sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CRIADOR E CRIATURA

"Todas as crianças, exceto uma, crescem. Elas logo sabem que vão crescer (...) este é o começo do fim." 
Eis o início da clássica história em que o escritor James Barrie nos apresenta a turma de Peter Pan. Parece inocente, mas um olhar sobre a vida de Barrie dá um toque meio sinistro a essa história.
EU NÃO VOU CRESCER
"Toda a vida de James Barrie levou à criação de Peter Pan ", escreveu um dos seus biógrafos.
O ponto crucial aconteceu em 1866, quando Barrie, o caçula de uma família escocesa de dez filhos, tinha 6 anos: o irmão David, o orgulho da família, morreu em um acidente de patinação. A mãe de Barrie ficou arrasada. Para consolá-la, James começou a imitar o modo de falar e os maneirismos de David. Este comportamento bizarro continuou por anos. E o mais estranho: quando James chegou aos 13, a idade em que David tinha morrido, ele literalmente parou de crescer.
Ele não ficou mais alto do que 1,53 m, tinha a voz fina e estridente, e não fez a barba até que tivesse 24 anos.
Original: EM, 12/12/2014
A SÍNDROME DE PETER PAN
Esta síndrome teve a possibilidade da existência levantada pelo Dr. Dan Kiley em seu livro "The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up", de 1983. Para designá-la, o autor inspirou-se em Peter Pan, personagem de uma peça de teatro e livro homônimo, que vivia na Terra do Nunca onde os garotos nunca envelhecem.
O portador desta síndrome, segundo Kiley, tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento.
No entanto, não há consenso de que esta síndrome seja uma doença psicológica real e, por isso, não está referenciada nos manuais de transtornos mentais. Não consta, por exemplo, no DSM IV.
A propósito 
Como se parecem atualmente (no plano físico) Lucy, Linus e Charles Brown?
Original: EM, 12/04/2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

LADY GODIVA

Haicai

Esperar Godot
que não vem? Oh, eu prefiro
esperar Godiva.
Original: 18/06/2007
Contra os impostos cavalares
Diz a lenda que a bela Lady Godiva teve pena do povo de Coventry, Inglaterra, que sofria com os altos impostos cobrados pelo marido Leofric, o Duque de Mercia. E tanto apelou a Leofric, que ele aceitou reduzir os impostos. Sob uma condição: Lady Godiva deveria cavalgar nua pelas ruas de Coventry.Ela aceitou o desafio e deu ordem a que todos os moradores da cidade se fechassem em suas casas ("não quero voyeurismo por aqui") enquanto ela passasse despida.
A lenda também diz que somente uma pessoa se atreveu a olhá-la durante a cavalgada. Um tal "Peeping Tom" que, como consequência do tresloucado ato, ficou cego.
Gostando ou não do que a mulher fez, Leofric manteve a palavra e baixou os impostos de Coventry, até então bem cavalares.

É possível que a nudez de Godiva tenha se restringido a uma falta de adereços e de jóias preciosas, marcas da nobreza a qual ela pertencia. Ah, bom!
Original: EM, 22/10/2009
Peeping Tom Cat
Este gato - a espiar através da janela - é uma versão felina de Peeping Tom, um dos personagens da lenda de Lady Godiva.
Peeping Tom atreveu-se a espiar Lady Godiva despida, em sua cavalgada pelas ruas de Coventry. Fez isso enquanto todas as pessoas da cidade se trancavam em suas casas para não violar a nudez de Godiva. E ficou cego.
Espero que o mesmo desfecho não aconteça com o gato ao lado.
Original: EM, 13/07/2010
Quem conta um conto...
A história de Lady Godiva, uma nobre inglesa do século XI, já foi aqui contada.
Vindo a pelo:
O seu marido Leofric aumentara os impostos de Coventry, e Lady Godiva achou que eles ficaram exagerados. Não só ela.Todos os contribuintes da cidade acharam, pois ninguém gosta mesmo de pagar impostos. Diante de tal reação, o marido prometeu que reduziria os impostos. Se... Godiva andasse nua pelas ruas da cidade. Acreditando que ela não faria tal coisa, porém ela o fez.
Embora Lady Godiva tenha existido e Coventry seja uma cidade real, a autenticidade dessa cavalgada despida (de interesses subalternos) permanece até hoje contestada. Não foi por acaso que, numa abordagem anterior, deixei uma brecha para explicar a nudez de Lady Godiva.
Teria sido uma nudez apenas de adereços.
Quanto à elucidação da causa da cegueira de Peeping Tom, não vejo que importância tenha para deixá-la em consulta pública na internet.
Original: EM, 11/04/2015

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

MAMA ÁFRICA

O CONSELHO 17

Pode um homem ter mais de uma esposa e não adquirir AIDS através do sexo?
Sim, se o homem não faz sexo com outras mulheres, além das esposas, e se nenhuma delas tem amante. Se um homem é fiel às esposas e estas a ele, durante toda a vida, a AIDS não tem como ser transmitida pelo sexo a alguém do grupo.Mas, nas regiões da Uganda onde o homem pode ter sexo com a esposa do irmão, esse costume não é seguro. Porque ele não tem como saber se o irmão foi fiel à esposa e esta a seu irmão. Portanto, isto não é seguro, principalmente se o irmão tiver morrido de AIDS.
Original: EM, 12/08/10

AVISO
Bem-vindos a Moçambique
Devido à crescente frequência de encontros entre pessoas e leões, o Ministério da Pesca e da Vida Selvagem da Província de Inhambane, em Moçambique, aconselha os caminhantes, caçadores, pescadores, motociclistas e  todos aqueles que usam o ar livre em função recreativa ou profissional a tomarem precauções extra quando estiverem na mata.
Aconselhamos que usem sinos pouco ruidosos na roupa, de modo a dar um aviso antecipado da presença humana a leões que possam estar por perto, a fim de que eles não sejam tomados de surpresa. Além disso, caso o encontro venha a acontecer, não usem spray de pimenta contra eles.
Todos também devem estar atentos às últimas atividades de um leão e de serem capazes de diferenciar a merda de um filhote de leão da grande merda de um leão grande. A merda de um filhote de leão é menor e contém uma grande quantidade de frutinhas e pele de dassies (roedores). A grande merda de um leão grande tem sinos na mesma e cheiro de pimenta.
Aproveitem a permanência em
MOÇAMBIQUE
Original: EM, 04/10/14

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BODES EXPIATÓRIOS

No assentamento de Gush Etzion, no território palestino da Cisjordânia, existe um campo de treinamento de tiro em que figuras de pessoas, em tamanho real e portando tradicionais turbantes árabes, são utilizadas como alvos. O local, com mais de 10 mil metros quadrados exclusivamente reservados para a prática de tiro, é também visitado por turistas que desejam experimentar essa modalidade de "turismo radical".
Cerca de cinco mil turistas já passaram pelo curso, entre eles centenas de crianças. Adultos atiram com armas e munição de verdade; crianças usam paintball. O preço do curso, com duração de 2 horas, é 440 shekels (R$ 220) para adultos e 200 shekels (R$ 100) para crianças.
Não é esta a principal crítica da direita hidrófoba no Brasil com relação a nossos assentamentos?! Pois estes, como não apresentam instalações de treinamento como a que existe no assentamento israelense de Gush Etzion, não chegarão jamais ao estado da arte.
24/06/2012 - Atualizando...
Apartado do rebanho e deixado em local deserto, o bode expiatório decidiu romper com uma cruel tradição. Sem essa de expiar os pecados do povo de Israel em uma região inóspita (existe isso para um bode?), como sempre fizeram seus antepassados, tão-somente para cumprir os preceitos da Torá. E o bode matriculou-se no campo de treinamento de tiro mais próximo, de onde só saiu ao se sentir bem preparado para enfrentar as adversidades.

Original: EM, 20/06/2012

Um estudante foi morto quando um bode expiatório pulou de um telhado e caiu sobre sua cabeça
Heval Yildirim, de 13 anos, estava brincando com amigos quando o animal – que também morreu – caiu de seis andares de um bloco de apartamentos (foto).
O pai do menino, Mehmet, havia trazido o bode para sacrificar no dia da festa muçulmana de Eid al-Adha.
Não encontrando um lugar adequado para deixá-lo, ele colocou o bode no telhado, acima da casa da família no último andar. 'Estou arrasado, mas o que mais posso dizer?", desabafou Mehmet. "Na verdade, não tenho nada a dizer."
A polícia disse que está investigando a morte de Heval, em Diyarbakir, sudeste da Turquia, acrescentando que esse foi o primeiro caso do gênero. [1]
Eid al-Adha homenageia a disposição de Abraão em sacrificar o filho Isaac, quando ordenado por Deus. Mas Deus, antes de Abraão cometer o filicídio, mudou de ideia, aceitando o sacrifício de um cordeiro no lugar de Isaac. [2]
N. do E.
[1] metro.co.uk
[2] Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto
Original: EM, 13/10/2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DORMINDO COM A MELANCIA

Quando muitos estudantes universitários em Guangdong, China, se preparavam para enfrentar um longo verão – sem ar condicionado – no campus, uma antiga tradição local foi reavivada: dormir com uma melancia. Tudo começou depois que uma postagem de um microblog, divulgando que dormir com um pedaço da fruta pode reduzir a temperatura corporal por 3 ℃, se tornou viral.
Como as universidades de Guangdong não oferecem ar condicionado nos dormitórios, isso fez com que muitos de seus alunos buscassem formas alternativas de resfriamento.
A. Tingzi , um estudante da Universidade de Tecnologia publicou que dormir segurando uma melancia foi um ótimo substituto para o ar condicionado. Enquanto isso, Zhang Xuefeng, um estudante da Universidade de Estudos Estrangeiros, postou uma foto de si mesmo abraçado a uma melancia.
Dormindo com uma melancia, Changjiang Daily
O Changjiang Daily fez sua própria "pesquisa". Um repórter do jornal agarrou-se a uma melancia de 4,6 kg por cerca de uma hora, e eis que a temperatura do seu corpo diminuiu de 36,2 para 33,6 ℃.
N. do E.
No Brasil, não existem ainda pesquisas que validem os resultados chineses. Desconfio que o pessoal aqui está mais interessado em se aquecer com a Mulher Melancia (durante o inverno).
Original: EM, 18/09/2014

RONCOS. RELATO DE UM "CAUSO"
Quem ronca durante o sono inicialmente não tem consciência de que vem produzindo esses incômodos ruídos. É claro: está dormindo quando eles acontecem. Até que pessoas incomodadas por seus roncos se encarregam de alertá-lo sobre a existência do problema.
Neste caso, que foi fotografado por Mike, na Espanha, o portador do distúrbio concordou em passar uma noite numa Clínica do Sono. E foi lá que descobriram a causa de seu problema.
Ver também...
AOS QUE RONCAM, aqui no Preblog.
Original: EM, 24/11/2011

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

TRABALHOS DE PESQUISAS COM TÍTULOS CURTOS

Se houver uma competição para escolher o trabalho de pesquisa que apresenta o título mais curto este é um forte candidato ao título:
"Q". por Leon Knopoff. Reviews of Geophysics, vol. 2, no. 4, 1964, pp. 625-660.
Começa assim:
"Se não fosse pela atenuação intrínseca do som no interior da Terra, a energia dos terremotos do passado ainda estaria hoje reverberando no interior da Terra. O caos resultante dessa perspectiva impressionante é uma especulação que está fora do escopo deste artigo. E nossa tarefa aqui é investigar onde, na terra sísmica, a energia é convertida em calor; e se esta conversão é realizada com igual eficiência em todo seu interior, ou se algumas partes do interior são mais capazes de realizá-la do que outras."
Concorre com ele:
"E", por Christopher J. Mulvey, Supplemento ai Rendiconti del Circolo Matematico di Palermo, 1986.
(Em verdade, o título desse trabalho não é a conjunção aditiva "e" em letra maiúscula. É o sinal que representa a conjunção latina "et", o qual é muito usado em nomes de empresas e que, por isso, é também conhecido como "e comercial". Ele é, dentre todos os caracteres, o mais parece um monograma. E, se até agora você não matou a charada, ele é o que divide a tecla com o número 7 em seu teclado QWERTY. Lamentavelmente, não posso escrevê-lo no blogue porque ele é automaticamente modificado para: "ele mesmo + abreviatura de ampersand + ponto-e-vírgula". Coisas do HTML.)
Em compensação, no Journal of Applied Behavior Analysis (JABA), há um interessante artigo de Dennis Upper, intitulado The Unsuccessful Self-Treatment of a Case of “Writer’s Block” (O Fracassado Auto-Tratamento de um Caso de “Bloqueio do Escritor”), que pode ser lido de uma assentada, visto que o artigo completo apresenta conteúdo vazio (alguém já disse mais com menos palavras?). Resume-se ao título.
Ele foi publicado – sem revisão – com este entusiasmado comentário do Revisor A:
Eu estudei cuidadosamente este manuscrito, com suco de limão e raios-X, não detectando um só defeito no projeto ou no estilo da apresentação. Sugiro ser publicado sem revisão.
Original: EM, 03/09/2014
LIVROS COM TÍTULOS CURTOS

Já na categoria livros com títulos curtos, há-os em maior número. Na literatura norte-americana, os exemplos de livros cujos títulos consistem de uma letra vão de A, de Andy Warhol a Z, de Vassilis Vassilikos. Passando por C, de Tom McCarthy, um dos romances finalistas deste ano no Booker Prize.

Algumas letras são mais requisitadas (C, H, K e S); enquanto outras nunca foram lembradas para títulos de livros. As letras inéditas, portanto, ainda estão disponíveis a quem queira publicar um livro utilizando-se do processo de nomeação ora descrito.
A favor do método está o fato de o título ficar mais memorizável. Compare-se, por exemplo, o V, de Thomas Pynchon, com o A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, por Junot Díaz.
É um processo que foi utilizado até mesmo por alguns superstars da literatura norte-americana como John Updike.

Confira-os aqui.
Embora a fonte indicada não explique por que Vassilis ignorou o "V".

Original: EM, 06/05/2011

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

LOUVOR AO ASSOVIO

Nos tempos de antanho, quando um garoto se punha a assoviar em casa logo aparecia um adulto para advertir:
- Não faz isso, menino. Chama cobra.
Não tinha o menor fundamento, claro. E o menino, surdo à advertência, prosseguia exercitando o futuroso bico. Até que um dia virava a adulto. E, quando menos se esperava, lá estava ele a mostrar a sua arte de assoviar em algum programa radiofônico.
Eram comuns as apresentações de pessoas assoviando canções naqueles programas de rádio. Havia inclusive quem gravasse discos apelando para o tal recurso. Como o cantor Sílvio Silva, "O Garoto Assobiador", que inseria solos de assovio nas canções que interpretava. E como o gaúcho Getúlio Rubens dos Santos, "Getúlio, o Assoviador", que, em 1978, gravou um LP inteiro com músicas assoviadas. O qual, em 1966, foi relançado como CD, segundo informa Marcelo Duarte em seu Blog do Curioso.
Outro assoviador famoso é o gaitista belga "Toots" Thielemans. O destacado gaitista, que já tocou com grandes nomes da música popular brasileira, é também um assoviador profissional. Tendo assoviado,  ao longo de sua carreira, diversos comerciais para a televisão européia. Num de seus sucessos musicais, "Bluesete", Thielemans usou gaita de boca e assovio - em uníssono - na gravação (original) que fez dessa música, em 1962.
De tanto falar em assovio, eu tinha que acabar me lembrando de uma canção. A "Canção De Não Cantar", de Sérgio Bittencourt, que foi gravada por Elis Regina. Não levou assovio, mas faz o devido louvor a ele.
"Guarda o meu violão
Já nos faltam canções
São muitas as razões que temos pra cantar
Mas, hoje, amor, melhor é não cantar
Enquanto houver em nós vontade de fugir
De um canto que na voz não vai saber mentir.
Meu canto, para ser um canto certo,
Vai ter que nascer liberto e morar no assovio
Do ocupado e do vadio
Do alegre e do mais triste.

Só há canto quando existe muito tempo e muito espaço
Pra canção ficar, se eu passo, e dizer o que eu não disse.
Ai, que bom se eu ouvisse o meu canto por aí.
Por isso, meu violão prefere emudecer
E vem pedir perdão por não poder cantar
Que, hoje, amor, melhor é não cantar."
P.S.
A ilustração acima foi a que se usou na divulgação do I Encontro de Assoviadores do Brasil, realizado em Volta Redonda - RJ, em data que não consegui precisar.
Original: EM, 11/04/2009
Trinados treinados
Um assovio trinado é coisa de passarinho, disse alguém. Um tema para se pensar que, em vida passada, esse "Getúlio, o Assoviador" tenha sido um.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AS FORMIGAS DE MARIA

No Espírito Santo (Estado), sucessivas gerações de formigas cortadeiras que residem na casa de dona Maria Aparecida continuam dando o que falar.
São milhares de desenhos que lembram uma santa (Nossa Senhora das Lágrimas), com manto, coroa e terço, e que se acompanham de salmos, mensagens religiosas e outras exortações, que as formigas desenham e/ou escrevem nas folhas das árvores. (►)
E muitas histórias de graças alcançadas por quem frequenta ou chega àquela casa em momento de desespero. Como o caso da criança Gabriela, que sofria de convulsões e foi miraculosamente curada após ser levada ao "Lar das Formigas Bordadeiras".
Este assunto foi trazido à baila pela edição de 15/08/14 do Globo Repórter (vídeo). Mas, em verdade, elas fazem esses desenhos legendados desde a década de 1980.
Leiam, por exemplo, um trecho de um artigo da bióloga Eliane Evanovitch, escrito em 2007 (após a sua participação em um programa de debates na televisão local), e transcrito no Jornalísticamente Falando..., de Aurélio Moraes:
"Formigas apresentam mandíbulas cortadeiras e não fazem furos como mosquitos que atravessam as nossas peles. Parece que a fé de muitos dos presentes era de fato inabalável, como sempre repetia o apresentador, pois mesmo “PAZ” escrito com “S” não convenceu algumas pessoas a perceber a grosseira fraude."
Entrevistado pelo Globo Repórter, Marcelo Teixeira Tavares, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, também observou que não há condições de que as formigas cortadeiras produzam esse tipo de perfuração nas folhas. É que o furos têm o formato de uma circunferência perfeita e tudo indica que foram produzidos por um objeto cilíndrico pontiagudo.
Traduzindo: alfinete.
O implacável Ceticismo.net foi outro que também alfinetou:
"Como sempre, a ICAR não diz que é milagre, mas não faz nada contra. Lava as mãos e... deixa pra lá. Afinal, enquanto o pessoal estiver indo pro santuário (da Nossa Senhora das Lágrimas), não estará frequentando a IURD."
Uma honrosa exceção, a meu ver, tem sido o parapsicólogo Padre Quevedo. Em 2007, no mesmo debate que aconteceu na televisão, ele foi peremptório:
- Isso "non ecziste"!
Original: EM, 21/08/2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

SANDUÍCHE DE TERRA

Um sanduíche de Terra é criado quando duas fatias de pão são simultaneamente colocadas em dois pontos opostos da Terra.
Não é uma ideia nova. Em maio de 2006, Ze Frank lançou essa provocação de criar "o primeiro sanduíche de Terra da história".
Então, centenas de pessoas de todo o mundo, no esforço para vencer o desafio de criar um sanduíche em escala planetária, começaram a lhe enviar imagens de pão no chão.
O primeiro sanduíche de Terra, porém, só foi feito quase um mês depois. Quando dois internautas, um na Espanha, perto de Madri, e outro em Nova Zelândia, puseram no chão, ao mesmo tempo, seus pedaços de pão em dois pontos opostos do planeta. Dois vídeos foram gravados para testemunhar o acontecimento. (1) (2)
Bem, Espanha e Nova Zelândia são países considerados antípodas, o que possibilitou realizar a façanha. Mas a maioria dos países, infelizmente,  tem seus pontos opostos localizados nos mares e oceanos (que cobrem cerca de 70 por cento da Terra). O que pode ser facilmente demonstrado aqui, neste mapa do Wikimedia Commons.
Nessa difícil situação, poderia o interessado se utilizar de uma ilha próxima para concluir a operação? Claro que não. Além do vício de destino, o sanduíche de Terra poderia ficar bastante excêntrico.
Agora, para o caso de alguém que deseja fazer um sanduíche desses, com a metade do pão situada em Fortaleza: onde deverá ficar a outra metade? Na China? No Japão? Nada disso. Ficará em pleno Oceano Pacífico, a muitas milhas da Micronésia (com alguma sorte, sobre um atol sem resíduos nucleares).
Pelo menos é o que mostra o Map Tunneling Tool, uma ferramenta com a qual a gente localiza os pontos antípodas da Terra.
Original: EM, 26/04/2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ONDE SE ESCONDE O UNICÓRNIO

O unicórnio existe?
Ele é citado nas lendas antigas e nos bestiários medievais. Sobre a existência dele, o multimídia  Leonardo Da Vinci escreveu o seguinte:
"O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvageria. Ele põe à parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece em seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."
A Bíblia também fala dos unicórnios, como se vê em Isaías 34:7: “E os unicórnios descerão com eles, e os bezerros, com os touros; e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura se encherá”; em Jó 39:10 “Ou, querer-te-á servir o unicórnio? Ou ficará no teu curral?”; e em várias outras passagens como Salmo 22:21, Salmo 29:6 e Salmo 92:10.
Se o unicórnio existe por que eu jamais o vi?
Deixe de lado aquela história de que o unicórnio só aparece para os que são puros de coração. Se você ainda não viu um unicórnio não foi por isso, é porque está procurando-o em locais errados. Esqueça bosques, campos elísios e pradarias. Procure-o no mar gelado. É no interior de uma baleia narval onde o unicórnio gosta de esconder-se, apesar da grande dificuldade que tem para ocultar o chifre.
Este truque de esconder-se em outro animal só é praticado pelo unicórnio?
Não. A coruja também faz isso. A coruja sob plumas é na verdade um abutre.
Original: EM, 10/03/2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O DIA DO BLOG

Como tudo que tem alguma importância no mundo o blog merece ter o seu dia. Um dia a ser pelos interessados (no caso, nós blogueiros) devidamente comemorado.
Inicialmente, pensei no dia 1º de abril. Em 1997, nesse dia, o norte-americano Dave Winer deu início à "aldeia blogal" com a criação de seu Scripting News. Mas seria muito "encher a bola" desses norte-americanos que já "apitam" demais. Para não falar que esse dia, o 1º de abril, não passa de uma grande mentira.
O 6 de junho é uma data também a se pensar. O dia em que nasceu o padre Marcelino Champagnat, o fundador da Ordem dos Irmãos Maristas, e também eu. Mas é melhor deixarmos que o dia continue apenas para os festejos maristas.
Então, que tal 29 de fevereiro para ser o Dia do Blog? Uma data que festejaríamos a cada quatro anos - e com total garantia de sucesso! Como já acontece com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas.
Aprovada a última data, nesse dia não trabalharíamos. Cada blog apenas publicaria um soneto de algum poeta bissexto. O que seria uma forma de compensar esta laboriosa classe pelo incômodo de termos "invadido a sua praia".
E, a cada 29 de fevereiro, a grande surpresa: os comentários estariam com as catracas livres! Como forma de prestigiar os nossos leitores.
Publicado para consulta pública.
Original: EM, 05/06/2009

31/08 = Blog
Em 2009, após algumas divagações sobre datas, sugeri fazer de 29 de fevereiro o Dia do Blog. Coloquei essa sugestão em consulta pública, inclusive.
Em vão bloguei. Pois já existia o dia 31 de agosto para a "aldeia blogal" comemorar o seu Dia.
E sabem por que escolheram o 31 de agosto?
Porque 31/08 se assemelha à palavra "Blog".

31/08 ► 3l08 ► 3log ► Blog

Original: EM, 31/08/2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

NEVE TROPICAL - 2

A fotógrafa Petúnia me chamou a atenção para um fenômeno pouco visto nesta redação.
O topo da pedra de previsão do tempo tinha ficado branco. Isto, em meteorologia indígena, equivale a dizer que está nevando. Não é nevando lá fora, no Ceará não tem disso não, mas é nevando cá dentro.
Aliás, como já ocorreu em 2007. Quando eu tentava fazer a refilmagem do "Bye bye Brasil", usando uma webcamera de 25 reais, e fiz nevar no interior do edifício sede do EntreMentes. Substituindo o inexperiente José Wilker no papel de Lorde Cigano, eu fiz cair grandes flocos de neve. Essa cena da nevasca no Nordeste brasileiro era o desafio tecnológico que faltava ser dominado para poder dar início à refilmagem. Mas fiquei só nos preparativos, e a versão caseira do filme jamais foi realizada.
A postagem NEVE TROPICAL - 1 foi o que restou de minha fracassada experiência como ator. É o behind the scenes de um "Bye bye Brasil" que não chegou a existir.
Voltando à vaca do nariz frio. Se não há neve agora no EntreMentes, se a pedra de previsão do tempo não erra nunca (já que ela não prevê o tempo para o futuro), onde, renas de Papai Noel, estaria naquele instante a nevar?
Uma rápida pesquisa no Home blogs, sugerida por Petúnia, mostrou que o fenômeno acontecia no Linha do Tempo. Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro.
Aproveitem o espetáculo. Não tem a grandiosidade de um Let It Snow (Deixe Nevar), como o que o Google aprontou em 19 de dezembro de 2011. Neste, só conseguíamos ver a página de buscas do Google depois que apertávamos no Defrost, o botão de degelar.
Não é meu propósito criar dificuldades a ninguém para ler o blog. Eu usaria as letras rúnicas nos textos se tivesse a malévola intenção.
Quanto a desviar a atenção dos leitores, bem, só um pouquinho.
Comentários
1 - de Fernando Gurgel (por e-mail)
Aproveita e faça um boneco de neve. Veja como é fácil:
2 - de Nelson Cunha
Conforme -se com o calor, espere um pouquinho porque vai nevar no Ceará. Os continentes estão em constante movimento. O nosso se move 7 cm ao ano para o sul. Em apenas 250 milhões de anos estaremos juntos da Africa do Sul. Será a Pangeia Última.
Aquele grupo que acaba de sair dos Diarios, vestidos com casaca e fazendo algazarra, não saem de um baile de gala; são pinguins mesmo e aprenderam a falar.
Com tantos milhões de anos à frente, não se surpreenda com as novidades: os políticos serão honestos e as nossas mulheres, muito menos implicantes.
Original : EM, 14/12/2013
Epílogo
No mês passado (dia 14), EntreMentes, um blog irmão de Linha do Tempo, noticiou que ...
"Flocos de neve estavam a cair no blog Linha do Tempo. Ainda estão a cair, o tempo todo, e a intuição me diz que essa nevasca não termina em dezembro. Deve durar até 6 de janeiro ou o Dia de Reis, o que vier primeiro."
Hoje, 6 de janeiro (Dia de Reis), a nevasca de fato acabou.
Tudo não passou de uma brincadeira no modelo de Linha do Tempo, no qual inseri temporariamente o "efeito flocos de neve".
A quem interessar:
Isto é feito copiando o código [script src="http://static.tumblr.com/8l2gpxb/Apwlulgho/snowstorm2.js"][/script] e colando-o depois de "head" ou antes de "style".
Original: LT, 06/01/2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O PUXA-SACO

Origem da expressão
Começou como uma gíria militar. Para definir os soldados (especialmente aqueles mais solícitos) que puxavam os sacos dos oficiais durante as viagens. Nesses sacos os oficiais guardavam suas roupas, e os soldados, ao puxá-los, passavam a ideia de subserviência. Com o tempo, as pessoas passaram a admitir que os sacos puxados poderiam ser anatômicos, daí o surgimento de novas expressões a estes relacionadas como babão e baba-ovo.
Segundo a blogueira Gislaine Lima, puxa-saco tem até dia. É comemorado, informalmente, em 20 de dezembro por ser a data-limite para o pagamento da segunda parcela do 13º salário. Neste dia do ano, todos os puxa-sacos saem pelas ruas à procura do presente de Natal para os respectivos chefes.
Sinônimos
Adulador, capacho, chaleira, corta-jaca, incensador, lambe-botas (lambe-esporas), lacaio, pelego, sabujo, turibulário, xeleléu...
Frases
Cada frase do adulador é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento. (Georges Clemenceau)
Nenhum puxa-saco suporta uma auditoria.
O puxa-saco serve a quem não tem amigos de verdade.
Formiga e puxa-saco há em todo lugar.
Quem puxa saco, puxa tudo. Inclusive tapete.
O puxa-saco sai até na radiografia do chefe. ►
Músicas
1 - O cordão dos puxa-sacos (c/Anjos do Inferno)
Lá vem o cordão dos puxa-sacos / dando vivas a seus maiorais / quem está na frente é passado pra trás / e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais. (Marchinha de Roberto Martins e Frazão)
2 - O puxa-saco (c/ Jackson do Pandeiro)
Vou arranjar o lugar de puxa-saco / pois puxa-saco tá se dando muito bem.
3 - O xeleléu, (c/ Coronel Ludugero)
Xeleléu, ô xeleléu / o teu lugar tá garantido lá no céu.
4 - O puxa-saco (c/ Zeca Pagodinho)
É um carrapato, uma cola, um chiclete / esse cara do chefe não quer desgrudar.
O personagem Fagundes
Criação do cartunista Laerte, é um puxa-saco de mão cheia. Todos os momentos de sua existência são dedicados a enaltecer o chefe – para o desespero deste! O "chefinho", para Fagundes, será sempre o primeiro e único!
Títulos de algumas das tiras com este personagem: Todo mês compro a "Playboss", a revista do puxa-saco de bom gosto. Alguém já lhe disse hoje que o senhor é simplesmente o máximo? Quem não vive para servir, não serve... In: Galeria do Fagundes
Na Divina Comédia
Bem no fundo (da segunda vala) estão os bajuladores, imersos nas fezes. Diz Dante:
"Quivi venimmo; e quindi giù nel fosso
vidi gente attuffata in uno sterco
che da li uman privadi parea mosso.
E mentre ch’ío là giù con l’occhio cerco,
vidi un col capo sì di merda lordo,
che non parëa s’ era laico o cherco." (v. 112-117)
("Ali chegamos; e lá no fosso/ vi gente chafurdada em tal esterco/ que parecia provir de privadas humanas./ E enquanto o fundo com os olhos eu investigava,/ vi um com a cabeça tão suja de merda/ que não distinguia se era leigo ou clérigo.").
Como dizer puxa-saco em inglês
Acredito que há muita gente por aí dizendo: “puxa saco em inglês é apple-polisher“. Afinal, essa é a expressão mais referida para chamar alguém de puxa-saco em inglês. No entanto, saiba que o termo apple-polisher atualmente é raramente usado! Apesar de alguns dicionários ainda o registrarem, autores de livros insistirem em seu uso e professores fazerem questão de ensiná-lo a seus alunos, apple-polisher não é tão usado assim, embora alguns digam que as crianças – e olhem lá! – fazem mais uso dela! InInglês na ponta da língua
Certamente não é pull bag!
É de pequenino que se puxa o saquinho
Ou: 10 maneiras de reconhecer um puxa-saco ainda na infância
Original: EM. 20/12/2013

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A RESTAURAÇÃO DO REDENTOR

Esta simulação da estátua veio daqui
O Cristo Redentor é uma estátua octogenária. Exposta ao sol, à chuva  e aos ventos, um dia a estátua vai precisar de uma boa restauração.
Chama-se o Didi.
Não. O Didi só sabe limpar uma das mãos do Redentor. É como capixaba: começa e não acaba. E logo, logo cai em prantos diante das câmeras do Fantástico.
A gente está falando de restauração. O que exige experiência comprovadíssima no ramo. Não se pode correr o risco de que o ícone da Cidade Maravilhosa e, por extensão, do Brasil finde os seus dias assim. (V. simulação.)
Mas...
Como vamos escolher um bom restaurador? O melhor, se possível. Ah, sei lá. Só sei que temos de fazer essa escolha com muito tato e diplomacia.
Não podemos deixar que a Cecília Giménez fique ofendida por ter sido descartada.
Original: EM, 30/10/2013

A "restauradora" Cecília Giménez
Há poucos dias, a imagem de uma "restauração" feita por Cecília Giménez, de 81 anos, tomou conta do mundo.
A idosa, ao ver que a pintura estava em mau estado de conservação, decidiu recuperá-la.
Inicialmente, ela contou que decidiu fazer o trabalho por conta própria e sem autorização. Depois, afirmou que o padre da igreja em que a pintura está localizada, em Borja (norte da Espanha), havia dado o sinal verde para que ela o fizesse.
A obra ganhou o apelido de "Ecce Mono". "Ecce Homo" é, tradicionalmente, o nome que se dá às pinturas de Jesus com a coroa de espinhos, antes da crucificação. Na paródia, a palavra "Homo" (em latim, homem) foi substituída por "Mono" (em espanhol, macaco).
Nesta semana, duas restauradoras - desta vez, profissionais - vão examinar a obra para saber se há salvação para o Cristo. Já Cecília Giménez está isolada em sua casa. Segundo familiares, ela teve um ataque de ansiedade ao saber da repercussão de seu trabalho.
Milhares de pessoas já fizeram romaria ao santuário espanhol de Nossa Senhora da Misericórdia, em Borja, na Espanha. Elas precisaram fazer fila na igreja local para ver e fotografar a pintura do "Ecce Homo" "restaurado", que já deu a volta ao mundo e virou febre na internet.
Uma grande série de paródias do "Cristo de Borja", pintura do século 19 feita por Elías García Martínez, já circulam na web. Os ícones parodiados vão desde a "Santa Ceia", de Leonardo da Vinci, passando pela estátua do "Cristo Redentor", erigida no Rio de Janeiro, ao Chewbacca, da série cinematográfica "Star Wars".
Original: EM, 27/08/2012

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

OCORRÊNCIA

Que loucura!
Ontem, uns cinco dias atrás, tive o meu carro, um Ford Pálio, vermelho prata, placas XYL 1234 (dianteira) e XVT 9876 (traseira), furtado de um estacionamento. Um flanelinha, a quem neguei uma boa gorjeta, indicou-me o local em que eu poderia encontrar o veículo. Encontrei-o. O veículo estava sendo inclusive vigiado por outro flanelinha.
Ainda no mesmo dia, ao parar no cruzamento entre as avenidas Alberto Sá e Godofredo Maciel, o furto reavido virou roubo. Porque, pensando que o sinal verde estava prestes a abrir, eu freei o carro, e disso se aproveitaram dois assaltantes. Pude ver que um deles era alto e baixo, enquanto o outro era um branco retinto. O primeiro usava uma arma espacial e o segundo um punhal que não tinha cabo nem lâmina.
Ensinado a não reagir nessas situações assimétricas, além de tratá-los por excelências, entreguei a chave a eles. Disse-lhes que não tinha a intenção de reaver o veículo, pois a polícia faria isso por mim, e recomendei-lhes que não fizessem pegas com os policiais.
Procurei um DP que estava de greve para fazer o BO e posso afirmar que, ao circunstanciar esse delito continuado, quase levei o delegado à loucura. O que me fez refletir se eu não deveria parar, daquele dia para trás, o meu consumo de tanta cerveja sem álcool.
Felizmente, o veículo foi depois encontrado na Gentilândia, nas imediações do estádio Castelão. Ao lado dele, estavam os corpos dos dois assaltantes que, por falta de mediação e arbitragem, devem ter entrado em luta corporal pela posse do manual de instrução do carro.
Foi um caso típico de suicídio seguido de homicídio, como concluiu o delegado, assim que ele debaixo de vara recuperou plenamente o juízo.
Original: EM, 23/11/2012

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

VIVER DE LUZ

O grande pneumologista Mario Rigatto afirmava que "os seres vivos são máquinas biológicas acionadas por energia solar até elas veiculadas pelo processo respiratório".
Em "Brejo da Cruz", Chico Buarque cantou:
"A novidade
Que tem no Brejo da Cruz
É a criançada
Se alimentar de luz.
Alucinados,
Meninos ficando azuis
E desencarnando
Lá no Brejo da Cruz."
Rigatto e Chico têm o respaldo da ciência e da poesia.
Nós, seres humanos, ao contrário dos vegetais que captam diretamente a luz solar pela fotossíntese, necessitamos de cumprir certas formalidades burocráticas como respirar (o que os vegetais também fazem) e comer.
A australiana Jasmuheen, nascida Ellen Greve de Fome e vencedora do Prêmio Ig Nobel de Literatura em 2000, acha que comer não é preciso. Em seu livro "Viver de Luz", ela explica (ou tenta explicar) como é que consegue dispensar o ato de alimentar-se. Agora, numa série de vídeos postados no YouTube, ela volta a defender seu ponto de vista.
Jasmuheen não está só. Os respiratorianos também acham que apenas respirar já é o suficiente. PGCS


Em tempo
Em janeiro de 2011, na cidade de Wolfhalden, na Suíça, uma mulher morreu de fome depois de embarcar em uma dieta espiritual que exigia que ela parasse de comer e beber para apenas da luz solar.
O jornal Tages-Anzeiger, que deu essa notícia, acrescentou que já houve casos semelhantes de morte por auto-inanição na Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália.
Original: EM, 25/10/2012

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MALTHUS ALÉM

Lendário personagem, filho de Enoque e avô de Noé. Não só viu o Dilúvio como pisou na lama que se formou depois.
Uma das diásporas judaicas levou esse patriarca para a Polônia. A bem dizer, Malthus, ao levar com ele a família, é que foi a maior das diásporas.
Com a desculpa de estar "apenas de passagem", ele viveu vários séculos na Polônia.
No século 18, transferiu-se para o Reino Unido onde escreveu um famoso ensaio demográfico. No qual divulgava a ideia de que a população humana cresce em progressão exponencial, enquanto os meios de subsistência crescem como rabo de cavalo. O que refletia, de certa forma, o arrependimento do patriarca por haver gerado uma descendência tão numerosa.
A autoria desse ensaio foi depois erroneamente atribuída a Thomas Malthus. Mas Thomas não era um pensador, era um homem totalmente pragmático. Erradicou as plantações de batata na Irlanda como meio de acabar com a população do país. Não chegou a tanto, porém, como deixou o nome associado a uma questão de controle populacional, foi esse detalhe que acabou gerando a confusão.
Os ensinamentos de Malthus Além podem ser resumidos neste conceito lapidar:
Evite nascer, mas se fizer essa besteira, então tente não morrer.
Ele morreu, tentando até o fim... não morrer. O Guinness Book não reconhece sua longevidade porque ele nunca apresentou uma certidão de nascimento. Só uma versão autografada do Velho Testamento.
Mas Malthus Além deixou uma legião de seguidores no Brasil, dentre eles: Oscar Niemeyer, Dona Canô, João Havelange, Hebe Camargo, Suzana Vieira, Caçulinha, Plínio Arruda, Bibi Ferreira e a repórter Glória Maria.
Original: EM, 18/05/2012

quarta-feira, 30 de julho de 2014

VULCÕES NO BRASIL

Se você depende da crença de que não existem vulcões no Brasil para sustentar algum tipo de ufanismo vai se decepcionar com o que eu vou afirmar. Existem vulcões no Brasil.
Como o Pico do Cabuji, também conhecido como Peito de Moça, que fica no município de Angicos, Rio Grande do Norte. No caminho entre Natal e Mossoró, e há quem diga que ele, com seus 590 metros de altitude, é o verdadeiro Monte Pascoal. Bem, como é um Peito de Moça que já mirrou (desde o Holoceno), é melhor eu seguir viagem.
À ilha de Trindade, que tem numerosos centros vulcânicos. A cerca de 1200 quilômetros da costa do Estado de Espírito Santo, e com íngremes paredões, essa ilha só pode ser visitada de helicóptero. E uma pequena guarnição da Marinha brasileira que vive por lá diz nunca ter visto sinais de atividade vulcânica. Precisaria ter residência fixa na ilha há 40 mil anos para ter pisado na lava ainda quente.
Ah, o Vulcão de Nova Iguaçu! Situado no município de mesmo nome no Rio de Janeiro, este vulcão está completamente extinto. Aliás, pode até não ter existido. As comunidades acadêmicas estão divididas e mantêm há anos acaloradas discussões sobre a realidade do vulcão, indo das placas tectônicas ao fluxo piroclástico. Etc. A mim pouco importa que grupo vá ganhar a contenda, eu não preciso deste vulcão para acendrar (sinônimo de limpar com cinzas) a alma do meu Brasil varonil.
Não muito longe de Nova Iguaçu, mais precisamente na capital do Estado, é onde eu encontro finalmente o meu argumento a fortiori. Ocorre no Rio de Janeiro a maior concentração de vulcões do mundo. A cidade tem centros vulcânicos para islandês nenhum botar defeito. Disfarçados de bueiros da Light, eles explodem a todo instante pela cidade, inquietando a população. E basta uma centelha num desses hot points para garantir a sua ignição.
Ler também: Agora é cinza e Um vulcão sem o guardião.


PS – Surgiu no RJ um movimento para mudar o nome da cidade para "Bueiros nos Ares". FOTOGALERIA

Original: EM, 15/07/2011

quarta-feira, 23 de julho de 2014

LACÔNICAS

1 A história sobre o Dr. Abernethy e uma de suas pacientes é um clássico. Ele era um homem de poucas palavras e a paciente, uma senhora de meia idade, sabia disso.
Entrando em seu consultório, ela descobriu o braço e disse, simplesmente, "queimadura".
"Um emplastro", indicou-lhe o médico.
No dia seguinte, ela retornou, mostrou-lhe o braço e disse "melhor".
"Manter..."
Alguns dias se passaram até Dr. Abernethy vê-la outra vez. Então, ela disse:
"Ótimo. E seus honorários?"
"Nada", respondeu o médico, explodindo numa loquacidade incomum. "Você é a mulher mais sensata que eu já conheci em minha vida!"
(William Walsh Shepard, Handy-Book of Literary Curiosities, 1892)

2 Uma ordem religiosa incluía entre suas exigências o voto de silêncio. Um adepto só podia quebrá-lo uma vez a cada dez anos. Nessa ocasião, ele procurava o superior da congregação, dizia duas palavras e, em seguida, ficava calado por mais dez anos.
Um deles fez as quebras permitidas de silêncio, nas três vezes a que teve direito, com as seguintes palavras: "cama dura", "comida ruim" e "vou embora".
"Vá mesmo, você não se adaptou aqui nestes trinta anos", respondeu-lhe o superior.
Foi uma resposta meio longa para o padrão da ordem, reconheço, mas se tratava de se livrar de um espírito por demais rebelde.

3 Lacônico é o que é dito em poucas palavras, de forma breve, resumida, sintética. Homens de poucas palavras, quase taciturnos e algos rudes eram os antigos habitantes da Lacônia, parte do Peloponeso, de que Esparta era a capital. Diz-se, para exemplificar, que um ateniense enviado como arauto levou-lhes esta advertência: "Se chegarmos a essa cidade, nós a arrasaremos." E a resposta foi meramente esta: "Se..."
(apud Raimundo Magalhães Jr.)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

GRAVIDEZ DE ALTA DURAÇÃO

A maioria das gestações na espécie humana dura cerca de 9 meses e os médicos decidem induzir o parto se a gestação continua por mais tempo. No entanto, é possível uma mulher permanecer grávida durante um ano inteiro. A mais longa gestação do mundo durou 375 dias e o bebê tinha ao nascer um pouco mais de três quilos.

Gestações de um ano ou mais já deram à luz personagens da mitologia e da literatura. O fato é justificado pela necessidade de a mãe gerar uma obra-prima, muitas vezes destinada a fazer proezas. Com efeito, diz Homero que, tendo Netuno engravidado a Ninfa, esta só deu à luz um ano depois. Como informa Aulo Gélio, tão longo tempo era exigido pela majestade de Netuno, a fim de que o filho fosse formado com perfeição. Pelo mesmo motivo, Júpiter fez durar quarenta e oito horas a noite em que dormiu com Alcmena. Embora aqui se trate de uma fecundação, em menos tempo Júpiter não teria podido forjar Hércules, que limpou o mundo de monstros e tiranos.
Já Gargantua (na gravura acima, de Gustave Doré), personagem principal do romance homônimo de Rabelais, passou onze meses no ventre de sua mãe. E, por causa do inconveniente de ter ela comido tripas quando grávida, é que o bebê Gargantua passou por entre "os cotilédones superiores da matriz, entrou na veia cava e, subindo pelo diafragma até ao alto das espáduas, onde aquela veia se ramifica em duas, encaminhou-se para a esquerda e saiu pelo ouvido".
– Bem, saiu pelo ouvido e quem quiser que conte outra.
Original: EM, 16/06/2011

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A PARÁBOLA DO CHUPIM

O chupim (Molothrus bonariensis) é conhecido pelo hábito de colocar seus ovos nos ninhos de outras aves para que as mesmas possam chocá-los, criá-los e alimentá-los como filhotes. São diversas as espécies de que o chupim se aproveita para essa forma de materno-infantil de parasitismo, mas o tico-tico (Zonotrichia capensis) é a sua vítima favorita.
A vandalização dos ninhos do pequeno tico-tico pelo chupim, caso aquele não atenda aos propósitos deste, é talvez a grande razão para o tico-tico se deixar explorar pelo chupim - sem piar!
CiênciaHoje: os ovos castanhos e maiores são do chupim 
Dentre outras aves de igual sina, o que ainda não se sabia era que o tucano podia ser uma delas. Mas isso aconteceu de fato, uns vinte anos atrás, quando um chupim decidiu botar um ovo no ninho de um tucano-de-bico-duro (Ramphastos nando cardosus). Se bem que um chupim nunca fosse páreo para um tucano, ave maior e que tem um bico que intimida.
Só que esse tucano tinha certas preocupações, como a de um dia poder reinar sobre as demais aves da floresta. Não queria escândalos. Então, entrou em cena a chamada "turma do abafa": dois tucanos - Tucão e Serrão - além de um observador de pássaros, que, a respeito daquela desavença, garantiu o silêncio de si próprio e de seus companheiros de hobby and lobby.
Dentre as providências tomadas, a trinca mandou o inconveniente chupim ir chocar o seu ovo na Espanha.
Que é uma parábola?
É uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
Quanto custa uma parábola?
Neste caso:
  • A isenção da CPMF para todos os meios de comunicação. 
  • O PROER da Mídia, que custou entre US$ 3 e US$ 6 bilhões aos cofres públicos. 
  • A mudança da Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. 
  • A autorização para que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.
Original: 30/06/2011

quarta-feira, 2 de julho de 2014

GERÔNIMOS

Porque se diz "Gerônimo" quando se pula de paraquedas?
O costume surgiu nos Estados Unidos em 1940.
Um pelotão de paraquedistas do exercito americano teria que fazer uma demonstração de salto, até então inédita, em Fort Benning, Georgia. Seria a demonstração da possibilidade de um ataque maciço de tropas com muitos paraquedistas saltando quase simultaneamente. Para isso, precisariam de muitos paraquedistas, e os saltos teriam de ser feitos rápida e sucessivamente.
No dia anterior à demonstração, alguns soldados estiveram assistindo a um filme de faroeste. Um filme sobre o lendário chefe apache Gerônimo (Geronimo,  de 1939). Estavam todos apreensivos com a missão. Depois de algumas cervejas, o soldado Aubrey Eberhardt, encorajado pela bebida, disse que o salto do dia seguinte seria como outro qualquer.
Os colegas duvidaram da coragem de Eberhardt. E este, injuriado, fez a promessa de que estaria tão tranquilo que ia se lembrar de gritar "Gerônimo!", em alto e bom som, para que todos ouvissem.
De fato, tanto os colegas que estavam dentro do avião, como os que já haviam saltado e estavam por perto, como ainda alguns colegas que estavam em solo ouviram o grito de Eberhardt ao saltar. Ele havia cumprido a promessa e, naquela ocasião, nascia o famoso grito de guerra (e de sorte) dos paraquedistas militares e civis.
Original: EM, 01/06/2013

Porque se escreve "Gerônimo" quando se comunica a morte do inimigo
"Geronimo - EKIA (enemy killed in action)."
Com esta curta mensagem, enviada pelo general Custer para a Casa Branca, um período de dez anos de buscas e repreensões chegou ao desfecho.
O governo dos Estados Unidos conseguiu, finalmente, pegar Geronimo (foto), o lendário chefe apache que tanto aterrorizava o pacífico povo do país.
O índio passara à condição de renegado desde que iniciou uma coleção de escalpos ianques em substituição aos genéricos mexicanos.
Um acordo tácito, que o índio fez com as autoridades do país, autorizava-o a participar de um animado hide-and-seek.
Ao ser divulgada a informação de que ele fora enfim encontrado, os skinheads estadunidenses, em estado de euforia, saíram às ruas para fazer um carnaval fora de época (embora não façam isso em época alguma).
Tudo saiu como estava previsto. Na fronteira com o México, quando era levado para os Estados Unidos, aproveitando-se de um momento de distração de seus captores, o corpo enorme inerme do líder apache decidiu assumir seu próprio destino e se jogar nas águas revoltas do Rio Grande.
Morto, Geronimo não é mais o inimigo público # 1 da nação, agora é o seu mais novo wetback.
Original: EM, 09/05/2011

quarta-feira, 25 de junho de 2014

RECONSTRUINDO IRENE

Nos idos de 2010 escrevi o Irene na Terra. Sem a pretensão de que os pósteros o elegessem como o maior poema da língua portuguesa. Cabia por inteiro numa "tuitada". Além disso, seus três primeiros versos fazem parte de "Irene no céu", de Manoel Bandeira, e o seu quarto (e último) verso conheceu tempos melhores na canção "Irene", de Caetano.
Não era um poema que pudesse fazer frente, por exemplo, ao Maabáratra, de Krishna Dvapayana Vyasa. O poema deste hindu tem 74 mil versos. E se nele formos incluir o "Harivamsa" já sobe para 90 mil versos.
Acontece que, dias atrás, em uma das minhas caminhadas crepusculares por Two Thousand City (Cidade 2000), escutei por acaso uma gravação de Agnaldo Timóteo.
Numa Vitrolex (link não patrocinado), o ex-motorista da Ângela Maria estava a cantar A casa de Irene, versão de um sucesso de Nico Fidenco.
E, nesse instante de grande enlevo, dei-me conta de que tinha um poema inacabado. Então, sem delongas, retornei a ele que assim ficou:
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor
Na casa de Irene a tristeza se vai
- Quero ver Irene dar sua risada.
De forma que o poema prossegue aos poucos: tijolo com tijolo num desenho mágico. E dá para ver que, mesmo sendo comparado aos prolixos poetas indianos, eu continuo competitivo.
Original: EM, 11/03/2011

Desescute
Sabem aquela música chata que a gente não consegue tirar da cabeça? Aquele música que, não importa o que a gente faça, fica tocando sem parar no cérebro?
Pois já existe como removê-la. Descobri isso em minha leitura diária do Gente de Mídia, blog do jornalista Nonato Albuquerque.
A solução é apresentada pelo site Desescute, que propõe substituir a música chata por outra... ainda pior!
O site, para dar sustentação ao método que utiliza, baseia-se em recentes "estudos científicos publicados sobre o fenômeno da impregnação melódico-cerebral".
O controlador do EntreMentes ainda não tem uma opinião formada sobre a eficácia do método.
Ao tentar substituir o "Rebolation", do Parangolé, pelo "Sai da minha aba", do Alexandre Pires, recebeu um pacote promocional com o "Morango do Nordeste", do Frank Aguiar, o "Ilariê", da Xuxa, o "Un, dos, tres, Maria", do Ricky Martin, o "Meu pintinho amarelinho", do Gugu e o jingle "Presidente 89" do Eymael.
Se isso não for uma espécie de operação casada e poligâmica, não sabe mais o que é.
Original: EM, 24/02/2011

quarta-feira, 18 de junho de 2014

INCAPAZ DE UM SACRIFÍCIO

Quando Abraão retornou da terra da Visão, Sara o esperava. Mas a recepção que deu ao esposo não foi nada amistosa.
- Trouxe de volta esse imprestável do Isaac, não foi?
- É que Deus mudou de ideia.
- Você falou com Ele?
- Não, mandou um anjo me dizer isso.
- E por que Deus arrependeu-se?
- Não me foi explicado. Penso que tem a ver com os palestinos... mas não é para logo.
- E aí?
- Sabe a Jezebééé?
- Anda desaparecida.
- Andava. Encontrei-a por lá presa num espinheiro.
- E não trouxe a ovelha?
- Não, imolei-a no lugar do Isaac.
- Homem de Deus, por que fez isso?!
- Não era para agradecer?
- Aquela ovelha, Abraaão, eu vinha criando para uma ocasião especial. Uns anjos que vêm almoçar aqui...
- Não diga?!
- Ô, homem, você é incapaz de um sacrifício!
Silva, PGC - Versículos Satíricos, Editora Mar Morto
Original: EM, 14/01/2011

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O PLÁGIO DE NOSSA BANDEIRA

Antes te houvessem roto no Alvorada
Que servires a um povo replicada.
PGCS
Andam a plagiar a bandeira do Brasil. Apesar de ter uma combinação pouco usual de cores, de formas e de um lema exclusivo, o lindo pendão da esperança, o símbolo augusto da paz não é inimitável como se pode ver. Em parte, por não estar sob a proteção de alguma lei autoral.
Vem da Líbia a primeira ameaça nesse sentido. O país africano, conhecido por seus imensuráveis desertos, já está usando em sua bandeira (não sei há quanto tempo) o verde de nossas matas. A simbolizar o verde de seus oásis, ora vejam!
Mas esse retângulo verde é só um balão de ensaio. Se nós, brasileiros, não protestarmos com absoluta firmeza, os líbios acrescentam o resto: o losango amarelo, o círculo azul, as brancas estrelas.... E, arrematando tudo, uma faixa com a seguinte frase: "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but".
Riram porque ela ficou extensa? Mas é a frase de Auguste Comte, no original e completa.
Urge: levantarmos a bandeira que vai defender a... bandeira. Pois rumores já dão conta de que eles estão progredindo muito no Paint.
Original: EM, 27/04/2010

quarta-feira, 4 de junho de 2014

SI VIS PACEM, PARA BELLUM

É um erro crasso traduzir a frase acima por "civis, passem-me a parabélum". A parabélum aí, se alguém ainda não sacou, era o nome de uma pistola automática de procedência alemã. Que foi citada pelo cangaceiro Corisco, numa das cenas de "Deus e o Diabo na Terra do Sol", um filme de Glauber Rocha.

- Se entrega, Corisco / Se entrega, Corisco.

- Eu não me entrego não. / Eu me entrego só na morte de parabélum na mão.
(Canção de Sérgio Ricardo, da trilha sonora do filme.)
Mas a exata tradução da frase latina é esta: "Se queres o Nobel da Paz, prepara-te para a guerra."
Por isso, foi que Mister Obama, em seu discurso de agradecimento na solenidade em que recebeu a honraria (em Oslo, Noruega), disse mais vezes a palavra war (44) do que a palavra peace (30).

Rouco de ouvir
E, logo em seguida, mandou limpar a cera dos ouvidos. Uma providência indispensável para quem recebeu a missão de, neste e nos próximos anos, ouvir os clamores de sua gente. Sei não, mas eu continuo a achar que o povo da nação mais guerreira do mundo não é tão inocente assim pela má fama que carrega.
Original: EM, 12/12/2009

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O DIA DAS AÇÕES DE GRAÇA

Na última quinta-feira do mês de novembro, o Brasil bem que poderia ter o seu Dia das Ações de Graça. Não se trata de uma cópia do Thanksgiving, o Dia da Ação de Graças dos norte-americanos, no qual, eles, sob os mais diversos pretextos (começaram em 1620 agradecendo a Deus por causa de uma boa colheita), aproveitam para ir à tripa forra. Sendo o prato principal em suas residências o peru que, nesse dia do ano, amarga o seu holocausto.
O nosso Dia teria características bem diferentes. Em vez de colonos agradecendo a Deus suas esplêndidas colheitas, seriam as grandes empresas que viriam a nós agradecer os lucros obtidos durante o ano. Assim, gigantes empresariais como a Petrobras, o Banco do Brasil, a Vale, a Votorantim e o Estacionamento Iguatemi distribuiriam conosco (que tanto contribuímos para o sucesso financeiro das empresas) lotes e mais lotes de suas cobiçadas ações. E de graça, naturalmente, por ser esse o espírito do Dia.

Fica aqui dada a sugestão para se criar o Dia das Ações de Graça. Mas é uma pena lástima que o tal Dia só possa ser aplicado a partir do próximo ano.
PGCS
Bônus
Há sempre alguém mais desesperado do que você...


Original: EM, 27/11/2009

quarta-feira, 21 de maio de 2014

UNS NÚMEROS (MAIS OU MENOS) EXATOS

Há quem aprecie os números exatos e, por isso, evite os arredondamentos dos quais decorrem erros para mais ou para menos. Em seu livro "O que os Brasileiros devem saber", tempos atrás publicado, o Sr.Hernani Fornari escreveu:
"Brasileiro! Saiba... que a superfície do Brasil é de 8.511.189 quilômetros quadrados..."
Ao observar esse resultado tão minucioso, para a área do nosso país, comentou o Dr. Alírio de Matos, na época professor catedrático da Escola Nacional de Engenharia:
"É possível, por uma questão de sorte,que o 89 esteja certo. Mas é bem possível, também, que o algarismo das centenas não seja 1. E que adianta, afinal, acertar nas dezenas, acertar nas unidades, e errar redondamente nas centenas e nos milhares?"
Tinha razão o Dr. Alírio. A partir de 1946, a área territorial oficial do Brasil foi sofrendo alterações, por conta dos aperfeiçoamentos cartográficas implementados, até chegar ao atual valor de 8.514.215,3 quilômetros quadrados. Mas é bem possível, também, que o IBGE, por uma questão de sorte etc.
Original: EM, 07/09/2009

Arredondar é preciso

Na Serra da Estrela se encontra o ponto mais elevado de Portugal continental. Mede 1.993 metros e, sobre ele, nossos irmãos lusitanos construíram uma torre com 7 metros de altura. Para completar os 2.000 metros.
Mas continua nos Açores, com 2.351 metros, o ponto mais alto do território português.
Original: EM, 01/07/2010

quarta-feira, 14 de maio de 2014

FILOSOFIA DE PARACHOQUES

  • Se procuras uma mão disposta a te ajudar vais encontrá-la no final do teu braço.
  • Cana na fazenda dá pinga; pinga na cidade dá cana.
  • Beleza não põe mesa, mas garante a sobremesa.
  • Vou colocar uma boca térmica para conservar os beijos quentes.
  • Se o amor é cego, o negócio é apalpar.
  • Sou fã das escurinhas, porque Deus criou-las.
  • Deus fez o mundo em seis dias porque não tinha ninguém perguntando quando ia ficar pronto.
  • Agora estou fazendo a dieta da sopa... deu sopa, eu como!
  • Casamento é uma droga: começa com a filha, termina com a sogra.
  • E... num caminhão de reboque:
"EU VOU TIRAR VOCÊ DESTE LUGAR"

  • Se for para morrer de batida, que seja de limão!
  • Nem no dia que morre o coveiro falta no cemitério.
  • Quem tem rabo de palha não senta perto do fogo.
  • Em rio que tem piranha, macaco toma água de canudinho.
  • De mulher feia e marimbondo, quando não corro, me escondo.
  • Do Oiapoque ao Chuí, só paro para fazer xixi.
  • Criança e tamanco só se faz com pau duro.
  • Detesto pessoas egoístas; preocupam-se mais com elas do que comigo.
  • Devo, não pago; nego enquanto puder.
  • Minha sogra caiu do céu: a vassoura dela quebrou.
  • Chicote, se não for usado, vira pedaço de couro.
  • Carteiro feliz é aquele que gosta de sê-lo!

Original: EM, 05/09/2009 e 24/11/2009

quarta-feira, 7 de maio de 2014

MEU REINO POR UM PEPINO

Em 931, o Rei Theinhko da Birmânia comeu sem pedir licença um pepino da plantação de um aldeão local. Irritado, o agricultor assassinou Theinhko e, em seguida, assumiu o trono como Rei Nyanng-u Sawrahan. Num esforço para evitar a agitação política, a rainha viúva congratulou-se com ele. E Nyanng-u, que ficou conhecido como o Rei Pepino, reinou a Birmânia durante 33 anos. Um de seus atos foi transformar o local em que cultivava seus pepinos no Jardim Real.


No Schott's Almanac (não li ainda e gostei) é possível a gente se informar como, depois de Theinhko, alguns outros reis da Birmânia morreram:
  • Anawrahta: chifrado por um búfalo durante uma campanha militar (1077).
  • Uzana: pisado por um elefante (1254).
  • Narathihapate: forçado a tomar veneno num complô contra ele (1287).
  • Minerekyawswa: esmagado por um elefante (1417).
  • Razadarit: enlaçado na corda que prendia um elefante (1423).
  • Tabinshweti: decapitado por seus ministros sob a acusação de que perdia muito tempo a procurar um fictício elefante branco (1551).
  • Nandabayin: rindo até à morte após ter sido informado, por um comerciante italiano, que Veneza era um estado livre - e sem rei (1599).
A lição da História
Reis da Birmânia e elefantes não combinam. Depois que deixou de ser uma monarquia, os regicídios por elefantes obviamente pararam de acontecer na Birmânia.
Original: EM, 30/07/2009

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O ESPÍRITO DA ESCADA

Em questão de poucos minutos uma expressão me foi apresentada duas vezes. Ela estivera a vida inteira escondida dos meus sentidos e aí, clique, revelou-se a mim em toda a plenitude.
Trata-se de l'esprit de l'escalier, uma expressão francesa. Aplicável àquelas situações em que alguém, agredido verbalmente, não dá uma resposta à altura. E o que deveria ter sido a boa resposta só lhe vem à mente algum tempo depois... quando já está "descendo a escada". Coisa de l'esprit de l'escalier.
Aston R., em artigo no Crooked.com intitulado The 10 Coolest Foreign Words The English Language Needs, inclui a expressão francesa.
Aí, ao clicar o mouse, torno a encontrá-la numa crônica do Veríssimo: Ah, é, é? A frase que muitas vezes é pronunciada enquanto não chega a resposta devastadora. Pois nem todo mundo é profissional da resposta pronta como os repentistas. Que retrucam não só no ato como também rimado.
E, para Veríssimo, essa "insuficiência na retaliação verbal" inclui os humoristas. Já que eles, zelando pela reputação, têm de revisar e burilar as frases que vão usar em suas respostas. E isso no exíguo tempo de uma ou duas semanas.
Original: EM, 08/06/2009

quarta-feira, 23 de abril de 2014

UM SANTEIRO CEARENSE

O Brasil, com a fama de "maior país cristão do mundo", não tem um cartel de santos à altura deste título. Vai ver que a Igreja marcou mesmo o Brasil. E, por por conta disso, em se tratando de dar reconhecimento a um santo brasileiro, ela tem sido tão profundamente exigente.
No caso do Brasil, o funil da canonização usado pelo Vaticano apresenta o mais estreito dos bicos. Deixa passar muito pouco. O São Frei Galvão, a Santa Madre Paulina (que nem brasileira é e já foi comparada ao tenista Fernando Meligeni) e... quem mais?
Acredito haver pesado nisso o termos sido sempre tão mal contemplados na indicação do Advogado do Diabo. Dentre as autoridades eclesiásticas disponíveis, só velho ranzinza, mal-humorado e neurastênico é que a Cúria designa para apreciar processo de santo brasileiro. O resultado é que logo aparecem as fortíssimas objeções aos milagres do nosso candidato a santo.
Isto posto, devo dizer agora por que admiro o artista plástico Tarcísio Afonso Garcia. Dá-se principalmente quando releio uma antiga reportagem de jornal em que ele aparece descrevendo a sua busca pessoal pelos santos brasileiros. Levado por uma voz exterior (vox populi) que o fazia suspeitar da existência deles - Tarcísio foi encontrando-os, um a um.
É, assim, graças a ele, que o Brasil tem agora uma hagiologia de fazer inveja à Itália.
Ele chegou a essas descobertas por ele mesmo, acumulando as funções de folclorista com a de Advocatus Dei. Depois de ter dispensado os "préstimos" do Advocatus Diaboli. Aliás, quem está a serviço do belzebu, bode-preto, capiroto, maligno, tinhoso et caterva não pode ser lá grande coisa. Camufla-se de um título em latim para cometer os piores crimes de lesa-santidade.
Eis os santos brasileiros que Tarcísio encontrou:
Santo do Pau Oco, São Nunca, Santa Paciência, Santa Ignorância, Santo de Casa, Santo Remédio, Santo Dia, Santo de Barro, Todo Santo e Santa Briguilina das Pernas Finas.
Findo esse importante levantamento hagiológico, o grande desenhista de Otávio Bonfim deu o passo seguinte: criar as imagens para os santos encontrados. Sem elas, o seu trabalho ficaria incompleto e os santos nem sequer seriam venerados pelo povo brasileiro.
Serão mostradas amanhã. Reze para que dê certo.
Original: EM, 19/11/2008
DEZ "SANTOS" BRASILEIROS
Promessa com santo é para ser cumprida. Que dirá com vários?
Original: EM, 20/11/2008

quarta-feira, 16 de abril de 2014

FRASES DO BART E UMA MENSAGEM A ELE

Frases do Bart
No início de cada episódio dos Simpsons, o garoto Bart aparece escrevendo alguma frase repetidamente em uma lousa.
Eis várias das que ele já escreveu, com a tradução para o português:
01. "Bart Bucks" are not legal tender. "Dólares Bart" não têm valor legal.
02. I will not defame New Orleans. Não vou difamar Nova Orleans.
03. I am not authorized to fire substitute teachers. Não estou autorizado a demitir professores substitutos.
04. Organ Transplants are best left to professionals Organ. Transplantes de órgãos são assunto para profissionais.
05. I will not trade pants with others. Não trocarei as calças com os outros.
06. I am not a dentist. Eu não sou um dentista.
07. No one is interested in my underpants. Ninguém está interessado em minhas cuecas.
08. I will not call the Principal "Spud-Head'. Não vou chamar o Diretor de "Cabeça-de-Batata".
09. I will not eat things for money. Não vou comer coisas por dinheiro.
10. A burp is not an answer. Um arroto não é uma resposta.
Eu já havia encerrado a seleção quando Bart escreveu a frase a seguir:

Original: EM, 03/10/2008
Mensagem ao Bart
Dear Bart,
Confesso que me senti lisonjeado em saber de seu desejo de aprender português para ler o Blog do PG.
Porque sei que você poderia usar um desses tradutores automáticos à solta na internet. No entanto, não o faz. E assegura que vai beber do meu blog no olho d'água original.
Traduzir é trair, como diz uma máxima, por sinal traduzida.
Assim, seguindo os passos do Brazilianist Mangabeira Unger, você tomou a decisão de aprender português. E não a tomou de uma forma irrefletida. Haja vista que a escreveu, com a sua letra inconfundível, em sua lousa aí em Springfield - e bem repetidamente!
Pois, garoto Bart, se continua firme nesse tão digno propósito, a hora é esta! O português, aqui no Brasil, acaba de aderir a uma reforma ortográfica que o deixa mais simples. Escoimado, graças a ela, em muitos de seus hífens e acentos. E, no caso do trema, simplesmente foi passado o apagador.
Além disso, a inculta e bela não vai mais exigir que algumas letras estrangeiras apresentem seus passaportes. O K, o W e o Y, o que, imagino eu, deve ser do seu inteiro agrado.
Lembro-me agora do falecido professor Kyw, que me ensinou português no ciclo ginasial. Purista ao extremo, ele não aprovaria uma reforma ortográfica com tal abrangência. Que se dane, pois, o ranzinza do Kyw! Remexer-se na tumba é que ele não vai mesmo. A essas horas, e não tendo mais um músculo para alavancar o velho esqueleto...
Por isso, fiquemos tranqüilos, Bart. Aliás, tranquilos
Yours,
Dr. Paulo
Original: EM, 04/10/2008

quarta-feira, 9 de abril de 2014

MICROLITERATURA

A chamada microliteratura vem ganhando espaço (apesar de usá-lo tão pouco) nesses tempos tecnológicos. Associada, muitas vezes, às idéias do minimalismo.
Nela estão o microconto, o micropoema, o haikai e outras produções literárias assemelhadas.
No caso do microconto, costuma-se limitá-lo a um teto de 150 caracteres. A concisão, no entanto, não é a única característica do microconto. Este, mais do que mostrar, deve sugerir. Cabendo ao leitor a tarefa de preencher - com a imaginação - as "elipses narrativas" do microconto.
Estabelecer um limite de 150 caracteres permite, por exemplo, o microconto ser enviado como "torpedo" por um telefone celular, o que em si já evidencia a sua ligação com as novas tecnologias de informação e comunicação.
Um variante do microconto é o nanoconto, do qual se exige um máximo de 50 letras. Como este, a seguir, escrito pelo guatelmateco Augusto Monterroso, que tem apenas 37 letras:


Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.

Publico-o acompanhado de minha microcrítica: gostei.

Desenho de Murilo Silva
Original: EM, 29/09/2008

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O VIRUNDUM

O compositor Belchior, em sua última apresentação no programa do Jô Soares, andou muito cauteloso. Ao pronunciar as palavras "um analista amigo meu", quando "dava uma palinha" de sua música "Divina Comédia Humana", foi aquele esmero de empostação. A ponto de receber do apresentador do "Onze e Meia" os mais rasgados elogios (entre risos).
Ao apurar a sua pronúncia em “um analista amigo meu”, Belchior tentava evitar a ocorrência de um virundum. Um certo mal entendido (você sabe de qual estou falando) que esta expressão costuma suscitar. À maneira do que também acontece com a expressão "mas você que ama o passado (MAL-PASSADO)", em "Como nossos pais", que é outra música dele.
O virundum é um neologismo para palavras, expressões ou frases que, escutadas numa música, induzem os ouvintes a entender coisas diferentes (muitas vezes, jocosas). Aliás, o termo nem é tão "neo" assim, pois dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis, na época do Pasquim. Inspirado que foi no primeiro verso (O VIRUNDUM Ipiranga) do Hino Nacional, cuja letra é hors-concours nisso (do que terra MARGARIDA, verás que um FILISTEU não foge à luta etc).
O Hino da Independência, com o seu JAPONÊS TEM QUATRO FILHOS, é outro que apresenta o seu virundum.
Mas o melhor deles, a meu ver, está numa canção popular que faz referência a B.B. King, o lendário cantor e instrumentista de blues. Na passagem em que a citação de uma vitrola “tocando B. B. King sem parar” é confundida (por quem nunca ouviu falar no rei do blues) com... TROCANDO DE BIQUINI SEM PARAR.
Original: EM, 27/09/2008

A Espanha não quer o virundum
A notória dificuldade que o brasileiro tem de memorizar a letra do Hino Nacional poderia ter uma solução definitiva. Se tirássemos algum proveito daquilo que foi a experiência espanhola.
Com origem na "Marcha Granadera", de 1770 e cujo autor é desconhecido, El Himno Nacional de España jamais deixou o espanhol em situação vexatória.Não tem letra.
Nos 240 anos de existência desse hino, súditos que foram tomados de ardor cívico até tentaram pôr letras nele. Em vão escreveram. Nenhuma delas teve aceitação popular, nenhuma foi oficializada pelo governo espanhol.
porquenohoy.blogspot.com
E a Espanha não é atualmente o único país com... hino-sem-letra. Tem a companhia de San Marino e da Bosnia-Herzegovina nessa questão.
Original: EM: 21/02/2011

quarta-feira, 26 de março de 2014

O PASQUIM E A MPB

O bravo hebdomadário e a música popular brasileira por diversas vezes cruzaram-se nos caminhos.
Em 1970, Paulo Diniz compôs a música "Quero voltar pra Bahia" em homenagem a Caetano Veloso que, naquela época, se achava exilado em Londres. A música de Paulo Diniz, que tinha um refrão em inglês (I don't want to stay here / I want to go back to Bahia), numa de suas estrofes, fazia essa referência ao Pasquim:

"Via Intelsat eu mando
Notícias minhas para o Pasquim
Beijos pra minha amada
Que tem saudades e pensa em mim."

Ainda em 1970, o Pasquim brindava os seus leitores com o encarte de um mini-compacto em uma edição especial. Trazia esse mini-compacto duas músicas: no lado A, "Cosa Nostra", de Jorge Ben, e no lado B, "Coqueiro Verde", um samba de Roberto e Erasmo Carlos, numa gravação do Trio Mocotó. Nessa gravação, havia um momento em que a música era interrompida (à citação de "como diz Leila Diniz") para se ouvir um trecho de uma polêmica entrevista da musa do Pasquim. E a referência ao "velho pasca", em "Coqueiro Verde", encontrava-se na estrofe a seguir:

"Mas eu vou me embora
Vou ler meu Pasquim
Se ela chega e não me vê
Sai correndo atrás de mim."

Não tenho certeza se o Pasquim repetiu a fórmula do encarte de mini-compactos em outras edições. Mas, em 1982, ele lançou o disco "MPB Independente", que reunia alguns dos grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim ("Águas de Março"), Caetano Veloso ("A Volta da Asa Branca"), João Bosco ("Agnus Sei"), Fagner ("Mucuripe") e outros.
Mas foi em 1990 que aconteceu a grande homenagem à editora do "rato que ruge". Quando a Escola de Samba Acadêmicos da Santa Cruz desfilou no carnaval carioca com o enredo "Os Heróis da Resistência". Entoando o refrão do "Gip, gip, nheco, nheco", o nome da coluna do Ivan Lessa no Pasquim:

Gip, gip, nheco, nheco
Por favor, não apague a luz!
Goze desta liberdade
Nos braços da Santa Cruz.”

Sobre isso eu já falei na postagem de 4 de outubro de 2007 (no blog EntreMentes).
Original: EM, 13/09/2008