domingo, 30 de março de 2025

KARMANN-GHIA E AS BORBOLETAS

Figuravam na letra original da canção "Paralelas", de Belchior:
No Karmann-Ghia (1) sobre o trevo a cem por hora,
Oh, meu amor!
Só tens agora os carinhos do motor.
E no escritório onde eu trabalho e fico rico
Quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor.
Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar,
Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar,
De voltar, de voltar.
No Corcovado quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana o mar sou eu
E as borboletas do que fui pousam demais
Por entre as flores do asfalto em que tu vais.
(2)
E as paralelas dos pneus na água das ruas
São duas estradas nuas em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar, abro a vidraça e grito
Grito quando o carro passa: teu infinito sou eu
Sou eu, sou eu, sou eu
No Corcovado... (repete)
NOTAS
(1) Substituído por: Dentro do carro. Na década de 1960, o Karmann-Ghia era um dos objetos de desejo dos playboys brasileiros. Surgido em 1955, da união do fabricante de carrocerias alemão Wilhelm Karmann com o italiano Luigi Segri - designer do estúdio Ghia, a excitante novidade foi também  fabricada em São Bernardo do Campo-SP, entre 1961 e 1975. Mas o Karmann-Ghia saiu da letra de "Paralelas", antes mesmo da marca desaparecer no mercado. Reparar que marcas de veículos é que não faltam na MPB: V2, Mustang cor de sangue, Corcel cor de mel, Fuscão preto, Brasília amarela, arrumamalaê, a Rural vai atolá...
(2) Substituído por: Como é perversa a juventude do meu coração / Que só entende o que é cruel, o que é paixão. Sem dúvida, uma das melhores passagens presentes no corpus da obra belchioriana!
VÍDEO (Vanusa, 1975)