domingo, 30 de novembro de 2025

VIRUNDUNS

(parte 3 da trilogia CANÇÕES, PARÓDIAS E VIRUNDUNS)
O virundum é um neologismo para palavras, expressões ou frases que, escutadas numa música, induzem os ouvintes a entender coisas diferentes (muitas vezes, jocosas). Aliás, o termo nem é tão "neo" assim, pois dizem que foi criado pelo jornalista Paulo Francis, à época do Pasquim. Inspirado no primeiro verso do Hino Nacional (O VIRUNDUM Ipiranga...), cuja letra é hors-concours na categoria. Senão, vejamos: "do que terra MARGARIDA", "verás que um FILISTEU não foge à luta" etc.
O Hino da Independência, com o seu JAPONÊS TEM QUATRO FILHOS, é outro que apresenta o seu virundum.
Mas o melhor deles, a meu ver, está numa canção popular que faz referência a B.B. King, o lendário cantor e instrumentista de blues. Na passagem em que a citação de uma vitrola “tocando B. B. King sem parar” é confundida (por quem nunca ouviu falar no rei do blues) com... TROCANDO DE BIQUINI SEM PARAR.
Na obra belchioriana, há pelo meno, dois deles: VOCÊ QUE É MAL PASSADO, em “Como os nossos pais” e UM ANALISTA ME COMEU, em “Divina comédia humana”.
Alguns virunduns são fesceninos. Como: ABRA OS OLHOS E SINTA UM METRO E TRINTA, com origem em “Feche os olhos”, de Renato e Seus Blue Caps, e TÁ COM PULGA NA CUECA, JÁ VI, VOU CATAR, inspirada no “Pata Pata”, de Miriam Makeba. E, para finalizar o assunto, cite-se o virundum TELMA, EU NÃO SOU GAY, que não passa de uma pseudotradução de "Tell me once again”.

Nenhum comentário: