
O pingente que deu certo, por Sergio Augusto
Original: EM, 27/12/2019

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O PODER DE LIMPEZA DA SALIVA HUMANA

Uma pintura com laca sofreu 30% de danos devido à falta de conhecimento dos profissionais da área da limpeza
A pintura, "Vuon Xuan Trung Nam Bac" (Jardim da Primavera do Centro, Sul e Norte), é uma proeminente obra de arte exibida no Museu de Belas Artes da Cidade de Ho Chi Minh. No ano passado, ao limpar esta pintura, os faxineiros do Museu danificaram-na seriamente com detergente líquido, pó de polimento e lixa.
Original: EM, 22/11/2019
Com cuspe teria sido melhor?
No artigo "Saliva humana como agente de limpeza para superfícies sujas", Paula MS Romão, Adília M. Alarcão e César AN Viana, descrevem o valor do cuspe como agente de limpeza.
O uso da saliva humana para limpar superfícies sujas tem sido uma prática intuitiva por muitas gerações. Os autores estabeleceram as bases científicas para essa prática por meio de testes qualitativos e técnicas cromatográficas. A α-amylase foi o constituinte principal responsável pelo poder de limpeza da saliva. As preparações amilásicas obtidas do pão ou de microrganismos foram também testadas como substitutos da saliva.
In: Studies in Conservation, vol. 35, 1990, pp. 153-155.
Encômios
Parabéns aos três pesquisadores lusitanos por este prêmio que merecidamente receberam. Suas conclusão foram validadas aqui no Blog EM desde que eu fiz uma limpeza na tela do meu notebook. Os restauradores usam há muito tempo a própria saliva no lugar de outros solventes quando trabalham com materiais delicados como folha de ouro e cerâmica. [PGCS]
Original: EM, 18/09/2018

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A PALAVRA DE CAMBRONNE

Merda é uma palavra latina ainda hoje utilizada por falantes de várias línguas em sua forma original.
No século I d.C., o poeta Marcial já dizia:
Sed nemo potuit tangere: merda fuit. Tradução - Mas ninguém podia tocá-la: era [uma] merda.
No epigrama acima, completo, o que parecia ser uma torta era na verdade… uma merda. Estava quentinha e não podia ser tocada, o guloso a assopra e, quando vai meter-lhe os dedos, vê que é uma porcaria.
Os franceses, com sua proverbial elegância, se referem à "merde" (merda) como «le mot de cinq lettres» (a palavra de 5 letras), e também a chamam de "le mot de Cambronne", isto é, "a palavra de Cambronne".
O general francês estava sendo derrotado pelos britânicos... Mas Cambronne teria respondido: “A Guarda (Imperial) não se rende jamais!”
Os britânicos teriam insistido e ele teria respondido de forma lacônica: "Merde!"
⤊ Pierre Cambrone escreve seu livro sobre a história da Inglaterra. Sátira antibritânica de Willete (1899)
Este evento foi retratado várias vezes na literatura francesa e até integrou canções de rap. Também apareceu como uma referência irônica nos Smurfs.
"Merde!"
No teatro, "merda" foi (talvez ainda seja) utilizado entre os atores de uma peça para desejar boa sorte ao entrar em cena.
Este costume veio da França pelo fato de o público ter acesso à casa teatral por meio de carruagens a cavalos que, muitas vezes, amontoavam fezes na entrada.
Haver muita merda na entrada do teatro era sinal do sucesso das apresentações
Relacionadas
https://blogdopg.blogspot.com/2011/01/merde.html
https://blogdopg.blogspot.com/2008/10/pour-pater-les-bourgeois.html
https://blogdopg.blogspot.com/2018/07/batidas-na-madeira.html
Original: EM, 15/11/2019

sábado, 30 de novembro de 2019

BUFÕES

O pequenote Percheo
Em Heidelberg, cidade que integra a rota romântica da Alemanha, um ponto turístico imperdível é o Castelo de Heidelberg. É uma das mais famosas ruínas do país e símbolo da cidade.
Chega-se a este castelo por uma estrada ou, de uma maneira mais interessante, tomando-se o funicular.
Uma das atrações do Castelo de Heidelberg é o Fassbau (Edifício do Barril).
Foi mandado construir entre 1589 e 1592, especificamente para acolher o famoso Grande Barril. Estava diretamente ligado ao Salão do Rei, de forma a permitir, durante as celebrações, o acesso direto ao vinho contido no barril.
Percheo e eu
No Fassbau, o visitante se depara com a estátua de Perkeo (no alto da foto), o bufão da corte, símbolo do consumo de vinho, ali colocado por Carlos Filipe III para guardá-lo. Carlos Filipe trouxera Perkeo de Innsbruck, onde tinha anteriormente o seu trono como regente. imperial do Tirol, para a corte de Heidelberg. O rei tinha aprendido a tirar prazer do pequeno tamanho do bufão e de suas piadas espirituosas.
Conta-se que Carlos Filipe III lhe teria perguntado se conseguia beber o conteúdo de um barril sozinho. A resposta parece ter sido "Perché no?" (o que significa "porque não?", em italiano), o que daria origem à sua alcunha: "Perkeo".
E o rei: "Vem comigo para Heidelberg. Nomeio-te cavaleiro e camareiro do barril do rei. Na adega do meu castelo está o maior barril de todo o mundo. Se o beberes, a cidade e o castelo serão teus".
O vinho devia ser a única bebida que Perkeo conhecia desde a sua infância. Quando, em sua velhice, adoeceu pela primeira vez, o seu médico aconselhou-o a beber vinho com urgência e recomendou-lhe que bebesse água em abundância. Apesar do ceticismo, Perkeo seguiu o conselho do médico e morreu na manhã seguinte.
Perkeo era uma criatura digna de pena e tinha – como Victor Hugo mencionou – que consumir diariamente quinze garrafas de vinho, caso contrário era açoitado.
Original: EM, 15/03/2017
Triboulet
Os deveres de um bobo da corte medieval eram divertir o rei, sua corte e quaisquer visitantes que o rei quisesse divertir. Ele também era utilizado para animar o monarca (quando o monarca estava deprê), para atuar como confidente e, às vezes, como mensageiro. O termo "bobo da corte" só foi cunhado algum tempo mais tarde (antes disso, eles eram chamados de bufões). Mas o bufão tinha que ser esperto o suficiente para saber que era tênue a linha de separação entre provocar risos e ofender os que tinham poder sobre ele. Essa foi uma linha que o famoso bobo da corte Triboulet (na gravura) cruzou algumas vezes quando serviu Luís XII e Francisco I, reis da França.
Diz a lenda que, entre Francisco I e o Triboulet, aconteceu uma ríspida conversa, na qual ele disse ao rei que um dos membros da corte havia ameaçado matá-lo. O rei supostamente respondeu a isso: "Se ele o fizer, eu o enforcarei um quarto de hora depois". Ao que Triboulet supostamente brincou: "Ah, senhor, não é melhor então que fosse um quarto de hora antes?"
Certa vez, Triboulet não conseguiu se conter e deu um tapa no traseiro do monarca. O rei perdeu a paciência e ameaçou punir Triboulet. Um pouco mais tarde, o monarca se acalmou e prometeu perdoar Triboulet se o bobo pudesse pensar em um pedido de desculpas ainda mais ofensivo do que o desrespeito praticado. Alguns segundos depois, Triboulet respondeu: "Sinto muito, majestade, por não ter reconhecido você! Confundi-o com a rainha!"
Em outro exemplo famoso, ele enfureceu o rei por tirar sarro da rainha, após o que sua execução foi ordenada. No entanto, diz a lenda que, devido a seus anos de bom serviço, ele foi autorizado a escolher o modo de sua morte. Depois de refletir sobre isso, Triboulet disse ao rei: “Bom pai, pelo bem de Saint Nitouche e Saint Pansard, patronos da loucura, eu escolho morrer de velhice". Isso divertiu tanto o rei que ele optou por banir Triboulet em vez de executá-lo.
O mais famoso dos bobos das cortes medievais, Triboulet passou para história com o título de "bobo do rei e rei dos bobos".
Original: EM, 30/10/2019

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

PONTOS DE VISTA

PREFÁCIO
Ao compulsar os originais de "Pontos de Vista", que Marcelo me fez chegar às mãos a fim de apensar o prefácio, meu pensamento voou ao distante ano de 1980. Quando um grupo de médicos (em data não exatamente lembrada) reuniu-se no auditório do Centro Médico Cearense (CMC) - a hoje Associação Médica Cearense -, para discutir a ideia da publicação de uma obra literária. O CMC encontrava-se na gestão do Dr. José Aguiar Ramos (1980-1981), que sucedeu ao profícuo período do Dr. Paulo Marcelo Martins Rodrigues (1978-1979), em que foi criado o jornal "CMC Informa" e reformulada a revista "Ceará Médico".
O médico Dr. Emanuel de Carvalho Melo, que vinha exercendo o cargo de diretor cultural da instituição, foi convidado por Aguiar Ramos para implantar a editora do CMC. Com o surgimento desta ferramenta cultural, um grupo de esculápios acorreu à entidade com a intenção de publicar uma coletânea. Dez médicos, com suas produções literárias e a escolha consensual do título "Verdeversos" para uma antologia exclusivamente dedicada à poesia. O professor Adriano Espíndola, que teve o tempo de uma vida para escrever sua "Poesia Presente", honrou-nos com a apreciação dos textos. Então, demos a entrada do calhamaço na Imprensa Oficial do Ceará (IOCE).
Imaginem o que é acompanhar a edição de um livro naqueles tempos em que o setor gráfico não dispunha dos recursos da informática. Numa semana, Emanuel comparecia na IOCE, com os bicos de pena que havia desenhado para as ilustrações. Na outra, era a minha vez. Para conferir se os erros tipográficos anteriormente detectados tinham sido corrigidos. Ou se, à maneira de "memes", haviam se multiplicado. Somos gratos ao funcionário e hoje cineasta Rosemberg Cariry, que condignamente nos recebia nas visitas ao parque gráfico da IOCE.
Lançado o "Verdeversos", em uma noite de autógrafos, muitos autógrafos, na sede do Centro Médico Cearense, seguiriam-se em anos posteriores outros livros: "Isto não se aprende na escola" (1982), com temas médicos, "Encontram-se" (1983), de prosa e poesia, "Psiquiatria Básica" (1984), de Gerardo Frota Pinto, "Temos um pouco" (1984), de prosa e poesia, e "Nomes e expressões vulgares da medicina no Ceará (1985), de Eurípedes Chaves Jr.
O CMC, após o lançamento de "Verdeversos", foi também o palco das articulações para a criação da Sobrames Ceará. Tendo como seu idealizador o Dr. Francisco Dionísio Aguiar, e corporificada ao longo de 1982, ela contou com o apoio de uma comissão de médicos escritores coordenada pelo Dr. Francisco Nóbrega Teixeira, que contribuiu com a elaboração dos estatutos. Autodeclarando-se não escritor, mas empenhando-se a fundo na criação da Sobrames Ceará, Dionísio "sonhou um sonho por nós", no dizer da saudosa Dra. Celina Côrte Pinheiro.
Em 4 de novembro, com a presença do presidente da Sociedade Brasileira dos Médicos Escritores (Sobrames Nacional), Dr. Odívio Borba Duarte, em uma sessão solene realizada no CMC, tomou posse a primeira diretoria da Seção do Ceará da Sobrames. Após a posse, seguiram-se algumas reuniões em que foram estabelecidas metas e tomadas decisões importantes para a consolidação da entidade. Uma delas, a merecer destaque, foi a decisão de que todos os autores de duas coletâneas, "Verdeversos" (publicada em 1981, anteriormente à criação da Sobrames-CE) e "Encontram-se" (1983), seriam considerados seus sócios fundadores.
O colega Emanuel, ao tempo em que foi responsável pela Editora do CMC, foi também o primeiro presidente da Sobrames Ceará (1982-1984). Tendo prosseguido, no período seguinte (1984-1987) em que eu estive como presidente da entidade, como membro de sua segunda diretoria. Por haver Emanuel coordenado, como editor do CMC, as primeiras edições das antologias dos médicos-escritores, sucedeu serem estas chanceladas pelo Centro Médico Cearense e pela Sobrames Ceará (a partir da criação desta última).
Sim, a medicina nos permite a esses voos do espírito em que, dedicados à literatura, criamos histórias, simulamos vidas, transfiguramos a realidade e até inventamos universos autônomos (a partir de verdades que não podem ser medidas pelos mesmos padrões das verdades factuais). Temos um entendimento com a palavra (aliança secreta, diria Cortázar) para não desvanecermos. E, nessa árdua luta para vencer a poeira do tempo, por isso, escrevemos. Existe um caminho de volta que nos leva da fantasia à realidade e esse caminho é a arte, como assinalou Freud.
Assim é que chegamos a 2019, ano em que é dado a lume "Pontos de vista". Um alentado livro de 350 páginas organizado e apresentado pelo Dr. Marcelo Gurgel, com a arte de capa do cirurgião e artista plástico Dr. Isaac Furtado, e contendo poemas, contos, crônicas, causos, ensaios, artigos, reminiscências, discursos e reflexões de seus 64 autores. Destes, 60 são médicos e 4 são sobramistas oriundos de outros ofícios. Suas minibiografias são apresentadas na sequência deste introdutório. Nesta 36.ª antologia da Sobrames Ceará, há autores antigos, novos e um, digamos, "neoantigo". Trata-se de Winston Graça, um dos dez esculápios que estiveram, nos idos de 1981, em colóquio com as musas da poesia nas páginas de "Verdeversos", onde tudo começou.
Que "Pontos de Vista" lhes propicie uma agradável leitura!
É como prefacio.
Webgrafia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Associação_Médica_Cearense
http://preblog-pg.blogspot.com/2007/11/verdeversos.html
http://preblog-pg.blogspot.com/2015/12/antologias-da-sobrames-ceara.html
http://blogdasobramesceara.blogspot.com/2015/04/por-celina-corte-sobrames-regional.html

Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva
Ex-Presidente da Sobrames-CE
Fortaleza, 9 de outubro de 2019

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

PRIMEIRAS FOTOGRAFIAS: DA LUA, DO SOL, DE UMA ESTRELA E DE UM COMETA

Louis Jacques Daguerre foi o criador do primeiro processo fotográfico de que se tem notícia, o daguerreótipo. Em 2 de janeiro de 1839, ele apontou sua câmera para o céu e fez a primeira foto da Lua.
Mas ele tinha problemas financeiros e não obteve apoio para seu trabalho por não querer revelar a parte fundamental do processo que inventou. Um incêndio em seu laboratório, naquele mesmo ano, acabou por destruir grande parte de seu trabalho, assim como destruiu a primeira foto da Lua.
Um ano depois, em 1840, o estadunidense John Williams Draper fez uma nova foto do satélite natural da Terra, sendo esta a primeira imagem da Lua (fig. 1) ainda preservada.
Em 1845, os franceses Hippolyte Fizeau e Leon Foucault tomaram a primeira fotografia bem sucedida do sol. Usando a tecnologia do daguerreótipo, eles fizeram as primeiras fotografias do Sol. A imagem original, tirada com uma exposição de 1/60 de segundo, tinha cerca de 12 centímetros de diâmetro e capturou várias manchas solares, visíveis nessa reprodução (fig. 2).
Original: Blog EM, 02/01/2018
Na noite de 16 de julho de 1850, Vega se tornou a primeira estrela (além do Sol) a ser fotografada, quando teve sua imagem registrada por William Cranch Bond e John Adams Whipple no Observatório de Harvard (fig. 3).
A foto também foi tirada com daguerreótipo. Para obter esta imagem foi necessário efetuar uma exposição de 100 s. Com a tecnologia existente na época, as estrelas de 1.ª magnitude necessitavam de tempos de exposição superiores a 60 s e as estrelas de 2.ª magnitude por vezes não eram registadas com sucesso.
No relatório de WC Bond sobre este feito, pode ler-se:
"Com a ajuda do senhor Whipple, daguerreotypist, obtivemos várias impressões da estrela Vega (α Lyrae). Temos razões para acreditar que esta seja a primeira experiência bem sucedida deste tipo, tanto em nosso país como no exterior. Pela facilidade com que foi executada, com a ajuda de nosso grande equatorial (telescópio refrator com 38 cm de abertura), fomos encorajados a crer que será uma abertura para novos progressos. Deverá ser bem sucedida, quando aplicada a estrelas do menos brilho do que α Lyrae, a fim de dar-nos fotos corretas de várias estrelas, e suas vantagens serão incalculáveis."
Vega é a estrela mais brilhante da constelação de Lira e a quinta estrela mais brilhante do céu noturno. Emissário do espaço-tempo, a luz de Vega alcançou as lentes do telescópio a uma distância de 25 anos-luz para fornecer uma imagem da estrela como era um quarto de século antes.
Original: Blog EM, 16/07/2019
O cometa Donati foi visto pela primeira vez e recebeu o nome de seu descobridor, Giovanni Battista Donati, em Florença no início do ano de 1858. Foi o segundo cometa mais brilhante do século XIX. Em 27 de setembro, tornou-se o primeiro cometa a ser fotografado (Pat's Blog).
Leitura recomendada: História da Astrofotografia

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

GIGANTES E ANÕES

Newton escreveu a Hooke: "O que Descartes fez foi um bom passo." (...) "Se eu já vi mais, é porque estava em (pé sobre) ombros de gigantes".
A carta está na Sociedade Histórica da Pensilvânia:
Isso foi interpretado por alguns escritores como uma observação sarcástica direcionada à aparência de Hooke, que era portador de uma cifose grave. Naquele tempo, Hooke e Newton tinham um bom relacionamento e trocavam muitas cartas em tons de consideração mútua. Só mais tarde, quando o primeiro criticou algumas das idéias do segundo com relação à óptica, Newton ficou tão ofendido que se retirou do debate público. E os dois homens permaneceram inimigos até a morte de Hooke.
É quando me dou conta de que a grande ciência necessita de grandes inimigos. E me recordo das palavras de um Prêmio Nobel de Física, Murray Gell-Mann:
"Se vi mais longe do que os outros, é porque estava cercado de anões."
A metáfora de anões em pé sobre os ombros de gigantes (latino: nanos gigantum humeris insidentes) expressa o significado de "descobrir a verdade construindo sobre descobertas anteriores". Uma imagem presente na mitologia grega em que o gigante cego Orion carrega o servo Cedalion nos ombros para que este funcione como seus olhos.
No mais, aqui vão dois reparos:
A primeira frase em negrito, que se atribui frequentemente a Isaac Newton, por tê-la citado em sua carta para Thomas Hooke, é na verdade de Bernardo "Ombros de Gigantes" Camomensis, o Bernardo de Chartres, um filósofo do século 12. Embora a moeda britânica de duas libras, com a inscrição STANDING ON THE SHOULDERS OF GIANTS em sua borda, denote a intenção de homenagear Newton.
Já a terceira frase em negrito, ela não é minha e sim de Dave Pacheco, um blogueiro estadunidense do século 21, que disse:
"Se eu não tenho visto tanto quanto Isaac Newton é porque eu estava sobre os ombros de uma gigante que usava uma blusa decotada."
Original: EM, 20/07/2018

terça-feira, 30 de julho de 2019

ABUTRES

Descubram seus rostos
Que anjos são esses
Que me espantam os mosquitos do verão
Mas que não se importam
Quando me rondam os abutres?
Original: EM, 26/11/2007
Urubu malandro e os abutres em geral
Todos os anos, em 15 de março desde 1957, a cidade de Hinckley, Ohio, aguarda ansiosamente o retorno dos urubus ao "Buzzards' Roost" (Poleiro dos Abutres), na Reserva Hinckley.
A celebração do retorno anual dos abutres começa cedo (6h30) na reserva de Hinckley do Cleveland Metropark . Liderados pelo "Oficial Buzzard Spotter", o Dr. Bob Hinkle, os madrugadores levantam seus binóculos e câmeras para competir pelo primeiro avistamento. É tudo uma boa diversão e um sinal certo de que a primavera está a caminho.
Original: EM, 02/09/2017
O Piquenique dos Abutres
Para seu trabalho de 2009, "In Ictu Oculi" (Em um piscar de olhos), a artista Greta Alfaro pôs uma mesa do lado de fora, na vila espanhola de Fitero, e filmou um convescote entre 40 abutres.
"Não foi fácil fazê-los chegar à mesa" , disse ela ao Instituto Translocal de Arte Contemporânea. "Eu tive que esperar por uma semana, arrumando a mesa todas as manhãs e desarmando-a ao anoitecer. Os abutres têm uma visão extraordinária, e se um deles perceber que há comida, ele fará círculos no ar para que os outros saibam. Eles se aproximavam da cena todos os dias, mas minha presença ou a presença da mesa impediam que eles se aproximassem".
"Acho que foi importante para refletir sobre a impermanência de quase tudo e sobre o fato de que a vida não pode ser controlada", concluiu Greta.
Original: EM, 10/03/2019
Como os abutres encontram a comida
Em 1833, para mostrar que os abutres encontravam suas presas pela visão e não pelo cheiro, o naturalista John Bachman fez "uma pintura grosseira representando uma ovelha esfolada".
Isso provou ser muito divertido: assim que o quadro foi colocada no chão, os abutres o observaram, pousaram perto, passaram por ele e alguns deles começaram a bicar a pintura. Eles pareciam muito desapontados e, depois de terem atendidos à curiosidade, voaram para longe. Esta experiência foi repetida mais de cinquenta vezes, com o mesmo resultado.
Ele confirmou o resultado colocando a pintura a dois pés de uma pilha de miúdos camuflados em seu jardim. "Eles vieram como de costume, andaram em volta, mas em nenhum momento evidenciaram os mais leves indícios de terem detectado os miúdos que estavam tão perto deles."
Então, Bachman concluiu que, embora os abutres tenham um olfato, eles não o usam para encontrar comida.
Original: EM, 24/07/2019

domingo, 30 de junho de 2019

TARTARUGAS COSMOLÓGICAS

... até o fim
A seguinte anedota é contada a respeito de William James.
Depois de uma palestra sobre cosmologia e a estrutura do sistema solar, James foi abordado por uma velhinha.
"Sua teoria de que o Sol é o centro do sistema solar, e a Terra é uma bola que gira em torno dele, Sr. James, é interessante, porém está errada. Eu tenho uma teoria melhor", disse a velhinha.
"E qual é, madame?" perguntou James, educadamente.
"Nós vivemos em uma crosta de terra que está nas costas de uma tartaruga gigante."
"Se a sua teoria está correta, madame", retrucou ele, "onde a tal tartaruga está?"
"O senhor é um homem muito inteligente, Sr. James, e essa é uma pergunta muito boa", respondeu a velhinha, "mas eu tenho a resposta: a tartaruga está nas costas de uma segunda tartaruga, muito maior e que está exatamente sob a primeira".
"Mas... onde a segunda tartaruga está?" persistiu James, pacientemente.
A velhinha cantou, triunfante:
"Não adianta, Sr. James, há tartarugas até o fim."
– JR Ross, Constraints on Variables in Syntax, 1967
... em todo o caminho
Stephen Hawking incorporou o ditado "Turtles all the way down" (Tartarugas em todo o caminho)" em seu livro de 1988, "Uma Breve História do Tempo":
Um cientista conhecido (alguns dizem que foi Bertrand Russell ), uma vez deu uma conferência pública sobre astronomia. Ele descreveu como a Terra orbita em torno do Sol e como o Sol, por sua vez, orbita em torno do centro de uma vasta coleção de estrelas que é a nossa Galáxia. No final da palestra, uma velhinha nos fundos da sala levantou-se e disse: "O que você nos disse é lixo. O mundo é realmente uma placa plana apoiada nas costas de uma tartaruga gigante." O cientista deu um sorriso superior antes de responder: "Onde a tartaruga se apoia". "Você é muito inteligente, jovem, muito inteligente", disse a velha senhora. "Mas há tartarugas em todo o caminho!"
–  WIKI
Quer você a veja como profundamente metafísica, ou apenas zombando da física, você ainda pode sorrir ao ler sobre essa teoria (das tartarugas até o fim / em todo o caminho).
Original: EM, 23/03/19
Com relação à teoria da Terra sustentada por elefantes, com estes, por sua vez, vivendo sobre o casco de uma enorme tartaruga, como descreviam os antigos:
O que estaria a pensar este quelônio?
"Por que, sendo eu uma criatura do espaço, tenho patas para nadar? Por que há elefantes em minhas costas e mais esta rocha monstruosa? Preciso me acasalar, onde é que estão as outras tartarugas do espaço?"
Original: EM, 11/05/18

quinta-feira, 30 de maio de 2019

WANDA E VÂNDALO

Inspirado em "Jackass" (um programa de TV com brincadeiras perigosas e autolesivas), um grupo de amigos terminou uma festa com a ingestão de peixes vivos de um aquário. Depois que os peixes dourados desceram suavemente, um bagre Corydoras aeneus foi ingerido. Desconhecendo a morfologia e o comportamento antipredador dessa espécie, um homem saudável, mas alcoolizado, de 28 anos, teve uma surpresa. O bagre abriu e travou as espinhas de suas nadadeiras peitorais, alojando-se na hipofaringe do homem. Após várias horas, ele se apresentou no pronto-socorro com disfonia e disfagia. O peixe teve que ser removido por endoscopia. A intubação e a internação na unidade de terapia intensiva foram necessárias devido ao edema laríngeo. Duas semanas após a intervenção que salvou sua vida, o paciente já completamente recuperado doou o peixe para o Museu de História Natural de Roterdã. A publicidade gerada pela exibição pública do peixe não engolido enfatizou o aviso oficial do "Jackass": "não tente fazer nenhuma das cenas de ação que você está prestes a ver".
Entre as referências do artigo que publicou o caso do peixe que não desce redondo, destaca-se: Cleese J, Crichton C. Um peixe chamado Wanda. Beverly Hills (CA): Produção da Metro-Goldwyn-Mayer; 1988.

Original: Nova Acta, xx/xx/xxxx
Um peixe chamado Vândalo
O martelo é comandado pelo peixe para quebrar coisas.
Ver os detalhes de como isto funciona no Robotic Gizmos.
Original: EM, 07/11/2017

terça-feira, 30 de abril de 2019

HUMBERTO GOMES MAGALHÃES

Correspondência
Sou irmão do Humberto Gomes Magalhães, desenhista do jornal A Ferragista. O Sr tem algum acervo do Jornal?
Agradeço pela a atenção. Visitei o seu rico blog, muito bem feito e cheio de cultura. O Preblog é ótimo.
Atenciosamente,
Sérgio Luís Oliveira Magalhães
Olá, Prof. Sérgio Luís.
Lembro-me do Humberto, que desenhava para o jornal A Ferragista.
Dê-me notícias a respeito dele.
Edmilson Alves, proprietário desse house organ, certa vez presenteou a cada colaborador quatro volumes encadernados com as edições do jornal.
Acredito que possa localizá-los.
Em tempo:
ILUSTRADORES PARA CHAMAR DE MEUS (slideshow)
Os desenhos dos slides 12 e 13 (O asteroide da mão estendida, Preblog) teriam sido feitos por seu irmão?
Estou curioso para saber o motivo de seu interesse.
Paulo Gurgel
Muito obrigado pela atenção. Meu interesse é colecionar e guardar a obra do meu irmão, pois seus filho e esposa não a tem. Ele já está entre as estrelas desde de 1986. Faleceu de *** em Limoeiro do Norte-Ce. Somos todos do pequeno município de São João do Jaguaribe - Ce, distante da capital 225 km, aqui no Baixo Jaguaribe.
Sérgio Luís
Olá, Prof. Sérgio.
No edifício em que resido cada morador dispõe de um compartimento na garagem para guardar algumas coisas.
Era minha intenção apanhar os quatro volumes encadernados das edições de "A Ferragista" para doá-las a vocês, familiares de Humberto.
Mas.
Uma desagradável surpresa: estavam completamente destruídos por uma infestação de cupins!
Os biblioclastas! Não foi a primeira vez que eles fizeram isto comigo.
http://blogdopg.blogspot.com.br/2007/04/um-show-que-no-acabou.html#links
Um abraço.
Paulo Gurgel
PESQUISA NA INTERNET
A cultura como resistência nas páginas da revista "O Saco", por Rodrigo C. Vargas
O primeiro número da revista saiu em abril de 1976 com 32 páginas e a colaboração de nomes desconhecidos e outros consagrados nas diversas áreas artísticas que compreendiam "O Saco". No caderno Prosa, conto de Airton Monte titulado "Ave Noturna" com ilustração de Humberto, o diagramador do grupo. Conto de Carlos Emilio chamado "O Labirinto" com ilustração de Pedro Eymar. Conto do Jackson Sampaio chamado "Edifício Vesúvio" com mais uma ilustração de Humberto, que também ilustra o último conto, "Juízo Final", de Nilto Maciel.
A pouca experiência contou para o encerramento das atividades. Raposo era o único que sabia lidar com uma empresa, era proprietário de um grupo livreiro encorpado que funcionava em Fortaleza; mas os outros três eram jovens recém formados. Carlos Emilio ainda morava com os pais. Edmundo de Castro, Estrigas e Humberto Gomes Magalhães ajudaram, mas apenas no campo criativo.
O Vertebral
PerCurso "O Saco": criatividade e resistência
Revista literária formada por Carlos Emílio Correia Lima, Nilto Maciel, Jackson Sampaio e Humberto Magalhães, junto a Manoel Coelho Raposo, "O Saco Cultural" foi uma publicação cearense de curta duração porém de consideráveis impactos na Fortaleza e no Brasil dos anos 1970. Seus 15 meses de atividades foram suficientes para lograr uma distribuição nacional chegando tanto a importantes cidades do Brasil (com tiragem de 15.000 exemplares!) quanto à mesa dos censores e da Polícia Federal em pleno Regime Militar. Neste percurso fizemos um passeio sobre esse importante momento da Cultura no Ceará, conhecendo um pouco mais o ambiente da cidade, a produção literária e os seus intelectuais, "O Saco" e seu conteúdo.
O mediador foi o Carlos Emílio Correia Lima, escritor, poeta, editor, ensaísta, antidesigner, foi um dos fundadores da revista O Saco.
PerCursos Urbanos

sábado, 30 de março de 2019

CLECS E BAMBANGAS

Leite derramado
Aqui não se trata de uma referência a um romance do Chico Buarque. É o título de uma postagem do blog Frases Ilustradas, em que uma frase de Eno Teodoro Wanke é transcrita sob uma belíssima ilustração de Ceó Pontual (como todas as que ele desenha para o seu blog).
A frase citada é a seguinte:
"Mesmo depois do leite derramado é importante pensar que a vida continua e a vaca não morreu."
Eno Teodoro Wanke (Ponta Grossa, PR, 28 de junho de 1929 – Rio de Janeiro, RJ, 28 de maio de 2001), que foi um engenheiro da Petrobrás e poeta, teve uma forte presença no cenário literário brasileiro a partir de 1960. Escrevia principalmente minicontos, trovas e clecs, muitos clecs (como ele chamava os seus pensamentos humorísticos). A frase que foi citada por Ceó é um destes. Eis outros exemplos de seus clecs:
"Quando um adjetivo mente, ele, por castigo, vira advérbio. Folha que se desprende da árvore não volta nunca mais. Melhor perder o trem do que perder a linha. O sol nasce para todos, mas a maioria prefere dormir um pouco mais."
Ainda guardo todos os livros autografados que dele recebi pelos Correios. São onze livros de clecs e minicontos, dois de trovas ("A Trova Literária", um clássico sobre o assunto, e "Antologia da Trova Escabrosa") e ainda um livreto, intitulado "A Ortografia Que Nos Atormenta", no qual Eno Wanke faz uma defesa da ortografia fonética para a nossa língua.
Blog EM, 21/08/2009
Atualização
Pela curiosidade que apresenta, transcrevo o trecho de um artigo de Filemon F. Martins, Quem foi Eno Theodoro Wanke?, postado em "Usina de Letras":
"Como sonetista de primeira, (Eno Wanke) obteve com o soneto "Apelo", 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros.
Eu venho da lição dos tempos idos /e vejo a guerra no horizonte armada. /Será que os homens bons não fazem nada? /Será que não me prestarão ouvidos? /Eu vejo a Humanidade manejada /em prol dos interesses corrompidos. /É mister acabar com esta espada /suspensa sobre os lares oprimidos! /É preciso ganhar maturidade /no fomento da paz e da verdade, /na supressão do mal e da loucura... /Que a estrutura econômica da guerra /se faça em pó! E que reinem sobre a terra /os frutos do trabalho e da fartura!"
Bambangas
Naquela época, recebia também pelos Correios, com menor frequência, os livros do baiano de Ipojuca, médico e memorialista José Lemos de Sant'Ana. Ainda disponíveis em livrarias virtuais, alguns deles têm os curiosos títulos de "Bambangas", "Outros bambangas", "Mais bambangas" e "Ainda bambangas".

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O CRIADOR DE CAPOTES

Certa vez, um paciente em sua consulta de retorno me presenteou com dois capotes. No Nordeste brasileiro, pessoas oriundas da zona rural demonstram sua gratidão aos médicos trazendo-lhes algum mimo.
Sabendo que ele ficaria magoado com a minha recusa em recebê-los, aceitei-os.
Capote é bicho que tem uma vastidão de sinônimos: galinha d'angola, cocá, guiné, pintada. E até "tô-fraco", em alusão ao som que eles incessantemente emitem.
Vinham numa caixa com orifícios servindo de respiradouro. Desamarrei-lhes os pés e soltei-os no quintal de casa (para adiante resolver o que faria com eles).
A presença deles foi uma festa para meus filhos que ainda não conheciam tal tipo de galináceo. Certamente ninguém ali pensava em comê-los.
E foi o primeiro dia e fez-se noite. Na madrugada do segundo dia, fui despertado com guinchos estridentes que vinham do jardim, das áreas laterais da casa e do quintal.
Não consegui mais dormir. Tendo ali aprendido a duras penas que, além de vocalizar aquele "tô-fraco" conhecido, o capote, qualquer capote, utiliza-se de uma segunda língua no período do alvorecer.
E foi o segundo dia e fez-se noite. Na madrugada do terceiro dia, mais guinchos aconteceram que me acordaram. Desta vez, começaram mais cedo e eram mais fortes.
Havia, como pude verificar a seguir, uma justificativa para o recrudescimento. A cantoria estava sendo reforçada pela participação de um terceiro capote que chegara voando das redondezas.
Não! Eu não ia fazer o papel de um insone criador de capotes. E decidi que iria doá-los a quem tivesse reais condições de criá-los. Lembrei-me de Ronaldo, um concunhado meu. Em sua chácara no Eusébio, Ronaldo criava muitos tipos de aves (inclusive capotes).
Ele concordou em ser o fiel depositários dos meus capotes, embora me alertasse para uma certa dificuldade. Para trazê-las, eu teria antes de capturá-los. "No sertão, eles pegam esses bichos para a panela é com tiros."
De fato, eles eram muito mais velozes do que eu havia calculado. Em campo aberto, nem com o Usain Bolt me ajudando aquela captura teria sido possível. Então, montei um plano com a casinha de cachorro do quintal no centro da estratégia. E persegui os capotes até que estes buscassem refúgio no pequeno cômodo transformado em armadilha. Tranquei o portão. e aí ficou fácil.
Deixados no Eusébio, não me perguntem agora como os capotes estão. Pelo tempo em que essa história se passou, não devem mais estar vivos. Mas desconfio que eles não devem ter morrido de morte natural.
N.A. -- Acredito que também teria resolvido o problema com a técnica mostrada no vídeo abaixo.

Original: LT, 27/05/2018

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

RESPINGOS NA MEMÓRIA

1
De todos os bens, o guarda-chuva é certamente o mais esquecível.
Mas...
O que indica o frequente esquecimento deste bem pelo proprietário?
Pode ser o desejo que a pessoa tem de que não chova mais. Pode ser a tendência ao risco ("quem sai na chuva é pra se molhar"). Ou pode ser a vontade de voltar ao tempo intra-uterino, quando tudo era molhado. Esta última, que apela para a figura materna, trata-se de uma explicação freudiana.
☂ Nunca deixe seu guarda-chuva para trás!
2
Um homem puxa conversa com outro:
- Creio que já nos conhecemos...
- Não me lembro.
- Pois tenho certeza de que já fomos apresentados. Faz um mês, mais ou menos.
- E como me reconheceu?
- Pelo guarda-chuva.
- Mas, nessa época, eu não tinha guarda-chuva.
- Realmente, mas eu tinha...
3
Em 1836, estava previsto um eclipse lunar total que Gauss prometeu mostrá-lo, através do telescópio de seu observatório, ao amigo Ribbentrop, um professor de direito licenciado.
Embora estivesse caindo um toró naquela noite, o excêntrico e desligado amigo apareceu.
Gauss explicou que a observação do eclipse tinha-se tornado impossível, mas Ribbentrop respondeu: "Não, eu trouxe o meu guarda-chuva."
4
Related imageUma dama britânica disse certa vez que, se chegam visitas inesperadas a sua casa, ela rapidamente pega o chapéu e o guarda-chuva. Caso a pessoa que acaba de chegar for do seu agrado, ela diz: "Ah, que bom, eu também acabei de chegar!". Mas se a visita é de alguém inoportuno, ela diz: "É uma pena que eu precise sair".
5
Fique seco!
Para evitar que as pessoas percam seus guardiões da chuva, uma empresa lançou um guarda-chuva com alerta de esquecimento.
É o Davek Alert Umbrella, o guarda-chuva de alta tecnologia que você não pode perder.
Além de forte e elegante, este guarda-chuva incorpora a avançada tecnologia Loss Alert. Que permite transmitir, através de um pequeno chip embutido na alça, um "sinal de proximidade" a seu smartphone. Este sinal é lido por um aplicativo no smartphone que pode rastrear a distância entre o telefone e o guarda-chuva. Se a distância exceder os 10 metros o guarda-chuva enviará um alerta sutil para o seu telefone.
(nota não patrocinada)

domingo, 30 de dezembro de 2018

O CORRETOR AUTOMÁTICO DE TEXTO

O corretor automático tem seus pontos fracos bem documentados, mas ele é muito bom para transformar os termos sem sentido que você digita no computador em algo compreensível. E, por isso, temos que agradecer a um homem chamado Bill Vignola.
O corretor automático, no início, tinha problemas com os palavrões. E a Microsoft não podia sugerir ao usuário a palavra "motherfucker", por exemplo! Então, a tarefa de extirpar as palavras vulgares do dicionário esteve nas mãos de Christopher Thorpe, na época um estagiário de 19 anos.
1
Como Thorpe diz à Wired, tudo foi inspirado por um cara que enviou um e-mail a Bill Gates reclamando que seu sobrenome era corrigido para algo, digamos, anatômico. Sempre que Bill Vignola digitava seu próprio nome no MS Word, explicava o e-mail para Gates, ele era automaticamente alterado para Bill Vaginal. Acredita-se que Vignola notou isso às vezes, mas não sempre… Seu e-mail passou pela cadeia de comando até chegar a Thorpe. E Bill Vaginal não foi o único a reclamar: Thorpe lembra que o banco Goldman Sachs estava irritado, pois o Word alterava o nome para "Goddamn Sachs" (Maldito Sachs).
[https://gizmodo.uol.com.br/criador-corretor-automatico/]
2
Dizem que eu não gosto dos computadores, mas são os computadores que não gostam de mim. Um dia uma moça foi me ajudar com um trabalho e levou um computador. Agora eles têm um recurso que corrige palavras. Então a moça foi digitar meu nome. Meu nome completo é Ariano Vilar Suassuna. "Ariano" passou sem problemas. Aí, quando a moça digitou "Vilar", o computador sugeriu "Vilão". E "Suassuna", talvez pelo número de "esses", virou "Assassino"! "Ariano Vilão Assassino"! É por isso que eu digo, são os computadores que não gostam de mim...
– Ariano Suassuna, em uma entrevista no "Programa do Jô".
[https://blogdopg.blogspot.com/2007/06/ariano-e-os-computadores.html]
3
Escrevia-se a autobiografia de um modo absolutamente solitário - sem a "peruação" de estranhos. Os originais eram escritos à pena (molhando o bico na tinta frequentemente), com a caneta ou numa máquina de escrever.
Mas isso, antigamente.
Hoje, sabe o que acontece quando alguém mal começa a digitar a autobiografia?
 O Clippy aparece!
[http://blogdopg.blogspot.com/2011/11/autobiografia.html]
4
Lembrando Clippy...
"Como é que eu não sei sobre isso? Eu perdi Clippy (por razões óbvias), e nunca entendi o ódio que algumas pessoas tinham por ele (ela? Eu não sou muito bom em sexagem de clipes)." ~ Linus Torvalds
Os nostálgicos podem agora adicionar Clippy (ou qualquer um de seus amigos) em suas páginas na internet. Clippy me passou seu endereço, o do "retiro dos artistas" em que ele curte seu ócio com dignidade.
[https://www.smore.com/clippy-js]
Original: EM, 26/10/2018

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

INFINITUDES

Ninguém realmente sabe o que é o infinito. Ele incomoda físicos e já levou matemáticos para o hospício, mas é fundamental para entender o mundo.

o infinitamente pequeno
tem o mesmo direito à existência que
o infinitamente grande

Existe diferença entre o infinitamente grande e o infinitamente pequeno?
Sim, e é uma diferença praticamente infinita. O infinitamente grande tende ao infinito, enquanto o infinitamente pequeno tende a zero, embora ambos sejam infinitamente imensuráveis. Matematicamente, o primeiro é simplesmente infinito, e o segundo seria 1 dividido por infinito. Um tratamento possível de coisas infinitamente pequenas foi descoberto com a invenção do cálculo, por Isaac Newton e Gottfried Leibniz. Já o tratamento de números infinitamente grandes ganhou força depois de Cantor.
In: Infinito, esse troço que não acaba, de Salvador Nogueira
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30/08/17, 7h - Em resposta a @EntreMentes:
"A matéria e as forças se expandem no universo infinito, onde nossa lógica antropomórfica não alcança e isto nos é indiferente." - Panta Rhei.
30/08/17, 17h - Em resposta a todos:
Panta Rhei foi Heráclito, o Obscuro. Em algum momento da antiguidade, ele adquiriu este epíteto porque seus ensinamentos eram "incompreensíveis".
Heráclito era conhecido por sua insistência na mudança como sendo a essência fundamental do universo. [1] [2]
"Ninguém entra duas vezes no mesmo blog. Tudo flui." - @EntreMentes
06/09/17, 2h - Em resposta a resposta a todos:
"Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais." - Gilberto Gil
Original: EM, 29/08/2017

terça-feira, 30 de outubro de 2018

CRIAÇÃO

Da Terra
Ainda que eu seja um darwinista convicto não deixo de ficar maravilhado com esta versão criacionista da Terra segundo o cartunista Gary Larson.

Original: EM, 21/02/2008
Dos bichos
DEUS: Quantos animais ainda tenho que fazer?
ANJO: Dois.
DEUS: E quantas pernas ainda temos?
ANJO: Cem.
CENTOPEIA: Legal.
SERPENTE: Droga.
Ler também:
A PRIMEIRA CIRURGIA DO MUNDO
Pós-criação
Deus delegou a Adão a responsabilidade de dar nomes aos bois e aos bichos em geral.
Então, Adão saiu por aí dando os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo.
Gênesis 2:20
Alguns vieram à mente do primeiro homem com certa facilidade. O nome da rã, por exemplo. Outros, nem tanto, dentre estes os nomes para o hipopótamo e o ornitorrinco.
Adão levou seis dias para concluir o nomeamento, e no sétimo descansou.
Deus gostou do que viu e, meio que sondando, comentou que Adão seria a pessoa mais indicada para designar os animais pelos nomes científicos.
Adão não gostou do que ouviu e tratou logo de arranjar uma boa desculpa. Não ser fluente em latim, lhe pareceu a melhor. Sabe Deus, a primeira flor do Lácio não é para já. Deixemos com Lineu para começar essa taxonomia etc. ~ PGCS
Original: EM, 28/09/2018

domingo, 30 de setembro de 2018

O POETA CARIMBADOR

Vou chamá-lo de Carimbador Poeta, em alusão ao "Carimbador Maluco", do roqueiro Raulzito. Não fosse a citada referência, melhor seria inverter a ordem dos termos para chamá-lo de Poeta Carimbador.
Ele foi uma dessas pessoas que eu vi somente uma vez na vida. Como muitas outras, aliás.
Sentou-se à mesa em que eu estava no Estoril, onde eu batia ponto nas noites de sexta-feira, (*) e declarou-se um outsider. Em seguida, da surrada mochila que trazia consigo, ele sacou algo que eu não identifiquei de imediato o que seria.
Seria um livro? Era.
Tinha uma capa de papelão preto, em que se lia AQUI ESTOU DEVAGAR SE ATROPELA COM CARINHO, e o formato quase quadrado.
Pus-me a folhear o livrinho que, entre outras esquisitices, continha folhas de diferentes qualidades que se alternavam.
Era um livro de micropoemas.
O prefácio como que a traduzir o espírito do autor:
Quando me perguntam / como é que eu estou / respondo que estou bem / no meio da confusão / com um olho na polícia / e outro no ladrão.
Uma particularidade: o livro não era o produto de uma gráfica convencional. Nem de um mimeógrafo, o invento de Thomas Edison em 1876 que, tempos depois, deu sustentação a uma geração de poetas marginais no Brasil.
Strictu sensu, o poeta não pertencia à geração mimeógrafo. Daí aqueles poemas e ilustrações terem sido impressos por uma equipe de colaboradores... com carimbos!
E o preço?
Uma pechincha. Sem entrar no mérito do conteúdo, só pela originalidade.
Guardo até hoje o meu exemplar autografado. É o 161/250. No qual encontrei os nomes de quem versejou, programou, carimbou e recitou-o em via pública.
Moral da história - O Estoril era uma festa.
(*) Onde andam Sitonho, Alemão e Baleia, o expedito trio de garçons do Estoril?
FICHA TÉCNICA
POETA Carlos Erre Vaz
PROGRAMADOR GRÁFICO VISUAL Parrote
CARIMBOS Dulcemira Ltda.. Rua Aurora, 182
TIPÓGRAFO DI Guilherme
CARIMBADORES Parrote, Edson, Selma e Carlos
RECITAIS DE RUA Selma Bustamante e Carlos
São Paulo, Fim de 1982
Original: LT, 12/08/2018

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

QUADROS

1
Sobre o quadro Poeta, de Leon Girardet:
É uma cena romântica: um rio (ou será um lago?), um barco, um poeta e três raparigas em flor. O poeta faz um recital dos últimos poemas que escreveu. Cada uma das moças deve se imaginar a própria musa inspiradora de um, vários, muitos desses poemas... Até de todos, se uma delas for bisavó da Luana Piovani.
A propósito, não é uma cena contemporânea. O figurino das pessoas mostra que não pertencem ao nosso tempo. O bardo mantém uma distância respeitosa das três raparigas, que se acotovelam num dos cantos da embarcação. A qual, por sua vez, está quase encalhada no capim aquático.
Mas... há remos no barco à espera de braços dispostos. Não se faça de rogado, meu poeta. Está a terminar a leitura do livro em suas mãos, agora é empunhar os remos. E levar o barco, as moças, a si próprio para novas paisagens. Onde o enlevo, o encanto, o arrebatamento, tudo é feito sem palavras.
Sim, faça isto. Embarcou: tem de remar. Para não ser depois recomendado à Sociedade dos Poetas Mortos nas Calças.
Original: EM, 22/06/2007
2
Sobre o quadro The Son of Man, de Rene Magritte:
Este é provavelmente um dos quadros mais famosos do pintor surrealista.
Ele definiu-o desta forma:
"Tudo o que vemos esconde outra coisa, e nós queremos sempre ver o que está escondido pelo que vemos."
O que está escondido pelo que vemos?
Resposta: O Filho do Bruxo
Original: EM, 27/01/2013
3
Sobre o quadro Mona Lisa, de Leonardo da Vinci:
Um perito de arte fez publicar que não é a verdadeira Mona Lisa que está exposta no Louvre. É apenas a pintura para a qual ela posou.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

SISTEMA MÉTRICO

É um sistema de medição internacional decimalizado, que surgiu pela primeira vez na França, durante a Revolução Francesa, em virtude da dificuldade de funcionamento do comércio e da indústria devido à existência de diversos padrões de medida.
No sistema métrico, ou Sistema Internacional de Unidades, um mililitro de água ocupa um centímetro cúbico, pesa um grama e requer uma caloria de energia para aquecer um grau centigrado - o que é 1 por cento da diferença entre seu ponto de congelamento e seu ponto de ebulição. Enquanto, no sistema americano, a resposta para "Quanta energia é necessária para ferver um galão de água que se encontra à temperatura ambiente?" é "Foda-se", porque você não pode relacionar diretamente nenhuma destas unidades. ~ Josh Bazell.
Em 1962, o Brasil emitiu um selo de 100 cruzeiros comemorativo dos 100 anos do sistema métrico no País.
Países não métricos
Você pode nomear dois países que ainda não adotaram o sistema métrico?
De acordo com o The World Factbook, publicado pela Central Intelligence Agency (CIA), o Sistema Internacional de Unidades é o sistema oficial de medidas para todas as nações do mundo, com exceção de Mianmar, Libéria e Estados Unidos. Algumas fontes, no entanto, identificam a Libéria como um país métrico.
Russ Rowlett opina que "os EUA adotaram o sistema métrico em 1866. O que os EUA não conseguiram fazer foi restringir ou proibir o uso de suas unidades tradicionais em áreas que tocam o cidadão comum: construção, transações imobiliárias, comércio varejista e educação".
Para melhor ou para pior, os Estados Unidos continuam sendo um dos dois ou três países que não adotaram oficialmente o sistema métrico. No entanto, a recusa dos Estados Unidos a adotar este sistema não foi por falta de insistência.
Em 1975, o Congresso aprovou a Lei da Conversão Métrica (Metric Conversion Act), que declarou o sistema métrico como o sistema preferencial dos Estados Unidos, e o Conselho Métrico (U.S. Metric Board) foi criado para implantar esta conversão. No entanto, a experiência métrica dos Estados Unidos provou ser de curta duração. Como seria de esperar, muitos motoristas se confundiam com as alterações nas placas, e cogitaram em substituí-las por aquelas em que as distâncias eram indicadas pelas unidades de medida anteriores. E a Lei de Conversão Métrica e o Conselho Métrico foram desmantelados apenas sete anos depois de terem sido criados.
Cerca de 40 anos mais tarde, o país continua comprometido com o seu padrão habitual de medição.
Como é gostoso dirigir em quilômetros
Em consonância com a ideia da conversão, as placas de trânsito da rodovia Interestadual 19, que liga Tucson, Arizona, ao México, foram à época alteradas para que as distâncias fossem mostradas apenas em quilômetros.
Felizmente, a estrada foi capaz de preservar sua identidade única, graças aos esforços dos moradores da região que não queriam prejudicar seus negócios. O que, presumivelmente, aconteceria com a perda da singularidade da rodovia I-19. Assim é que ela permanece, até hoje, como a única estrada nos EUA em que as distâncias são indicadas aos motoristas unicamente em quilômetros.
No entanto, se você estiver disposto a esquecer as milhas, pegue a Interestadual 19 só para ver como é gostoso dirigir em quilômetros.
Depois de uma tentativa de curta duração nos EUA para alinhar o país com o resto do mundo, esta estrada (I-19) foi deixada no sistema métrico
Um processo mnemônico para o sistema métrico

Webgrafia
http://blogdopg.blogspot.com.br/2016/01/como-e-gostoso-dirigir-em-quilometros.html
http://blogdopg.blogspot.com.br/2017/11/como-e-pratico-o-sistema-metrico.html
https://alessandrorossini.org/tag/metric-units/
http://www.atlasobscura.com/places/i19-americas-only-metric-interstate