terça-feira, 17 de março de 2009

SOBRE A AUTODESTRUIÇÃO

"Chamar um artista de mórbido porque trata do tema da morbidez é um disparate tão grande quanto chamar Shakespeare de louco porque escreveu Rei Lear." Oscar Wilde
AVISO: NÃO LEIA SE VOCÊ FOR UMA PESSOA SENSÍVEL
Ora, não me achem mórbido. Nem pensem que este texto se destina a induzir alguém ao suicídio. O pretendente ao ato, com a visão amarga da vida, digamos que ele já exista. Já exista - e queira deixar de existir - motivado por uma grande privação. Como, por exemplo, a de não mais poder se divertir descendo pela lixeira do edifício, porque o síndico baixou a proibição. É, portanto, ao que já está in(arre!)dável na determinação de pôr fim à vida que me dirijo, e discorro sobre alguns dos métodos da autodestruição. Faço, entretanto, a ressalva de que tais métodos podem ocasionar no desvalido a morte ou o falecimento, às vezes ambas as coisas.
Esmagamento pelo trem - Consiste em se deixar amarrar à linha férrea e ficar na espera do bruto. Certificar-se antes de que não está num ramal ferroviário desativado, porque a morte aí será por insolação, o que é acachapante.
Afogamento - Além da ponte de onde vai pular, requer que se sujeite a um detalhe: o da indefectível pedra amarrada ao pescoço. Uma morte espetacular se o suicida for praticante de saltos ornamentais.
Ingestão de formicida - Tem a vantagem de não morrer "com a boca cheia de formigas". Para evitar a sobredosagem nunca esquecer que uma colher das de sopa mede exatamente quinze centímetros cúbicos.
Corda no pescoço - O tamanho da corda é importante: nem curto que impossibilite de enlaçar o pescoço, nem longo que permita os pés no chão. Há uma variante que é quando se usa a gravata-borboleta.
Envenenamento por gás - Há quem diga que o gás não tenha nada a ver e que a morte se dê pela sensação de claustrofobia. Mas, prevalece o consenso de que a vítima fica, no final, sem condições de fazer um cafezinho.
Tiro na cuca - Fica fácil pela proximidade do alvo. De qualquer maneira, se errar o tiro no teto pode ser aproveitado para fixar uma samambaia-chorona.
Haraquiri - Não tem popularidade no mundo ocidental. É o mais cruel dos atos, pois a lâmina da espada costuma fazer cócegas no baço.
Fogo às vestes - Suicídio e cremação, tudo ao mesmo tempo. A morte, no entanto, não é a regra quando o insano ateia fogo às vestes, estando elas no varal.
Greve de fome - Pode ser total, ao se recusar ingerir todo e qualquer alimento, ou parcial, quando se deixa de comer jiló aos sábados, por exemplo. Neste último caso, que o grevista não ignore ser possível morrer antes de uma senilidade mal definida.

5 comentários:

Anônimo disse...

como pode fazer piadas com isso? ser humano estúpido!

Paulo Gurgel disse...

Se eu falei de corda em casa de enforcado ou coisa similar, desconsidere o texto. Aliás, você já fez isto.

Anônimo disse...

Muito obrigado por isso!

Anônimo disse...

como pode fazer piadas com isso??? hipócrita, você não faz ideia da gravidade disso.

Paulo Gurgel disse...

"Para todos os ofícios, excepto o de censor, é indispensável uma aprendizagem..." - George Byron